Pisa além da torre

Lógico que todo mundo conhece Pisa por causa da torre inclinada mas, tem muito mais tesouros a serem vistos. A cidade foi muito rica graças à sua proximidade com o rio Arno e por conseqüência, ao comércio marítimo. O apogeu conheceu um brusco declínio em 1284, na batalha de Meloria, onde mais de nove mil soldados foram mortos. E Pisa tinha no máximo 40 mil habitantes naquela época. 

A torre tem uma história muito interessante: em 1173, devido a fundação mal construída e um solo mal compactado, ela começou a inclinar-se já a partir do primeiro andar e isso se acentuou a partir do terceiro. A inclinação já era tão evidente que a obra foi interditada. Por cem anos! Foram necessários 177 anos para o término dessa linda construção em mármore branco, que se destinava a colocar os sinos da catedral da cidade. Quem retomou a construção em 1272 foi Giovanni di Simone cujo museu está na lateral da praça onde fica a torre. Não se surpreenda quando perceber que a linda igreja e o batistério também são inclinados. A guia contou que todas as construções em Pisa são um pouco tortas!

Existem sete sinos, um para cada nota musical e cada um fica em um andar. A altura da torre é de 55,86 metros no lado mais baixo e 56,70 no lado mais alto e o peso estimado é de 14.500 toneladas. Sua inclinação em 2007, já após as obras de restauração, era de 3,99 graus, ou seja, o topo está a uma distância de 3,99 graus de onde estaria se a torre estivesse corretamente na vertical. São 296 ou 294 degraus: no sétimo andar são dois degraus a menos de um dos lados. Entre 1900 e 2001 a torre teve obras de reforço estrutural, reaberta ao público e considerada segura por mais dois ou três séculos, embora sempre esteja em perigo por conta de sua exposição aos efeitos climáticos e ao grande fluxo de turistas.

A torre também é famosa por uma história contada pelo secretário de Galileu Galilei, que segundo ele teria jogado, do alto da torre, duas bolas de materiais diferentes para demonstrar que a velocidade da descida independe do peso da massa. Para a visitar, reserve com antecedência! São trinta pessoas de cada vez e dura no máximo trinta minutos. 

A construção da catedral “Domo” começou em 1664, sobre uma antiga igreja. A história dessa construção que foi paralisada e retomada com ajuda financeira do imperador bizantino é repleta de aventuras. Em 1595 um incêndio quase a destruiu e então, após a restauração, começou pouco a pouco a ser reformada. Recebeu portas de bronze e novas pinturas, contando com o apoio de uma associação dos cidadãos pisanos.  

A catedral é magnífica e surpreende por seu tamanho, pela riqueza dos mármores brancos e negros e a delicadeza e detalhamento das obras de arte, sejam elas em madeira ou em mármore. Os quadros que cobrem o altar principal retratam episódios do Antigo Testamento e um dos seus grandes tesouros é a urna contendo os restos mortais do santo padroeiro da cidade, São Ranieiri.

O Batistério é dedicado a São João Batista e chama a atenção pelo telhado ou melhor, pelo pedaço que falta dele. Rindo os italianos dizem que faltou dinheiro para terminar a obra ( o que já deve ter deixado de ser verdade a julgar  pela quantidade de turistas). Não estranhe o eco que é gerado, ampliando por alguns segundos o que se diz. Os batistérios foram construídos em grande parte porque na época o batismo era com imersão e muitos adultos se convertiam.

Reconheço que para mim, depois da Torre,  o ponto mais alto da visita, é o cemitério romano. Impressionante pela construção e mais ainda, por suas tumbas ainda preservadas.

Os romanos eram enterrados acima do solo, em tumbas lacradas e muitas ainda estão bem preservadas (vazias segundo a guia!!!!).

Os afrescos pintados nas paredes foram terrivelmente destruídos durante bombardeios equivocados dos americanos na Segunda Guerra.  

Um desses americanos ao visitar o local após os bombardeios ficou tão arrasado que iniciou uma enorme campanha para arrecadar fundos para a restauração do local. Graças a ele, em grande parte isso foi possível e em agradecimento, após sua morte, foi colocada uma placa no solo que conta essa história e assim o homenageia.   

O Museu Simone fica do outro lado do Campo Santo. Era um antigo hospital para os pobres e peregrinos e em 1976 foi transformado em museu para honrar o grande arquiteto, responsável pelas obras deste local sem igual, cujo turismo é a mola propulsora da economia local.

E é um turismo lindo, especialmente no final do dia quando sol faz brilhar o mármore branco das construções e a luz quase nos cega com tanta beleza.            

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