CORPORATIVO

Empresa Inteligente

domingo, agosto 29th, 2010

Há muito tempo estamos estudando e analisando o funcionamento de uma escola de samba. No início chamou-nos a atenção a expressão das pessoas, quando assistíamos ao desfile das escolas, pela televisão. O que víamos, então, era uma espécie de êxtase em todas elas, parecendo-nos que algo de extraordinário estava acontecendo dentro delas, não apenas de algumas, mas de todas as 4.000, 5.000 que ali estavam.

Algumas dúvidas então surgiram ao ver o “estado de motivação total e absoluto” existente nas expressões faciais, no envolvimento de todas, no embalo físico, na noção de conjunto que elas passavam, etc. Estas dúvidas foram até alimentadas por pessoas mal informadas que nos diziam que aquilo tudo não passava do uso de “substâncias externas”( tóxicos e bebidas alcoólicas) por parte de todas aquelas pessoas. Até que em determinado momento nos demos conta de que 4.000 ou 5.000 pessoas ao mesmo tempo e no mesmo espaço não poderiam estar agindo daquela forma apenas porque ingeriram (VEJA BEM…todas as 4.000!!!) algo que as transformassem tão significativamente. Era preciso encontrar outra, ou outras explicações, para aquele verdadeiro show de motivação grupal.

A partir desta “descoberta” óbvia, passamos a procurar as causas reais do que assistíamos estarrecidos, pessoalmente ou pela televisão. O que que constatamos é tão óbvio que fica até esquisito e quase que sem sentido registar, pois o único segredo que realmente existe lá é o seguinte:

 “NA ESCOLA DE SAMBA AS PESSOAS FAZEM TUDO O QUE PODEM PELO PRAZER DE FAZEREM PARTE DO TODO, E DE DAR A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O GRUPO. EM TROCA, TODAS SÃO TRATADAS COM DIGNIDADE, TODAS SÃO IGUALMENTE IMPORTANTES, OU TODAS SÃO CAMPEÃS, OU NINGUÉM É CAMPEÃO”.

1. Ninguém diz: “Não é problema meu: não é do meu departamento; não fui eu que fiz; não sou pago pra isso; não é meu mesmo, então que se dane etc.”

2. Todo mundo se sente importante e valorizado. O cidadão que empurra o carro alegórico (a ala da força), e que ninguém vê, sente-se tão importante quanto o presidente da escola, e ninguém será mais campeão do que ele.

3. Todo mundo fala a mesma língua: o samba-enredo. Não há problema de comunicação na realização do trabalho de todo mundo.

4. Lá não há esse negócio de “jogar o problema pra qualquer lado, com tanto que não fique em cima de mim”; ao contrário, o problema de um é o problema de todos e cabe a todos tomarem as iniciativas que se fizerem  necessárias para resolvê-lo.

5. Não se vê a mediocridade de se “derrubar” o outro para poder sobreviver ou fazer carreira. Cada um faz o melhor de si mesmo e isto basta para que cada um se sinta plenamente realizado e satisfeito com o resultado obtido.

6. Não se escuta “eu”, só se fala em “nós”. Não tem este negócio de fazer brilhareco bobo para a platéia. O importante é a escola e não a pessoa, é o todo e não a parte, e se você quiser aparecer demais em detrimento do grupo, ou pondo em risco o resultado da escola, pode ter certeza de que alguém vai chegar bem pertinho de você e, bem baixinho, dentro do seu ouvido, irá colocar as “coisas nos eixos”. Não se grita com ninguém; ao contrário, é falando bem baixinho que conseguimos corrigir os desvios, sem maiores desgastes ambientais. Um verdadeiro show, dado por pessoas que, na sua grande maioria, nunca estiveram numa sala de aulas. Nunca ninguém investiu um centavo sequer no relacionamento interpessoal destas pessoas, mas eles sabem como resolver rápida e competentemente problemas que surgem.

 Extraído do artigo de Eduardo Botelho – A Empresa Inteligente.

A nova entrevista de emprego

quarta-feira, agosto 4th, 2010

A Revista Você S/A, que é uma publicação séria e útil para grande parte de profissionais, acaba de publicar uma reportagem sobre a importância que hoje é dada à pessoa e não mais, somente ao profissional.

Com processos seletivos mais demorados, a análise agora passa também pelo seu comportamento, não só no ambiente de trabalho, mas, especialmente, fora dele.

Portanto, conhecer-se a si mesmo, grande máxima do filósofo Sócrates, é mais do que nunca válida nos dias de hoje porque será sobre você, seus valores e seus comportamentos, que o entrevistador vai falar.

