Toda luz que não podemos ver

A Segunda Guerra parece ser um tema inesgotável. De tempos em tempos um romance se destaca e nos envolve, trazendo a nossos dias, o que parece ser tão remoto e cada dia mais irreal.

“Toda Luz que não podemos ver” reconstrói com detalhes aquele período. Marie-Laure é uma garota francesa, órfã de mãe que vive com seu pai que é chaveiro do Museu de História Natural de Paris. Aos seis anos ela fica cega e o pai, em busca da autonomia da filha, constrói uma maquete em miniatura do bairro onde eles vivem. Com isso Marie-Laure pode andar com uma bengala com a maior desenvoltura. Mas, chega a guerra e com ela a ocupação nazista. Eles fogem para uma cidade do interior, Saint-Malo, onde mora um tio avó da menina. Com eles, o pai leva aquilo talvez seja o maior tesouro do Museu Natural de Paris.

Em uma região de minas de carvão da Alemanha, Werner vive com a irmã mais nova em um orfanato. Todas as noites eles ouvem um programa de rádio, em francês e mesmo sem entender, Werner se apaixona pela magia do rádio. Um dia encontra um aparelho quebrado no lixo. Ele o conserta e a partir daí começa a consertar os aparelhos de todos que o procuram, aliando a seu talento uma prática enorme, que lhe garante uma vaga em uma escola nazista. Com o avanço da guerra ele é designado para uma missão difícil: tentar identificar de onde vêm as transmissões da Resistência Francesa em… Saint Malo.

O ano é 1944, próximo do final da guerra. Os Estados Unidos estão arquitetando o bombardeio que vai terminar a guerra. Falsas pistas são espalhadas, as transmissões de rádio são cada vez mais importantes e com o pai preso, a menina cega que conhece a casa do tio avó de memória, se esconde embaixo da cama, no andar de cima. No porão, Werner, o garoto nazista se esconde buscando o sinal de transmissão da Resistência.

O escritor Anthony Doerr foge do maniqueísmo. Não conseguimos deixar de gostar, pelo menos um pouco, de Werner por conta de sua vida em um contexto tão trágico.

O livro foi lançado em 2014 em 2015 ganhou o Pulitzer de Melhor Ficção, além de muitos outros prêmios. É um livro delicado, envolvente, que prende sua atenção do começo ao fim. Vale ler!!!!

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