Cineastas

O Regresso – o ano de DiCaprio

terça-feira, março 22nd, 2016

Di Caprio BunnerIncrivelmente não foi com seu diretor mentor, Martin Scorsese que Leonardo DiCaprio talvez (certeza!) ganhe seu primeiro Oscar, após cinco indicações.Di Caprio Close sangueEsse é o filme em que ele menos fala, mas, suas expressões, o olhar e toda a filmagem, de extrema dureza física, fazem com que mereça sim o Oscar. Se ele não ganhar será uma injustiça imensa e prova de que a Academia é mesmo racista, além de praticamente não indicar negros, não dá o Oscar a atores bonitos! Mesmo que eles sejam competentes.Di Caprio regresso 4O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu realizou um belo filme e o melhor, soube escolher o Diretor de fotografia. Ela é sublime e é personagem também.  O branco da neve parece ter luz própria. Trata-se de Emmanuel Lubezki que foi diretor de Birdman e fez parcerias com Terrence Malick, mais recentemente em A Árvore da Vida.O Regresso Di Caprio_neveApesar de ser considerado longo (156 minutos) o tempo corre e o drama é mesmo um filmaço. É um filme emocionante e saber que se baseia em uma história real é mais surpreendente ainda. Hugh Glass (DiCaprio) é uma espécie de guia para americanos que em 1820 caçam animais (peles) em uma região inóspita, montanhosa,  gelada e cheia de  índios violentos.

O clima do grupo já estava bem quente e cheio de animosidade porque Hugh tinha dado a orientação de esconderem as peles e se salvarem, o que carregando as peles seria impossível. Durante a retirada deles, fugindo dos índios, uma ursa ataca Hugh Glass e ele fica muito ferido. Com essa trama já daria um drama e tanto, mas, o pior ainda está por vir.

Di Caprio_caindaO importante é que Glass vai conseguir fazer “O Regresso” e essa volta será carregada de vingança, em especial contra um dos caçadores, Fitzgerald, vivido por um ótimo Tom Hardy.

O Regresso Tom HardyVeja que o filme não é só Di Caprio. Ele é sem dúvida um destaque e a alma do filme, mas, o todo vale muito a pena e assistir no cinema é especial. Aliás, esse filme tem que ser visto no cinema. Saia já à procura do que estiver mais perto. Você não vai se arrepender!

Clint Eastwood uma jornada emocionante

sábado, janeiro 15th, 2011

Clint Eastwood completou 80 anos em maio de 2010. Não parece!

Já nos anos 80 seus filmes começaram a chamar atenção: por trás das câmaras ele era tão bom como diante delas. E na década de 2000, ele atingiu o seu ponto alto como realizador, a maturidade refletida na arte. Grandes filmes, grandes interpretações de atores famosos ou não, temas diversos, filmes baseados em histórias reais ou adaptações literárias, ele se consagra como grande diretor, um ícone da indústria cinematográfica. O que mais gosto na direção de Clint, além de sua sensibilidade na escolha dos temas é sua noção de timing. Ele corta a cena exatamente quando ela se tornará excessiva em violência. Jamais exagera nas cenas de amor, tragédia ou dor, enfim, ele tem a justa medida de cada momento em seus filmes. Prova irrefutável disso é como ele “esconde” cenas que certamente teriam chocado mais ainda, por exemplo, em Meninos e Lobos, não mostra claramente os estupros dos meninos. Em A Troca, não conta a pior parte da história, que é real: a mãe do assassino o ajudava a se aproveitar sexualmente dos meninos que depois ele matava. Nem sabemos disto através do filme. A mãe não é mostrada, os estupros não são mostrados e os assassinatos não são obsessivamente filmados. É quase um pudor, uma proteção. Também adoro suas tomadas do alto, onde ele fecha os ângulos, geralmente com a imagem de uma cidade, sempre dando a noção do quanto o local onde as pessoas vivem suas histórias, influencia suas escolhas.