E meu grande amigo, que construiu uma carreira sólida na Omint, o Cícero Barreto, complementa, nesta mesma reportagem, o valor de se preparar para a entrevista procurando conhecer a empresa que vai entrevistá-lo: “o principal erro que um candidato pode cometer é não conhecer a corporação. Nossa cultura, com tanta informação disponível na internet. Isso demonstra preguiça e falta de interesse”.

Ambas são imperdoáveis! E, podem eliminá-lo já na entrevista.

Estar preparado para uma entrevista  é sempre muito importante. Podemos perder nosso emprego a qualquer momento. O importante é ter empregabilidade e isto só nós podemos construir com atualização e melhoria constante dos profissionais que somos.

O grande especialista em carreiras, Max Gehringer há tempos fala, com muita propriedade, na diferença entre emprego e carreira. Segundo ele: “Embora até se confundam, e até pareçam sinônimos, emprego e carreira são duas coisas muito diferentes. Emprego é uma atividade de curto prazo, cujo desfecho é imprevisível. O emprego pode terminar amanhã cedo, por motivos que nada têm a ver com o desempenho do ocupante. A chegada de um novo chefe, uma fusão entre companhias, um programa de redução de despesas, a terceirização de um setor, ou a venda pura e simples da empresa. Qualquer pessoa conhece vários profissionais que perderam o emprego por um desses motivos. Mesmo assim, a maioria continua acreditando que essas coisas só vão acontecer com os outros. Carreira é um processo a longo prazo. É a autogestão da vida profissional. Como qualquer processo de gestão, requer três habilidades básicas – planejar, estabelecer objetivos e tomar decisões corretas na hora certa. Nenhuma dessas habilidades depende da empresa. Todas elas são pessoais e intransferíveis. Em resumo, o emprego é o presente, uma relação transitória de utilidade mútua. A carreira é o futuro, uma questão de saber se preparar para poder escolher”.

Max também orienta, há anos, que não se deve exagerar na entrevista.  Portanto, conheça você mesmo, a empresa que vai entrevistá-lo e por fim: boa sorte!

Sonhar Acordado

quarta-feira, abril 21st, 2010

Se você sempre teve que batalhar para conseguir as coisas, vai se identificar com o menino nascido em Santos que escutando as histórias da família, se projeta num tio  bem sucedido e assim traça um objetivo: ser ele também uma pessoa de quem a família se orgulhe e conte suas histórias de sucesso.

Parte do livro fala de comportamentos e atitudes que podem fazer a diferença nas nossas carreiras, e que, na de Raul, fez. Abrir mão de uma possibilidade mais segura e abandonar a zona de conforto seguindo em frente, com um projeto de estudar na Inglaterra é uma das escolhas que ele fez e convenhamos, abrir mão do que já conseguimos é sempre difícil. Há um sentimento de apego na maior parte das pessoas que as paralisa, amedronta.

Raul dá várias dicas práticas e no capítulo sobre reuniões, adorei descobrir que ele é contra o pacto de procrastinação: alguém finge que faz e outro finge que cobra.

Falando de forma prática ele explica a importância da execução: “faça acontecer, pois não dá para ficar trancado no ar-condicionado”, e enfatiza a necessidade de se insistir na realidade: “É comum, num ambiente competitivo como o de uma empresa, que se tenha ou uma caça às bruxas e um terrorismo que não leva a lugar nenhum, ou então o oposto disso, um fingir que os erros e as fraquezas não estão lá presentes. Uma execução bem feita é baseada na realidade, nas condições atuais da empresa e com o suporte adequado da liderança (para mim sempre foi claro que é preciso ganhar a guerra com o exército que se tem; não adianta ficar sonhando com situações ideais, embora seja preciso lutar para se aproximar delas).

Segundo Rosenthal, sua conquista profissional mais difícil foi, sendo brasileiro, assumir a presidência da American Express Argentina, num momento de total turbulência na empresa e no país.

Além de dicas ótimas para melhorar-se através do autoconhecimento, Raul deixa claro que acredita que “deve-se fazer aquilo que dá prazer e gratifica”. E ainda, que acredita em liderança participativa e intuição.

“A intuição sozinha não basta se você não combiná-la, acredito, com a paixão pela própria vida. Ao combinarmos intuição com paixão, a cada ângulo pelo qual avaliamos nossa vida, ela se apresenta cristalina. Portanto, a intuição combinada com a paixão ajuda a ver, mesmo que por instantes, os conflitos, as alianças e os relacionamentos profissionais em sua transparência absoluta.

É a intuição combinada com a paixão  que nos transforma em buscadores do bem-estar coletivo, e nos permite juntar, numa mesma euforia, conceitos reais e intangíveis como felicidade, verdade e integridade aos produtos e serviços sob nossa responsabilidade.” 

