Giotto – Pádua e o Mundo

 

Giotto Catedral Assisi

Assisis_Basilica_superiore-3

Giotto foi um inovador. Nasceu em Colle Vespugnano em 1266 e morreu em Florença em 1337. Viveu num tempo em que inovações não eram muito bem vindas. Ele é o precursor do Renascentismo, um elo que introduziu a perspectiva na pintura, transformando ainda os santos tão irreais em seres humanos, seres de aparência comum.

Giotto_Legenda de S Fco 4-2

Giorgio Vasari, o grande historiador da Renascença conta que Giotto começou a desenhar ainda menino e com 12 anos, enquanto cuidada das ovelhas, fazia muitos desenhos nas rochas. O maravilhoso Cimabue, um dos maiores pintores da Toscana viu seus desenhos e pediu a seu pai para levar Giotto como aprendiz. Conta a lenda que Giotto pintou uma mosca no nariz de uma figura com tanta habilidade que o mestre afugentou o inseto várias vezes, antes de perceber que se tratava de uma pintura.

Em 1280 Giotto acompanhou Cimabue a Roma, até uma escola de afrescos. O pintor Arnolfo di Cambio, que estava em Roma, foi fonte de inspiração para os afrescos de Giotto.

Giotto_legenda de S Fco 1-2

Algumas de suas obras com volume e quase tridimensionais marcaram vários séculos, por toda a Europa.

Giotto_legenda de S Fco 2-2

Não é provado mas diversos especialistas dão como certo que Giotto se encaminhou para Assisi quando saiu de Roma e lá realizou os maravilhosos afrescos da Basília de São Francisco de Assis. Visitei essa Basília 2 vezes. Depois fui a Pádova (Pádua) e não acho que possa haver dúvidas. Os afrescos são de Giotto. Seu azul e seu traço são inconfundíveis.

Giotto Azul_original

Em Assisi o altar com a saga de São Francisco de Assis é comovente, mas em Pádua na Capela Scovegni sua pintura é mais madura, já é mais forte, mais poderosa, mas, em ambas, o traço é de um mestre.

Capela Scrovegni

Nesses afrescos Giotto quebrou todas as tradições de cenas medievais. A cena da morte de Cristo é até hoje motivo de admiração. Admiração que levou Michelangelo a se inspirar nessa obra para a pintura da Capela Sistina.

Giotto Padova visao igreja (2)

Giotto Scrovegni_Padova

Na porção da parede dominada pelo Julgamento Final, um dos mais famosos é a Adoração dos Magos, onde aparece uma estrela de Belém semelhante a um cometa. Teria sido a visão em 1301 do Cometa Halley no céu italiano que teria influenciado Giotto ao criar sua estrela.

Giotto Julgamento Final_Padova

Naquela época o registro da vida e da obra dos pintores não era comum mas, seguindo os traços de Giotto, os historiadores determinam que em 1287, aos 20 anos, Giotto se casou e foi para Roma depois para Assisi e Pádua, após o que seguiu para Rimini, onde um Crucifixo no Templo Maltestiano confirma sua presença no local.

Giotto_Cristoretirado da cruz

Giotto_di_Bondone_Scrovegni

Depois de Rimini, Giotto deve ter ido a Nápoles onde ficou até 1333 e realizou diversos afrescos, sem que contudo seja possível precisar sua autoria, exceto a Multiplicação dos pães e peixes que existe em uma sala do Convento de Santa Clara.

Em Nápoles, ele retornou a Florença e lá foi contratado como arquiteto, dessa vez, responsável pela construção da Catedral de Florença – Duomo – uma verdadeira obra de arte. Ele é que cuidava pessoalmente do canteiro de obras, em especial do Campanário, que popularmente se chama “Campanário de Giotto”. Com 84 metros de altura, decorado em mármore coloridas, em especial rosa, com baixos relevos de estátuas, com incrustações de mármore. É uma das mais belas obras de detalhes de todo o período gótico italiano. Infelizmente ele morreu sem ver o fim dessa maravilha, que hoje, junto com a Duomo é um dos principais pontos turísticos de Florença.

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Como retribuição, Florença rendeu uma justa homenagem a Giotto. Quando ele morreu (8 de janeiro de 1337) seu enterro foi realizado com grande pompa e ele foi enterrado na Duomo, a sua amada Catedral.

Duomo lateral

Dele, Boccace escreveu em seu famoso livro Decameron:

“Ele possuía um gênio poderoso, que a natureza, mãe e criadora de todas as coisas, não produzia nada sob as eternas evoluções celestes, como ele foi capaz de reproduzir com sua pena ou seu pincel: reprodução perfeita que, para os olhos, não era mais que uma cópia, mas o modelo ele mesmo. Muito frequentemente suas obras enganaram o senso visual e tornaram realidade o que era uma pintura”.

Se puder, visite os lugares que Giotto pintou, seu Campanário, a Duomo e confira: alguém algum dia pintou um azul assim?

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