O melhor é viver o momento

Um grande amigo reencontrado, o AC, indicou o livro do Heródoto Barbeiro ex-CBN. E eu nem sabia que ele tinha escrito livros, era professor de história e tantas outras qualidades. Gente competente que sabe aproveitar o tempo e é fiel às suas crenças. Sejam elas quais sejam, admiro quem as tem e vive dentro dos preceitos do que acredita.

Escolhi uma frase muito verdadeira sobre viver o momento presente e uma história que ilustra maravilhosamente bem a frase e o conceito.

A vida é muito curta para ser desperdiçada com discussões estéreis. Nada de viver no futuro, imaginando coisas que podem ou não acontecer, ou no passado, com lembranças e fatos congelados como nas fotos. Isso desvia a atenção do presente, impede o eu real de agir, inocula a ilusão e não permite que as pessoas conheçam o seu verdadeiro eu.

Um homem andava sob o sol forte e carregava nas costas uma pequena sacola de provisões. Atravessava um imenso campo de trigo. O ar estava parado e o vento descansava. Nada parecia se mover. A monotonia da paisagem era raramente quebrada por uma levre brisa que, vagarosamente, movimentava o trigo amarelo como uma imensa marola de um oceano manso. O homem caminhava sem olhar por onde andava, pisando o amarelo da paisagem.

Repentinamente, surgiu no alto de uma colina, um tigre. O animal viu sua presa e partiu para pegá-la. Diante do inesperado, o homem abandonou sua sacola e correu como nunca havia corrido em sua vida. A velocidade do tigre diminuia a distância entre o o caçador e presa, e ele percebeu que em mais alguns instantes seria dilacerado pelas garras do animal. Avistou um barranco em uma das bordas do trigal e atirou-se para lá. Descobriu que a saliência do terreno era a borda de um profundo precipício. Para escapar, esqueirou-se pela terra, agarrando-se no que podia. Na metade da descida, viu uma velha raiz que saia do penhasco e pendurou-se nela. Dali podia ver os olhos faiscantes do tigre, e só lhe restava continuar descendo. Olhou para baixo e identificou, no fundo do desfiladeiro, uma caverna. Na porta, a fêmea do tigre e os filhotes esperavam o alimento que o macho havia ido caçar. Agarrou-se ainda mais na raiz. De um pequeno buraco ao lado dele saíram dois ratos. Um branco e um preto. Imediatamente, começaram a roer a raiz onde ele estava pendurado. O homem olhou para todos os lados e notou que ao alcance de sua mão havia um arbusto. Era um morango silvestre. Havia nele um único fruto vermelho, apetitoso e fresco. O homem pegou-o, comeu e achou delicioso.

A vida é um fim em si mesma.

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