Tive a sorte de conviver, ainda que por um curto espaço de tempo com o autor, mas, ainda que curto, foi tempo suficiente para descobrir que seu livro não é teórico: na vida real, esta que nós todos vivemos, ele é fiel ao que escreve no livro e melhor: age como tal, além de continuar a… Sonhar Acordado.

Aliás, talvez esta seja a única questão no livro que eu não concorde: o título. Sonhos parecem divagações, o inatingível.  Prefiro minha teoria de que o Raul, acordado, estrutura e faz projetos para tornar verdade os seus sonhos.

Para mim esta é a mágica de ser feliz: agir de acordo com nossos pensamentos e viver de acordo com nossos sonhos. 

http://www.raulrosenthal.com.br/wordpress/index.php

Mensagem a Garcia

domingo, janeiro 17th, 2010

Esta insignificância literária, Mensagem a Garcia, escrevi-a uma noite, depois do jantar, em uma hora. Foi em 22 de fevereiro de 1899, aniversário natalício de Washington, e o número de Março da nossa revista ” Philistine” estava prestes a entrar no prelo.  Encontra-me com disposição de escrever, e o artigo brotou espontâneo no meu coração, redigido, como foi, depois de um dia afanoso, durante o qual tinha procurado convencer alguns moradores um tanto renitentes do lugar, que deviam sair do estado comatoso em que se compraziam, esforçando-me por incutir-lhes radioatividade.

A idéia original, entretanto , veio-me de um pequeno argumento ventilado pelo meu filho Bert, ao tomarmos café, quando ele procurou sustentar ter sido Rowan o verdadeiro herói da Guerra de Cuba.  Rowan pôs-se a caminho só e deu conta do recado – levou a mensagem a Garcia. Qual centelha luminosa, a idéia assenhoreou-se de minha mente. É verdade, disse comigo mesmo, o rapaz tem toda a razão, o verdadeiro herói é aquele que dá conta do recado – que leva a mensagem a Garcia.  

Levantei-me da mesa e escrevi “Uma mensagem a Garcia” de uma assentada. Entretanto liguei tão pouca importância a este artigo, que até foi publicado na Revista sem qualquer título. Pouco depois de a edição ter saído do prelo, começaram a afluir pedidos para exemplares adicionais do número de março do “Philistine”: uma dúzia, cinquenta, cem, e quando a American News Company encomendou mais mil exemplares, perguntei a um dos meus empregados qual o artigo que havia levantado o pó cósmico. 

      “Esse de Garcia” – retrucou-me ele.

 No dia seguinte chegou um telegrama de George H. Daniels, da Estrada de Ferro Central de Nova York, dizendo:

 “Indique preço para cem mil exemplares artigo Rowan, sob forma de folheto, com anúncios estrada de ferro no verso. Diga também até quando pode fazer entrega “.

Respondi indicando o preço, e acrescentando que podia entregar os folhetos dali a dois anos. Dispúnhamos de facilidades restritas e cem mil folhetos afiguravam-se um empreendimento de monta.

O resultado foi que autorizei o sr. Daniels a reproduzir o artigo conforme lhe aprouvesse. Ele o fez, em forma de folhetos, e distribuiu-os em tal profusão que, duas a três edições de meio milhão se esgotaram rapidamente. Além disso, o artigo foi reproduzido em mais de duzentas revistas e jornais. Tem sido traduzido, por assim dizer, em todas as línguas faladas.

Aconteceu que, justamente quando o sr. Daniels estava fazendo a distribuição da Mensagem a Garcia, o Príncipe Hilakoff, Diretor das Estradas de Ferro Russas, se encontrava neste país. Era hóspede da Estrada de Ferro Central de Nova York, percorrendo todo o país acompanhando o  sr. Daniels. O príncipe viu o folheto, que o interessou, mais pelo fato de ser o próprio sr. Daniels quem o estava distribuindo em tão grande quantidade, que propriamente por qualquer outro motivo. Seja qual for a razão, quando o príncipe regressou à sua Pátria mandou traduzir o folheto para o russo e entregar um exemplar a cada empregado de estrada de ferro  na Rússia. O breve trecho foi imitado por outros países; da Rússia o artigo passou para a Alemanha, França, Turquia, Hindustão e China. Durante a guerra entre a Rússia e o Japão, foi entregue um exemplar de ” Mensagem à Garcia   a cada soldado russo que se destinava ao front.

Os japoneses, ao encontrarem os livrinhos em poder dos prisioneiros russos, chegaram à conclusão que havia de ser coisa boa, e não tardaram em vertê-lo para o japonês. Por ordem do Mikado foi distribuído um exemplar a cada empregado, civil ou militar, do Governo Japonês.

