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Amadeo Modigliani um imenso talento

domingo, abril 15th, 2012

Modigliani foi um pintor maldito (entre tantos outros). Judeu italiano, saiu jovem de  Livorno,  pequena cidade da Itália, com pouquíssimo dinheiro que um tio ofereceu e foi tentar a sorte em Paris. Estranhamente, ele não economizava. Quando chegava a um lugar, logo se hospedava em bons hotéis, ou alugava bons estúdios. Até o dinheiro acabar. Os relatos da época contam que ele tinha ótima aparência, com seu terno de veludo, sempre bem barbeado. Era o que se classifica de um belo homem.

Havia esse sentimento, quase de nobreza nele. Talvez porque sua família, muito antes de perder todo o dinheiro em negócios, tenha sido muito rica. Filho de pai italiano, Flaminio Modigliani e de mãe francesa, Eugenie Garsin, ao nascer Modigliani salvou a família de perder todos os objetos da casa, pois havia uma lei que os credores não podiam tomar a cama de uma mulher grávida ou uma mãe com um filho recém-nascido. Quando os oficiais chegaram, Eugenie entrou em trabalho de parto e o pouco de valor que ainda possuíam foi escondido embaixo de sua cama. Ele sempre teve uma relação muito forte com sua mãe, que o educou até dez anos. Amadeo Modigliani viveu em contínua miséria. Vendendo desenhos, esculturas e quadros, em troca de comida mas, principalmente em troca de bebida. Seu ponto fraco desde sempre: haxixe, álcool e mulheres. Provavelmente nessa ordem.

Anos a fio nessa rotina sem rotina só fizeram piorar sua saúde que foi frágil desde pequeno, ele teve pleurisia, tifo e finalmente, tuberculose, que o acompanhou toda a sua curta vida. Numa crise quando tinha quatorze anos, em delírios pedia para ver as pinturas e esculturas de Florença. A mãe prometeu levá-lo e cumpriu sua promessa. Na volta matriculou Modigliani com o melhor mestre de pintura de Livorno: Giugliemo Micheli.

Mas, foi o encontro com o escultor Constantin Brancusi que marcou a carreira de Modigliani: durante muito tempo ele abandonou a pintura e quis ser escultor. Influenciado pelo cubismo, e pela África negra, executou esculturas inspiradas em máscaras africanas, que talvez tenha conhecido no “Musée de l´Homme”. Esse período vai provar a Modigliani que ele não tinha nem força física, nem saúde para persistir na escultura. O pó, o esforço de esculpir prejudicou muito sua saúde, fazendo com ele tivesse que retornar à Itália ou prosseguir em estações de cura. Ao retomar a pintura, a influência das máscaras permaneceu, evidenciada nos olhos de suas pinturas.

Em 1909 executou uma de suas obras mais importantes: “O violoncelista”  exposta no Salão dos Independentes de Paris daquele ano.

Seus nus causaram escândalo e uma exposição organizada em 1917 pelo amigo, o poeta polonês Leopold Zborowski, durou apenas um dia: Os nus na vitrine causaram escândalo e tantas reclamações que a polícia teve que intervir. Modigliani não pode ser classificado em nenhum movimento específico da pintura, seu estilo próprio e autônomo são sua marca registrada.

Muitas mulheres foram retratadas por Modi (como era carinhosamente chamado). Com quase todas teve romances, rápidos ou mais demorados mas todos, conturbados.  A sua grande musa, o verdadeiro amor de sua vida foi Jeanne Hébuterne, jovem católica, cujos pais repudiavam Modigliani. Eles tiveram uma filha em 1918. Ela estava com ele quando o pintor morreu, na noite de 24 de janeiro de 1920, aos 36 anos.

No dia seguinte Jeanne, grávida de nove meses, do segundo filho de Modigliani, suicidou-se ao atirar-se do quinto andar de um edifício. Ambos foram enterrados no Père-Lachaise em Paris.

Existe um filme famoso, com Andy Garcia – magistral no papel – contando a história de Modigliani, sua vida conturbada e a rivalidade com Picasso. É um filme para assistir e rever.  

No Rio de Janeiro, hoje, encerrou-se a exposição Modigliani imagens de uma vida que virá a seguir para o MASP em São Paulo.

São 12 pinturas, 5 esculturas, desenhos e escritos que retratam a história desse imenso talento, disperdiçado.