BIOGRAFIAS

Os Pilares da Terra (The Pillars of the Earth)

sexta-feira, julho 8th, 2011

Os Pilares da terra é um grande livro: 1.400 páginas! E é um grande livro pela história envolvente, emocionante.

Para quem não tem coragem de ler um livro tão grande, já é possível vivenciar todas as emoções nos 4 DVD’s que contam a saga em torno da construção de uma catedral gótica no século XII.  São oito horas no total. Não se assuste! Você vai querer assistir um atrás do outro.

A produção é primorosa. Direção espetacular de Sérgio Mimica-Gezzan  e o produtor é ninguém menos que Ridley Scott.  Foram precisos mais de 20 anos para que Ken Follet aceitasse vender os direitos do livro. Nos extras do DVD ele conta que recusou várias ofertas porque não queria que sua história fosse multilada, que perdesse a essência. Ele tinha certeza que se o filme resumisse vinte anos, durante os quais a construção da igreja se passa, em duas ou quatro horas, a saga perderia todo o sentido. Ele estava mais do que certo! Seria impossível resumir tantas histórias complexas que se entrelaçam, começando pela do construtor Tom que queria edificar uma catedral que captasse o máximo de luz e que tocasse o céu. Sua família vai cruzar a vida de outras famílias e nos anos seguintes, ambição, miséria, vingança, sexo, paixão, amor, desespero e guerras, vão mudar o rumo da história. Num painél conturbado, se sobressaem pela honestidade, os ideais do prior de Kingsbridge, Philip, que lutará desesperadamente para construir um templo para Deus, nesta Inglaterra conturbada pela morte de Henri I que moreu deixando uma filha, ao invés de um filho…

Ken Follet costuma definir sua arte com essa frase: “O principal desafio para um escritor de ficção é criar um mundo imaginário e então arrastar o leitor para lá. É isso que eu gosto de fazer”. Que bom para nós, que somos arrastados para esse lugar imaginário e vivenciamos tantas emoções. Como se fossem…verdade.

A amada imortal de Beethoven

domingo, junho 12th, 2011

Meus pensamentos estão com você, minha amada imortal.

Só posso viver plenamente com você ou não posso viver.

Fique calma, minha vida, meu tudo. Só através de calma consideração da nossa existência podemos atingir o propósito de vivermos juntos.

Continue me amando, nunca julgue mal o fiel coração do seu amado.

Para sempre teu, para sempre meu. Para sempre nosso.

Ludwig Beethoven  para sua Amada Imortal

Clint Eastwood uma jornada emocionante

sábado, janeiro 15th, 2011

Clint Eastwood completou 80 anos em maio de 2010. Não parece!

Já nos anos 80 seus filmes começaram a chamar atenção: por trás das câmaras ele era tão bom como diante delas. E na década de 2000, ele atingiu o seu ponto alto como realizador, a maturidade refletida na arte. Grandes filmes, grandes interpretações de atores famosos ou não, temas diversos, filmes baseados em histórias reais ou adaptações literárias, ele se consagra como grande diretor, um ícone da indústria cinematográfica. O que mais gosto na direção de Clint, além de sua sensibilidade na escolha dos temas é sua noção de timing. Ele corta a cena exatamente quando ela se tornará excessiva em violência. Jamais exagera nas cenas de amor, tragédia ou dor, enfim, ele tem a justa medida de cada momento em seus filmes. Prova irrefutável disso é como ele “esconde” cenas que certamente teriam chocado mais ainda, por exemplo, em Meninos e Lobos, não mostra claramente os estupros dos meninos. Em A Troca, não conta a pior parte da história, que é real: a mãe do assassino o ajudava a se aproveitar sexualmente dos meninos que depois ele matava. Nem sabemos disto através do filme. A mãe não é mostrada, os estupros não são mostrados e os assassinatos não são obsessivamente filmados. É quase um pudor, uma proteção. Também adoro suas tomadas do alto, onde ele fecha os ângulos, geralmente com a imagem de uma cidade, sempre dando a noção do quanto o local onde as pessoas vivem suas histórias, influencia suas escolhas.

