Invictus de Clint Eastwood

Quando Clint Eastwood lança um filme, pode correr para o cinema. Aos 80 anos, mais um ótimo filme – Invictus.  Clint é dono de uma trajetória impar: de cowboy e policial violento, a diretor de filmes sensíveis, inteligentes, com foco em histórias bem contadas.  Dizem que ele filma rápido, com poucas cenas e obedece a uma ordem cronológica, assim seus atores sabem o que estão fazendo e para onde estão indo. Simples e óbvio? Mas, acreditem, muitos diretores fazem totalmente o inverso.

Invictus retrata um difícil período da história de Nélson Mandela, interpretado magnificamente por Morgan Freeman. Ao assumir a presidência da África do Sul, após 27 anos de confinamento, Mandela encontra grande resistência dos brancos e rapidamente percebe que a maneira de conquistá-los é não persegui-los e, principalmente, preservar sua identidade.

Com grande inteligência política Mandela percebe uma grande oportunidade em apoiar a equipe de Rugby Springboks, símbolo da África do Sul branca. A relação que ele estabelece com o líder do time, François Pienaar, muito bem interpretado por Matt Damon, é a peça chave do filme. Em seu primeiro encontro, Mandela pergunta o que o inspira e como ele faz para inspirar os jogadores. Sem uma resposta definida, aos poucos são os ideais de Mandela que vão inspirar o capitão do time e a sua admiração por ele conduzirá a equipe à vitória da Copa do Mundo de 1995. As cenas dos jogos são emocionantes. E mais emocionante ainda é o momento em que Nelson Mandela, com a camisa número 6, de capitão do time, entra em campo e 63 mil espectadores gritam seu nome. Um mágico e real momento da História.

Um momento de grande emoção no filme é a visita de Pienaar à prisão de Robben Island, a visão da pequena cela onde Mandela passou 27 anos vai marcá-lo para sempre. É neste momento que ele entende a força do caráter de Mandela, a importância do perdão que ele se impôs e, sobretudo a sua força de estadista ao querer unir tantos neste perdão, numa África que conviveu com a terrível experiência de 50 anos de Apartheid.

Nos filmes de Clint a música tem personalidade e triunfa comovente. Ele próprio apaixonado por sax e piano, desta vez entregou a composição a seu filho e este acertou em cheio.

E a emoção do filme se completa quando Mandela conta o que o ajudou nos momentos mais difíceis de todos aqueles anos: seu poema favorito. Um pequeno poema do escritor inglês Will Ernest Henley. O título é Invictus, que em latim significa invencível, sobre quem não se triunfa. Foi escrito em 1875, quando seu autor estava hospitalizado em conseqüência da amputação de seu pé e segundo ele, o poema era o triunfo de sua resistência à dor, física e moral.

“Além da noite que me invade,

negra como um poço, de um pólo a outro,

eu agradeço os deuses, sejam quais forem

pela minha alma indomável.

Derrubado pela ferocidade das circunstâncias

a cabeça ensanguentada

mas, o espírito inflexível.

 Além deste mundo de cólera e lágrimas,

Aproveita-se o horror das sombras.

Entretanto, a grande ameaça do tempo,

me encontra e me encontrará sem medo.

Pouco importa o quanto a viagem será dura

E quanto a lista de castigos será pesada,

Eu sou o mestre do meu destino,

Eu sou o capitão da minha alma.”

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2 Comentarios para “Invictus de Clint Eastwood”


  1. Monica

    Adorei o que você escreveu sobre avatar e invictus! E as frases são ótimas também (minha frase preferida é “Tudo já foi dito uma vez, mas como ninguém escuta é preciso dizer de novo.” , me faz pensar aqui em casa… hehehehe!!!
    Beijocas
    Mo


  2. Beth

    É isso ai amiga! Com um toquezinho de modéstia, ja que sabemos que é um pouco mais do que isso, mas tudo bem!..
    Trata-se de uma energia inesgotável, que vem não se sabe de onde, mas que só posso acreditar que lhe foi concedida por Ser Supremo porque você é um ser especial. PRONTO.