Aqui estão a maior parte de seus filmes:

Bird – 1988 ( Diretor e Produtor)

Os Imperdoáveis (Unforgiven) – 1992 ( Ator/Diretor/Produtor)

Um Mundo Perfeito (A perfect World) – 1993 ( Ator/Diretor/Produtor) 

As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County) – 1995

(Ator/Diretor/produtor)

Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal ( Midnight in the Garden of Good and Evil ) – 1997 ( Diretor/ Produtor)

Um Crime Real ( True Crimes ) – 1999 (Ator/Diretor/Produtor)

 Cawboys do Espaço ( Space Cawboys) – 2000 ( Ator/Diretor/Produtor)

Dívida de Sangue ( Blood Work ) – 2002 ( Ator/Diretor/Produtor)

Sobre Meninos e Lobos ( Mystic River) – 2003 ( Diretor/Produtor)

Menina de Ouro ( Million Dollar Baby) – 2004 ( Ator/Diretor/Produtor)

A Conquista da Honra ( Flags of our Fathers) – 2006 (Diretor/Produtor)

Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima ) – 2006  (Diretor/Produtor)

A Troca (The Changeling) – 2008 ( diretor)

Gran Torino – 2008 ( Ator/Diretor/Produtor)

Invictus – 2009 ( Diretor/Produtor)

Além da Vida (Hereafter) – 2010 (Diretor/Produtor)

Clint Eastwood  foi indicado algumas vezes ao Oscar de melhor ator   e direção e ganhou dois como Melhor Diretor – Os Imperdoáveis e Menina de Ouro – além do Oscar Memorial Irving G. Thalberg como reconhecimento pelo seu tabalho pela indústria cinematográfica. Nada mal para quem começou como cowboy, não é mesmo?

O Amante de Marguerite Duras

sábado, fevereiro 6th, 2010

Marguerite Duras uma estudante num vestido de seda, com um chapéu de homem, vive no quente estremo de Saigon entre uma mãe neurótica, um irmão caçula frágil e um irmão mais velho viciado que só procura o mal. Um dia, um rico chinês, com uma limusine preta a aborda. E desta jovem adolescente ele fará uma mulher. Ele vai amá-la loucamente, e trêmulo de amor, estará sempre à mercê de um insulto. Ela o deseja e num quarto de Cholen, eles vivem um amor desesperado de desejo, atrás de persianas fechadas. Tudo os separa e nenhum futuro em comum é destinado a eles. O chinês é condenado a casar-se com uma mulher de sua linhagem, subjugado pelo poder paternal; a jovem sonha se tornar escritora e partir para a França. Das lembranças deste primeiro amor, Marguerite Duras escreveu um livro admirável, conciso (111 páginas), sensível, e de um amargo erotismo. O Amante recebeu o prêmio Goncourt em 1984 e foi levado ao cinema por Jean-Jacques Annaud, grande cineasta francês de outras obras primas (O Nome da Rosa, Sete anos no Tibet, etc.). Do livro, cuja linguagem é especialmente poética, este é o trecho que eu mais amo:

“Anos após a guerra, os casamentos, as crianças, os divórcios, os livros, ele veio a Paris com sua mulher. Ele telefonou para ela. Ela o reconheceu pela voz e disse: sou eu, bom dia. Ele estava intimidado, tinha medo  como antes, sua voz tremeu e, de repente, ela reconheceu o sotaque chinês. Ele sabia que ela tinha começado a escrever livros, soube pela mãe que encontrou em Saigon. E, também pelo irmão caçula, que estava triste por ela. E depois ele não soube mais o que dizer. E então, ele disse. Ele disse que era como antes, que ele ainda a amava, que ele jamais poderia deixar de amá-la, que ele a amaria até a sua morte.”

Se puder leia o livro. Ele é direto e vai envolver você mas, se não puder, assista o DVD de Jean-Jacques Arnnaud, que é ótimo e retrata exatamente a poesia de Marguerite Duras nesta linda história de amor e tudo isto, embalado por uma música e uma fotografia inigualáveis.