Aqui estão a maior parte de seus filmes:

Bird – 1988 ( Diretor e Produtor)

Os Imperdoáveis (Unforgiven) – 1992 ( Ator/Diretor/Produtor)

Um Mundo Perfeito (A perfect World) – 1993 ( Ator/Diretor/Produtor) 

As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County) – 1995

(Ator/Diretor/produtor)

Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal ( Midnight in the Garden of Good and Evil ) – 1997 ( Diretor/ Produtor)

Um Crime Real ( True Crimes ) – 1999 (Ator/Diretor/Produtor)

 Cawboys do Espaço ( Space Cawboys) – 2000 ( Ator/Diretor/Produtor)

Dívida de Sangue ( Blood Work ) – 2002 ( Ator/Diretor/Produtor)

Sobre Meninos e Lobos ( Mystic River) – 2003 ( Diretor/Produtor)

Menina de Ouro ( Million Dollar Baby) – 2004 ( Ator/Diretor/Produtor)

A Conquista da Honra ( Flags of our Fathers) – 2006 (Diretor/Produtor)

Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima ) – 2006  (Diretor/Produtor)

A Troca (The Changeling) – 2008 ( diretor)

Gran Torino – 2008 ( Ator/Diretor/Produtor)

Invictus – 2009 ( Diretor/Produtor)

Além da Vida (Hereafter) – 2010 (Diretor/Produtor)

Clint Eastwood  foi indicado algumas vezes ao Oscar de melhor ator   e direção e ganhou dois como Melhor Diretor – Os Imperdoáveis e Menina de Ouro – além do Oscar Memorial Irving G. Thalberg como reconhecimento pelo seu tabalho pela indústria cinematográfica. Nada mal para quem começou como cowboy, não é mesmo?

Georgia O´Keeffe além de seus quadros

segunda-feira, dezembro 20th, 2010

O Filme foi feito para a televisão e seu enorme sucesso foi uma das causas de seu lançamento em DVD.

Joan Allen e Jeremy Irons estão magníficos e suas interpretações nos transportam para essa complexa história de amor e principalmente, para a beleza dos quadros de Georgia O´Keeffe.

Georgia O’Keeffe nasceu em 15 de novembro de 1887, em Wisconsin e morreu em 1986 no Novo México. O artista e professor de artes Arthur Wesley Dow, com quem ela fez um curso de verão, teve grande importância nos rumos de sua arte. Dow ensinava que o objetivo da arte era a expressão das idéias e sentimentos pessoais do artista e a partir deste conceito Georgia trabalhou o realismo imitativo. Em 1915 ela realizou uma série de desenhos abstratos em carvão e um colega os mostrou ao fotógrafo internacionalmente conhecido e empresário de artes, Alfred Stieglitz.

A partir daí Stieglitz começou a corresponder-se com O´Keeffe. A relação dos dois iria avançar para uma complicada história de amor. Em 1916 com o apoio financeiro dele, ela se muda para New York, para o que seria um ano de trabalho. Acabaram se casando em 1924. Ele fez fotografias extremamente ousadas dela: nus que fizeram sensação e que a projetaram para o mundo, dentro do conceito que ele, ótimo empresário, pregava: “primeiro eles vão conhecê-la tão bem como mulher que acabarão querendo conhecer a artista”.

O filme retrata essa conturbada relação e mostra lindas obras de O´Keeffe, diversas  pintadas no Novo México, onde se refugiava entre uma briga e outra com o amor da sua vida. Stieglitz morreu em 1946 e trabalhou arduamente promovendo o trabalho de Georgia. Desde meados dos anos 20 O’Keeffe pintava flores com uma sensibilidade e sensualidade inusitados.

Ela tornou-se uma das mais importantes e bem sucedidas artistas dos Estados Unidos, alcançando sucesso mundial.

Três anos após a morte de Stieglitz mudou-se de Nova Iorque para o que ela chamava de sua casa, o Novo México, onde sua inspiração era intensa. Georgia produziu em óleo até que sua vista começou a falhar (meados dos anos 70). Ela continuou a trabalhar com lápis e aquarela até 1982 e morreu em 1986, aos 98 anos, deixando uma obra intensa e presente nos melhores museus do mundo.

Karen Blixen entre dois amores

terça-feira, abril 27th, 2010

Frequentemente o cinema é acusado de destruir as obras literárias que adapta. Felizmente existem exceções e a essência da linguagem dos livros em que se basearam é respeitada. É o caso das adaptações de Karen Blixen (1885-1962), a escritora dinamarquesa, que publicou alguns de seus livros sob o pseudônimo de Isak Dinesen. Anos depois Karen explicou que escolheu um pseudônimo masculino porque naquela época a sociedade não permitia que uma mulher fosse também escritora. Talvez ela tenha escolhido o nome Isak, devido à sua fina ironia, pois em hebraico, ele significa: “aquele que ri”.

