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No Limite da Mentira

terça-feira, abril 2nd, 2013

The Debt 1

The Debt, No Limite da Mentira é uma refilmagem do filme israelita HaHov de 2007. História forte de três agentes do Mossad, o serviço secreto israelense, que em Berlim Oriental teem a missão de capturar e levar a julgamento um terrível nazista, o cirurgião de Birkenau.  O roteiro é muito bem estruturado e um trunfo a mais são os atores que vivem essa forte história. Helen Mirren é Jessica Chastain 30 anos depois e os atores também estão ótimos, Tom Wilkinson, Sam Worthington, Marton Csokas, Jesper Christensen e Romi Aboulafia. A missão terminou de forma desastrosa, com o cirurgião sendo morto a tiros nas ruas de Berlim. Mas, trinta anos depois, em um hospital alemão, um doente diz que é ele, portanto, Raquel Singer, a ex-agente da Mossad terá que ir até lá para desvendar e revelar verdades e mentiras. 

The Debt Helen Mirren

A narrativa é muito interessante porque se alterna entre 1966 e 1997 e o filme é uma ótima pedida para quem gosta de suspense. O diretor britânico Madden conseguiu ficar na exceção: refilmagens costumam ser menores que seus originais. Essa está à altura. Assista. Você vai conhecer o limite da mentira e se questionar sobre o que teria feito no lugar de Raquel 

Entre Segredos e Mentiras

quarta-feira, janeiro 9th, 2013

O filme é baseado num fato real ocorrido na década de 80: o mais chocante desaparecimento da história de New York. David, interpretado por Ryan Gosling (que está ótimo), é um psicopata cujo estopim da doença é o suicídio da mãe durante a infância, que ele presenciou por pressão do pai. A pressão persiste toda a vida já que David é o mais velho e deveria suceder o pai em seus negócios, que em grande parte são escusos, remetem a cobranças de aluguéis superfaturados a pessoas pobres e indefesas.

David conhece Katie (K. Dunst) de forma banal, como tantos primeiros encontros. Cabelo com muito gel, mal arrumado, quase estranho ele a encanta porque em princípio é divertido, gentil e amoroso. Desde esse começo, dá para perceber que algo nele é anormal. Mas, apaixonada, Katie não percebe.

Contra a vontade do pai, David resolve casar com ela, exatamente porque “ela é diferente de nós”. Essa decisão contraria muito pai (o ótimo Frank Langella) e a represália é obrigar David a trabalhar com ele em seus termos, já que sem isso não teriam dinheiro para viver.

O pior começa a acontecer quando Katie resolve estudar medicina, ser mais independente e praticamente exige ter um filho.

A descida ao inferno acontece quando David assume que não quer filhos. Uma das brigas é terrível, com ele batendo violentamente em Katie que foge e se refugia nos vizinhos. Ele vem buscá-la e assustada ela volta para casa, perdendo a chance de se separar. O sonho de um casamento perfeito, uma vida normal acaba.

O diretor consegue contar essa história de forma magistral prendendo nossa atenção, porque em flash backs e elipses no tempo, vivenciamos toda a história.

Assistimos a última discussão do casal e as imagens bem montadas de um assassinato sem cadáver, um desaparecimento sem solução.

Finalmente, o que é temos é um David envelhecido, esmaecido pela câmara, que nega à polícia qualquer envolvimento com o desaparecimento. Sem provas esse crime está até hoje sem solução, O filme nos deixa na dúvida e incomoda muito, pois o milionário Robert Durst continua tranquilamente sua vida nos Estados Unidos. E se ele tiver mesmo matado a esposa? A justiça é omissa para os milionários mesmo no país cuja constituição, em sua primeira emenda, define que todos os homens são iguais?

Fanny & Alexander

sábado, novembro 24th, 2012

Muitas pessoas tem receio de assistir um filme de Ingmar Bergman porque é classificado como um cinema difícil, cerebral. Fanny & Alexander também é profundo mas, dos filmes de Bergman, é um dos mais leves. Em suas raras ntrevistas, Bergman sempre dizia que seus filmes nasciam de imagens. A lembrança no natal da casa de sua avó é a razão deste filme. Na Suécia, início do Século XX, a preparação do natal, os enfeites, a árvore, os presentes e os dramas são mostrados de forma intensa. Os momentos de pura alegria e magia tocam a todos mas em especial Alexander, um garoto de dez anos.

A história é contada através de seus olhos. Ele é Bergman criança? Sim e não segundo o próprio. Após esse alegre natal, o pai de Alexander e de sua irmã Fanny morre. A mãe se casa novamente com um religioso extremamente rígido. Em sua casa tudo se opõe ao mundo que eles viviam antes: não existe alegria, leveza, só rigor e castigos.

