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Empresa permissiva, empresa sem valor

terça-feira, março 8th, 2011

Os japoneses utilizam dois ideogramas para escrever a palavra honestidade: um deles significa “falar” e o outro “fazer”.

“Nos últimos anos houve um colapso da confiança no mundo empresarial. O que se presume é que todo mundo age por cobiça, se não pela desonestidade, para enriquecer às custas dos outros. Esse é o resultado dos escândalos corporativos que temos presenciado. Em empresas cujo exemplo da liderança é indevido, você encontra pessoas que cruzaram os limites do branco para o cinza e deste para o preto. Em virtude do mau exemplo que vem de cima, da agressividade com que as metas são estabelecidas ou do meio pelo qual aqueles que atingem tais metas são recompensados, de uma hora para outra, pessoas inteligentes e honestas aceitam tudo isso como algo correto. Mas o que fizeram foi ilegal, imoral ou criminoso. Não podemos admitir que a euforia diante da extraordinária evolução do país na frente econômica nos leve a esquecer questões igualmente fundamentais. Refiro-me ao perigo de a sociedade brasileira estar deixando de lado alguns valores básicos, como a honestidade, o zelo com os recursos públicos. Além de desviar recursos escassos de investimentos no bem comum, a corrupção premia a “esperteza”, destrói a legitimidade da democracia e a própria noção de justiça”.

Reproduzo as citações acima de outra publicação. Parte foi extraído de uma entrevista do presidente do Conselho da KPMG, Michel Rake, á Exame TV. A segunda é parte do recente discurso de Roberto Civita, presidente da Editora Abril, na cerimônia da premiação de Melhores e Maiores. Ambos diagnosticaram uma doença fatal que se espalha pela sociedade e pelas empresas. Suas causas são o abuso e a permissividade. Essa espécie aparentemente civilizada de lei das selvas justifica todo tipo de malandragem, desvio e acordos espúrios. Em um país ou em uma empresa em que o que vale é “ garantir a sobrevivência” a qualquer custo, as pessoas perdem a noção do que é certo ou errado.  Daí a importância dos presidentes como motivadores das pessoas. Mas o comprometimento e os valores só são verdadeiros se no comando há integridade. Isso é, como lembra o filósofo Mário Sérgio Cortella, ser inteiro – agir de acordo com o que prega.

Os japoneses utilizam dois ideogramas para escrever a palavra honestidade: um deles significa “falar” e o outro “fazer”.

Ser honesto é isso: fazer o que se fala. Não por acaso esse é um dos sete códigos dos samurais, uma filosofia de vida que influenciou gerações, justamente pelo exemplo de integridade de seus líderes. Os outros seis códigos são: justiça; coragem; compaixão; cortesia; honra e lealdade.

A cultura de valor, que tanto desejamos só frutificará com o exemplo de lideranças responsáveis. Os princípios éticos que devem embasar a vida de todos, e principalmente dos que ocupam uma posição de comando, são milenares: a defesa de direitos; o respeito e a valorização das pessoas. Nossos líderes sabem o que falar e o que fazer. Confio que, cada vez mais, tomarão consciência de que só é possível inspirar, engajar e superar por meio da integridade.

Texto extraído de matéria de Vicky Bloch – psicóloga e consultora de carreiras.