O primeiro livro, Contos de InvernoWinter’s Tales, baseado em memórias de infância e lendas dinamarquesas foi publicado em inglês, em 1942, em plena 2a. Guerra Mundial. Para conseguir publicar este livro ela o enviou por mala diplomática para Londres e, por fim, ele foi editado numa série de bolso, impressa especialmente para os soldados combatentes na Europa, e obteve um enorme sucesso. E este é apenas o início de uma longa aventura: aos 29 anos Karen faz um pacto de casamento com um primo sem dinheiro, em troca de seu título de nobreza mas, sobretudo, do direito de poder viajar. Com o dinheiro de sua família, compram uma fazenda na África e no dia que ela chega ao país, é celebrado o casamento. Naturalmente que se trata de um casamento sem amor e um ano depois Karen é uma das vítimas do marido: pega sífilis e é obrigada a retornar à Dinamarca para se cuidar. Na época o tratamento era feito com mercúrio e arsênico e quando ela volta para a sua amada fazenda na África, não poderá mais ter filhos e se separa do marido. Os efeitos deste tratamento se farão sentir no futuro: ela morreu de má nutrição, pois não conseguia comer, teve uma úlcera e tumores que resultaram em corte de parte de seu estômago. De sua experiência na África, onde viveu de 1914 à 1931, escreveu os livros Uma Fazenda Africana  – Out Of África Sombras na Relva – Shadows on the Grass.  Baseado nestes dois romances e em Letters from África  o filme, Entre dois Amores Out Of África é uma das mais belas realizações de Sidney Pollack e certamente um dos filmes mais românticos dos últimos 50 anos. O filme conta a vida de Karen Blixen (Meryl Streep), o amor que ela viveu com Denys Ficnch Hatton (Robert Redford) e seu amor pela África.

Considerado um Cult, constantemente o filme é reeditado e em 2007 a França lançou uma edição especial, com entrevistas e Sidney Pollack contando detalhes da filmagem.

Infelizmente o cinema perdeu este diretor maravilhoso em 26 de maio de 2008, mas, quem assiste Entre dois Amores, vencedor em 1986 de 7 Oscar’s, incluindo  o de melhor filme, fotografia, música, não se esquecerá jamais de sua sensibilidade. 

Outro livro de Karen Blixen que se transformou em um filme de sucesso – ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 1987 – A Festa de Babette é quase uma fábula: ao ganhar na loteria a francesa Babette resolve oferecer um banquete maravilhoso para trazer calor, alegria e cor à triste e cinza vida de uma comunidade na Dinamarca. Karen dizia que “o homem não procura a felicidade, procura o seu destino e o segredo nesta busca é escutar os contos da existência, e saber respondê-los como ator e cúmplice, da maneira mais sublime, graciosa…

Out Of África

O Amante de Marguerite Duras

sábado, fevereiro 6th, 2010

Marguerite Duras uma estudante num vestido de seda, com um chapéu de homem, vive no quente estremo de Saigon entre uma mãe neurótica, um irmão caçula frágil e um irmão mais velho viciado que só procura o mal. Um dia, um rico chinês, com uma limusine preta a aborda. E desta jovem adolescente ele fará uma mulher. Ele vai amá-la loucamente, e trêmulo de amor, estará sempre à mercê de um insulto. Ela o deseja e num quarto de Cholen, eles vivem um amor desesperado de desejo, atrás de persianas fechadas. Tudo os separa e nenhum futuro em comum é destinado a eles. O chinês é condenado a casar-se com uma mulher de sua linhagem, subjugado pelo poder paternal; a jovem sonha se tornar escritora e partir para a França. Das lembranças deste primeiro amor, Marguerite Duras escreveu um livro admirável, conciso (111 páginas), sensível, e de um amargo erotismo. O Amante recebeu o prêmio Goncourt em 1984 e foi levado ao cinema por Jean-Jacques Annaud, grande cineasta francês de outras obras primas (O Nome da Rosa, Sete anos no Tibet, etc.). Do livro, cuja linguagem é especialmente poética, este é o trecho que eu mais amo:

“Anos após a guerra, os casamentos, as crianças, os divórcios, os livros, ele veio a Paris com sua mulher. Ele telefonou para ela. Ela o reconheceu pela voz e disse: sou eu, bom dia. Ele estava intimidado, tinha medo  como antes, sua voz tremeu e, de repente, ela reconheceu o sotaque chinês. Ele sabia que ela tinha começado a escrever livros, soube pela mãe que encontrou em Saigon. E, também pelo irmão caçula, que estava triste por ela. E depois ele não soube mais o que dizer. E então, ele disse. Ele disse que era como antes, que ele ainda a amava, que ele jamais poderia deixar de amá-la, que ele a amaria até a sua morte.”

Se puder leia o livro. Ele é direto e vai envolver você mas, se não puder, assista o DVD de Jean-Jacques Arnnaud, que é ótimo e retrata exatamente a poesia de Marguerite Duras nesta linda história de amor e tudo isto, embalado por uma música e uma fotografia inigualáveis.