Alexander começa a ver o fantasma do pai,  a imaginar coisas e uma forma de fugir com sua irmã.  Parece banal? Não é. A complexidade da religião, dos castigos, do ressentimento, das neuroses se mescla a um humor ironico a afetos que nascem e morrem. Os opostos das duas famílias é o espelho no qual Bergman reflete seu amor à vida e transmite sua mensagem de amor. O amor como essência de tudo, como redenção. Como no discurso de um personagem incrível, o tio das crianças: a vida vale a pena ser vivida em todas as suas dimensões, nas pequenas e grandes coisas.

A beleza visual do filme é surpreendente. Cores, luz, cenários, ambientação. Ganhou, merecidamente, diversos prêmios, dentre eles 4 Oscar: Melhor Filme estrangeiro, Direção de Arte, Figurinos e Fotografia.

A Versátil Home Vídeo, empresa especializada em filmes de arte, onde meu  amado irmão Fernando é Curador, acaba de lançar uma versão maravilhosa em alta definição. Edição primorosa. Traz a versão completa adaptada para a televisão sueca, e extras que já valeriam a compra: Diário de uma Filmagem, Bergman dá adeus ao cinema e Uma tapeçaria Bergminiana.

Um lindo presente de natal!

O Abrigo

sábado, novembro 24th, 2012

Esquizofrenia hereditária? Mente frágil? Loucura mesmo? A trama de O Abrigo cria várias possibilidades e nos faz pensar. Um homem normal começa a ser atormentado por pesadelos. Primeiro sonha que seu cão vai atacá-lo e resolve que é melhor se desfazer dele. Depois a quase premonição de uma tempestade imensa, avassaladora, faz com que ele hipoteque sua casa e comece a reforçar seu abrigo antitempestade no fundo do quintal. A premonição é quase real, pois ele sente as gotas da chuva viscosa, quase como o óleo de motor.

O casamento perfeito, uma esposa carinhosa e uma filha inteligente que precisa de uma cirurgia para implante de um aparelho que melhore sua vida já que ela é surda.

Em sua angústia ele visita sua mãe no hospital para perguntar como foi que ela surtou. Sem respostas ele começa a suspeitar do amigo do trabalho e também conclui que é melhor se ver livre dele. Depois o pesadelo é com sua doce esposa, a maravilhosa atriz de A Árvore da vida, Jessica Chastain. Ele sonha que ela quer matá-lo e ai se impõe a linha divisória entre o amor que ele sente e a força desse pesadelo.

O Diretor Jeff Nichols realiza um ótimo trabalho neste que é seu segundo longa metragem. E o ator Michael Shannon está excelente.

Assista o filme com atenção. Em especial atenção ao final para responder se ele tinha razão em reforçar o Abrigo ou não.

A Conspiração Americana

quarta-feira, outubro 3rd, 2012

Robert Redford vem se dedicando à direção há alguns anos. Em sua estreia na direção, ganhou o Oscar por Gente como a gente. O filme é excelente e já em sua estreia Redford mostrou que a sensibilidade, a direção segura, a fotografia e a música norteariam seus filmes.  Em A Conspiração Americana não é diferente.

Após o assassinato de Abraham Lincoln, sete homens e uma mulher são presos por conspirarem para matar o presidente. Mary Surrat (Robin Wright) tinha uma pensão onde os conspiradores se hospedavam e, portanto, como eles, arrisca a pena de morte. James McAvoy é um herói da Guerra de Secessão, advogado de formação, que é praticamente obrigado por um Senador liberal a defender a acusada.

Aos poucos, em suas visitas à cadeia, ele percebe que talvez ela não seja culpada e passa a lutar para que haja um julgamento justo.  

Mas, a justiça, num tribunal militar que julga civis, não é uma preocupação. O que o novo governo, liderado pelo ministro de guerra procura é punir com rigor e rapidamente os acusados, culpados ou não, pois acreditam que não o fazendo vão desestabilizar a nação e, claro, perder o poder. Sempre o poder!

Se você gosta de uma boa história, contada de forma competente, por gente competente, assista. Vale a pena!

Histórias Cruzadas – Help

domingo, agosto 19th, 2012

Hesitei bastante antes de assistir Histórias Cruzadas. Eu temia uma daquelas histórias de racismo, com dramas horríveis que depois me deixariam triste e com raiva da humanidade.

Foi uma grata surpresa. Não que não exista uma certa tristeza. Existe mas é sutil. É permeada de bom humor e por fim, o filme transcorre de maneira “quase leve”.

É comovente pensar no quanto de afeto e de amor essas mulheres negras dedicavam às crianças brancas que criavam. Elas vinham para seus colos pequenas e como elas mesmas diziam, depois de meigas se transformavam nos monstros iguais às mães.

