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Música clássica – Bach

segunda-feira, outubro 12th, 2015

A música é a essência de muitas artes e seu poder como inspiração é incontestável. Desde os grandes mestres a música mudou muito, se revolucionou mas, quanto mais tempo passa, mais certeza temos de que foram os grandes mestres da música clássica que serviram e servem de fonte inspiradora da música que ouvimos hoje. Pelo menos da boa música! Grandes vultos, grandes mestres, grandes homens da história da música. Dentre esses mestres, muitos mereceriam ser citados, mas, é difícil, muito difícil fazer listas! Vamos começar com alguns que muito admiro e cujas vidas foram tão fascinantes quanto a sua música.

Bach – 1685-1750

Nascido em Eisenach na Alemanha, Johannes Sebastian Bach perdeu a mãe aos nove anos e o pai, que era músico, no ano seguinte.  A partir de então o irmão mais velho, organista, assume a sua educação. Bach aproveitava todas as oportunidades para estudar música e contam que ele descobriu um álbum do irmão e conseguiu copiá-lo, escondido, durante seis meses, à luz do luar.  

Por diversas vezes, sem dinheiro, ele chegou a ir a pé da cidadezinha onde vivia, até Hamburgo assistir a concertos. Desde os 18 anos ele já conseguia se manter sozinho, dando aulas, tocando em igrejas além de compor para elas num ritmo impressionante. Em 1707 ele se tornou organista da Igreja de S. Blasius e casou-se com uma prima, com quem teve sete filhos.  Depois, Bach passa a servir à corte de Veimar onde como organista e compositor permanecerá durante nove anos. Ao regressar de uma viagem de trabalho, toma conhecimento que sua esposa havia morrido.  Tempos depois Bach se casará novamente, com uma hábil copista e boa acompanhadora ao cravo. Deste casamento terá treze filhos mas poucos sobreviverão.

As obras de Bach tem muito de religiosidade intrínseca, mas, a beleza de sua música é universal. Aliás, num ótimo filme de Ingmar Bergman – O Silêncio – pessoas de línguas diferentes passam o filme todo sem se compreender. Até que num dado momento toca uma música linda e alguém diz: Johannes Sebastian Bach. E todos se unem num entendimento acima de todos os idiomas: a universalidade da música. 

Em vida, Bach foi condenado a uma vida de sacrifícios para criar e estudar os filhos e sua vista começou a sofrer pelo excesso de trabalho à luz do luar ou de velas. Aproveitando a visita de um médico inglês submeteu-se a uma cirurgia e ficou praticamente cego o que o abateu muito. Infelizmente ele não sabia que esse era um dos resultados temporários da cirurgia e meses depois sua vista se recuperou completamente, mas, não seu espírito: abatido pela cegueira, pela falta de reconhecimento de sua obra como compositor, ele morreu dez dias depois de recuperar a visão, em 28 de julho de 1740.  Seus filhos que o sobreviveram passaram por grandes dificuldades e tiveram um triste destino: Ana Madalena chegou a viver de esmolas e Regina Suzana, vivia de donativos, inclusive de Beethoven.

O Bach compositor só começou a ser valorizado quando Mendelsohn executou Paixão Segundo  Mateus em 1829.  Depois disso a música se apoderou da verdadeira mina de estudos que é a obra de Bach e todas as suas composições foram publicadas na íntegra. Bach renovou a linguagem musical do Século XVIII e marcou para sempre a história da música e da humanidade.