Amadeo Modigliani um imenso talento

Modigliani foi um pintor maldito (entre tantos outros). Judeu italiano, saiu jovem de  Livorno,  pequena cidade da Itália, com pouquíssimo dinheiro que um tio ofereceu e foi tentar a sorte em Paris. Estranhamente, ele não economizava. Quando chegava a um lugar, logo se hospedava em bons hotéis, ou alugava bons estúdios. Até o dinheiro acabar. Os relatos da época contam que ele tinha ótima aparência, com seu terno de veludo, sempre bem barbeado. Era o que se classifica de um belo homem.

Havia esse sentimento, quase de nobreza nele. Talvez porque sua família, muito antes de perder todo o dinheiro em negócios, tenha sido muito rica. Filho de pai italiano, Flaminio Modigliani e de mãe francesa, Eugenie Garsin, ao nascer Modigliani salvou a família de perder todos os objetos da casa, pois havia uma lei que os credores não podiam tomar a cama de uma mulher grávida ou uma mãe com um filho recém-nascido. Quando os oficiais chegaram, Eugenie entrou em trabalho de parto e o pouco de valor que ainda possuíam foi escondido embaixo de sua cama. Ele sempre teve uma relação muito forte com sua mãe, que o educou até dez anos. Amadeo Modigliani viveu em contínua miséria. Vendendo desenhos, esculturas e quadros, em troca de comida mas, principalmente em troca de bebida. Seu ponto fraco desde sempre: haxixe, álcool e mulheres. Provavelmente nessa ordem.

Anos a fio nessa rotina sem rotina só fizeram piorar sua saúde que foi frágil desde pequeno, ele teve pleurisia, tifo e finalmente, tuberculose, que o acompanhou toda a sua curta vida. Numa crise quando tinha quatorze anos, em delírios pedia para ver as pinturas e esculturas de Florença. A mãe prometeu levá-lo e cumpriu sua promessa. Na volta matriculou Modigliani com o melhor mestre de pintura de Livorno: Giugliemo Micheli.

Mas, foi o encontro com o escultor Constantin Brancusi que marcou a carreira de Modigliani: durante muito tempo ele abandonou a pintura e quis ser escultor. Influenciado pelo cubismo, e pela África negra, executou esculturas inspiradas em máscaras africanas, que talvez tenha conhecido no “Musée de l´Homme”. Esse período vai provar a Modigliani que ele não tinha nem força física, nem saúde para persistir na escultura. O pó, o esforço de esculpir prejudicou muito sua saúde, fazendo com ele tivesse que retornar à Itália ou prosseguir em estações de cura. Ao retomar a pintura, a influência das máscaras permaneceu, evidenciada nos olhos de suas pinturas.

Em 1909 executou uma de suas obras mais importantes: “O violoncelista”  exposta no Salão dos Independentes de Paris daquele ano.

Seus nus causaram escândalo e uma exposição organizada em 1917 pelo amigo, o poeta polonês Leopold Zborowski, durou apenas um dia: Os nus na vitrine causaram escândalo e tantas reclamações que a polícia teve que intervir. Modigliani não pode ser classificado em nenhum movimento específico da pintura, seu estilo próprio e autônomo são sua marca registrada.

Muitas mulheres foram retratadas por Modi (como era carinhosamente chamado). Com quase todas teve romances, rápidos ou mais demorados mas todos, conturbados.  A sua grande musa, o verdadeiro amor de sua vida foi Jeanne Hébuterne, jovem católica, cujos pais repudiavam Modigliani. Eles tiveram uma filha em 1918. Ela estava com ele quando o pintor morreu, na noite de 24 de janeiro de 1920, aos 36 anos.

No dia seguinte Jeanne, grávida de nove meses, do segundo filho de Modigliani, suicidou-se ao atirar-se do quinto andar de um edifício. Ambos foram enterrados no Père-Lachaise em Paris.

Existe um filme famoso, com Andy Garcia – magistral no papel – contando a história de Modigliani, sua vida conturbada e a rivalidade com Picasso. É um filme para assistir e rever.  

No Rio de Janeiro, hoje, encerrou-se a exposição Modigliani imagens de uma vida que virá a seguir para o MASP em São Paulo.

São 12 pinturas, 5 esculturas, desenhos e escritos que retratam a história desse imenso talento, disperdiçado.

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