O racismo imperava no estado do Mississipi nos anos 60. Entre as amigas “patricinhas” o asco pelos negros é generalizado, exceto por Skeeter ( Emma Stone) que ao regressar da Universidade fica angustiada porque não encontra sua velha ama. Quer, a todo custo, descobrir porque ela foi embora da casa de seus pais. Uma pergunta que nenhum dos dois quer responder. Ao se reunir com as amigas percebe que não faz mais parte do mundo delas.

O sonho de ser escritora se intensifica nesse ambiente e uma idéia surpreendente toma corpo em sua mente: ela quer escrever um livro sobre a ótica dessas mulheres negras. Como elas vêm o mundo em que vivem e o que acham de suas patroas.

A tarefa mais difícil foi convencer Abileen ( Viola Davis excelente) a contar sua história. Aos poucos ela mesma passa a escrever suas memórias, querendo contar todos os detalhes de uma vida inteira de dedicação e tristezas. Mas, um depoimento não construiria um livro. Era preciso conseguir mais empregadas e por um golpe do destino Minny ( Octavia Spender ótima também) começa a contar suas aventuras com grandes doses de humor. 

Alem das duas era preciso reunir mais histórias. Agora já tendo a promessa de publicação era preciso mais e mais histórias. Como por milagre um fato fará com que muitas outras queiram dar seu depoimento o que torna possível o livro.

Um duro momento é quando as amiguinhas brancas racistas conseguem fazer aprovar uma lei de banheiros separados para as empregadas. Uma verdadeira humilhação que será superada e muito por Minny. Olhem ela toda orgulhosa de suas tortas deliciosas.

No meio dessa confusão também há espaço para brancos de bem. Hostilizada pela tropa de choque contra negros, por ter se casado com um partidão pois estava grávida, essa é uma patroa especial e um ótimo contra ponto.

O filme é gostoso de assistir. É uma adaptação do livro “Help”, traduzido como A Resposta aqui no Brasil. Já comprei. O vendedor garantiu que é melhor que o filme. Vou conferir!

O Julgamento de Paris

domingo, agosto 12th, 2012

 

Um amigo que sabe o quanto amo a França, deu a dica: o DVD “ O julgamento de Paris”. A história é baseada em fatos reais, o que já aguça a nossa curiosidade: amantes do vinho resolvem criar um concurso, uma degustação com enólogos de olhos vendados: eles deverão escolher qual é o melhor vinho. Os franceses ou os americanos de Napa Valley ?

Essa resposta é o final da trama, mas, o meio é ótimo! O cultivo dos vinhos, as tramas que estão por trás dos detalhes, o amor aos vinhedos, enfim, a história é ótima e com bom humor “arrasa’ com os esteótipos dos americanos broncos e teimosos, ingleses esnobes e franceses pedantes

 

O filme é baseado no livro com o mesmo título, escrito por George M. Taber. Aliás o livro também é muito bom. Tão bom quanto o DVD, tão bom quanto os vinhos americanos e …os franceses. Assista o filme com uma bela taça de vinho a seu lado. Americano ou Francês?

Borboletas Negras

terça-feira, agosto 7th, 2012

É um filme um pouco mais difícil: a heroína às vezes nos chateia, enerva, mas, também emociona, nos faz viajar em suas alegrias, seus dilemas. A escritora sul africana Ingrid Jonker é retratada pela diretora holandesa Paula Van der Oest de maneira memorável em Borboletas Negras. A atriz Carice van Hounten está maravilhosa e só sua interpretação já valeria o filme. A poetisa Ingrid Jonker produziu inúmeros poemas reconhecidos em sua terra natal e no mundo. Deles o mais famoso é The Dead Child of Nyanga (A Criança Morta de Nyanga). Esse poema foi lido por Nelson Mandela em seu discurso de posse na Assembleia Democrática. Ingrid foi infeliz. O pai a renegava e criticava seu jeito libertino de ser, mais do que isso, desprezava seus poemas e perseguia e censurava os que eram contra o apartheid. Ele odiava os negros. Ela adorava.

Morta aos 31 anos, ela viveu grandes amores. Deles o maior foi com o também escritor Jack Cope (Liam Cunningham em interpretação excepcional). Eles se amavam intensamente, mas, ele precisava escrever e ela o atrapalhava. Era muito intensa.

Romperam várias vezes, mas ele nunca a abandonou. Em conjunto com outros escritores amigos, foi ele o responsável pela publicação do Livro de Poesias, que consagraria Ingrid.

O mar da Cidade do Cabo tem grande participação no filme: as praias são lindas e quando ela quase se afoga é Jack Cope o seu salvador. Assim nasce esse desesperado amor.

Num mundo de contrastes esse filme emociona. A Criança Morta é um lindo poema, lido ao final do filme. Enquanto você não assiste, conheça o poema:

The Dead Child of Nyanga
The child is not dead
The child lifts his fists against his mother
Who shouts Afrika ! shouts the breath
Of freedom and the veld
In the locations of the cordoned heart

The child lifts his fists against his father
in the march of the generations
who shouts Afrika ! shout the breath
of righteousness and blood
in the streets of his embattled pride

The child is not dead not at Langa nor at Nyanga
not at Orlando nor at Sharpeville
nor at the police station at Philippi
where he lies with a bullet through his brain

The child is the dark shadow of the soldiers
on guard with rifles Saracens and batons
the child is present at all assemblies and law-givings
the child peers through the windows of houses and into the hearts of mothers
this child who just wanted to play in the sun at Nyanga is everywhere
the child grown to a man treks through all África

The child grown into a giant journeys through the whole world
without a pass.”

O último dançarino de Mao

domingo, julho 22nd, 2012

Uma história real. O ano é 1981. Li Cunxin vive com a família em um vilarejo pobre da China. Sob as ordens de Madame Mao, os jovens adolescents com talento são recrutados pela polícia e ele é enviado para Pekin, na Academia Nacional de Dança.

A principal característica dele não era o talento mas a perseverança: ele treinava horas a mais para poder melhorar, chegando até a treinar 16 horas por dia. Quando o coreógrafo americano Ben Stenson descobre esse jovem estudante, consegue obter um estágio para ele em Huston.

Ai a estrela dele vai brilhar porque tem que substituir um bailarino principal. Ele arrasa, se apaixona por uma bailarina americana e descobre que o sonho americano não é o pesadelo que os chineles ensinavam.

Então, o mais difícil: decide casar-se com a bailarina e pedir asilo. O caso vira um incidente politico (parece que nada mudou de lá para cá) e ele finalmente consegue ficar na América. A vida será difícil. Distante, sem notícias da família que não pode mais visitar e que não pode visitá-lo senão muitos anos mais tarde, a tristeza é uma constante. Por fim ele acaba se desentendendo com a esposa, que descobre ser mais fútil e vaidosa do que ele imaginava. Separado, de novo a sorte a seu favor, ganha uma oportunidade e se esforça muito até se tornar uma grande estrela da dança em Houston. Ao dançar com a renomada bailarina australiana Mary McKendry ambos se apaixonam. Casam, mudam para a Austrália – Melbourne, trabalham no Australian Ballet e têm três filhos.

Em 2003 ele publica sua autobiografia – O último dançarino de Mao que ganha o prêmio de melhor livro do ano. Em 2009 o escritor Jan Sardi adapta a história para o cinema e o filme, lançado em 2009 alcançou grande sucesso. Além de várias indicações pelo mundo, foi premiado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Uma história de luta e sucesso. Quando enfim ele reencontra a família e pode retornar à China, vivemos momentos emocionantes. Milagre do cinema: realidades tão distantes da nossa, lugares desconhecidos mas um sentimento compartilhado por todos nós: pura emoção e a renovada esperança de que tudo pode dar certo. Basta acreditar e lutar. Obstinadamente.

A Dançarina e o Ladrão

sábado, julho 14th, 2012

Um Chile que se redemocratiza em 1990. É o fim da era Pinochet e as prisões promovem uma grande anistia. Um ladrão especialista em abrir cofres e um ladrãozinho saem da prisão. O momento é especial. E, as interpretações dos atores também. Ricardo Darín é o maior ator argentino do momento. Impossível não admirá-lo depois de assistir O Segredo dos seus Olhos, O Filho da Noiva, Um conto Chinês.

O ladrãozinho é Ángel Santiago (Abel Ayala), que sonha fazer um grande roubo com Vergara Grey ( Darín). Mas, Vergara não quer mais arrombar cofres. Quer ir atrás de um comparsa, pegar seu dinheiro e procurar a mulher e o filho. As decepções começam quando o comparsa não quer dar a sua parte e a mulher partiu com o filho sem deixar endereço. Portanto, o destino vai acabar unindo os dois e o plano para o grande assalto é feito.

Onde está a dançarina do título? Nas ruas, se prostituindo, até que Ángel se apaixona por ela e resolve tentar realizar o seu sonho de dançar no teatro municipal.

É um ótimo policial dramático apesar de alguns momentos quase surreais que não prejudicam o todo: cavalos galopando ao lado carros em grandes avenidas numa chuva intermitente. É mais um filme com Ricardo Darín que vale a pena. Ele vale a pena!