Assim, mais de quarenta milhões de exemplares de ” Mensagem a Garcia ” têm sido impressos, o que é sem dúvida a maior circulação jamais atingida por qualquer  trabalho literário durante a vida do autor, graças a uma série de circunstâncias felizes.

East Aurora, 1º de dezembro de 1913 / Elbert Hubbard

 

MENSAGEM A GARCIA

Elbert Hubbard

 

Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória, como o planeta Marte no seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o Presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. O que fazer?

Alguém lembrou ao Presidente: “Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan”.

Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para depois de três semanas, surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregando a carta a Garcia – são coisas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente. O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou a carta e nem sequer perguntou: “Onde é que ele está?”

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado, para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O General Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la, realizá-la.

Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal feito parecem ser a regra geral.

Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus Onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.

Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chama a um deles e peça: “Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corrégio”.

Dar-se-à o caso do empregado dizer calmamente : “Sim senhor “e executar o que lhe pediu ?

Nada disso ! Olhar-te-à perplexo e de soslaio fará uma ou mais das seguintes perguntas :” Quem é ele ?; Que enciclopédia?; Fui eu acaso contratado para fazer isso ?; Não quer dizer Bismark ?; E, se fulano o fizesse ? Já morreu ?;  Precisa disso com urgência?; Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer ?; Para  que  quer saber isso ?

E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar Corrégio, e, depois voltará para te dizer que tal homem não existe. Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho de explicar ao teu “ajudante” que Corrégio se escreve com “C” e não com “K “, mas, limitar-se-ás a dizer meigamente, esboçando o melhor sorriso : “Não faz mal; não se incomode “e, dito isto, levantar-te-ás e procurarás tu mesmo.

E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez da vontade, esta atrofia de disposição de solicitadamente se pôr em campo e agir – são as coisas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro. Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado de seu esforço redundar em benefício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam ser refeitos. O que mantém muito empregado em seu posto e o faz trabalhar é o medo de se não o fizer, ser despedido no fim do mês. Anuncia precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar – e, o que é mais, pensam que não é necessário sabê-lo.

Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia ?

“Vê aquele guarda-livros”, dizia-me o chefe de uma grande fábrica.

“Sim, o que tem?”

“É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse fazer um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada. Será possível confiar-se a um tal homem uma carta para entregá-la a Garcia ? ” .

Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados a procura de trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre, entremeado de muitas palavras duras para com os homens que estão no poder.

Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que, no entanto, muitas vezes nada mais fazem que “matar o tempo”, logo que o patrão vira as costas. Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostre incapaz de zelar pelos seus interesses, a fim de substituí-lo por outro mais apto. E este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para  sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores – aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.

Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que ademais se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana que constantemente abriga, de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimí-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, provavelmente retrucaria: “Leve-a você mesmo”.

Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este, não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz, justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de empecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo a sua mera subsistência.

Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como, também tenho sido patrão. Sei, portanto, que alguma coisa se pode dizer de ambos os lados.

Não há excelência na pobreza em si mesma; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.

Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário, esse homem nunca fica “encostado” nem tem que se declarar em greve para forçar um aumento de ordenado.

A civilização busca ansiosa, insistentemente, homens nestas condições.

Tudo que tal homem pedir, lhe será concedido. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou em vendas.

O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: precisa-se, e precisa-se com urgência de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

Homenagem a Rowan: o verdadeiro herói.

Leadership Gold

domingo, dezembro 20th, 2009

John Maxwell – autor de dezenas de Best Sellers, ao completar 60 anos, publica uma espécie de diário de bordo, um livro sobre sua viagem pela essência, teoria e prática de uma das artes mais difíceis de dominar, a liderança.  

Leadership Gold – inclui lições e verdades universalmente aceitas e alguns pensamentos menos comuns que podem servir como um guia para a boa liderança. 

Eis aqui algumas dessas máximas:

– A pessoa mais difícil de liderar é você mesmo.

– A primeira responsabilidade do líder é definir a realidade.

– Não mande seus “patos” à escola para “águias”.

– As pessoas abandonam outras pessoas, não as empresas.

– O segredo de uma boa reunião é a reunião antes da reunião.

– Seja um conector, nunca um escalador.

– A influência deveria ser emprestada, não doada.

– Saiba que para cada coisa que ganha, você renuncia a outra.

– Você só terá respostas às perguntas que fizer.

– Se você se sente só no topo, alguma coisa você não está fazendo direito.  

– As pessoas resumirão sua vida em uma frase: escolha essa frase e faça com que aconteça. 

 

As cinco bolas

terça-feira, outubro 27th, 2009

Brian Dyson  ex-presidente da Coca Cola – Abaixo alguns trechos da Palestra que aconteceu numa conferência em uma universidade americana, onde ele falou sobre a relação entre o trabalho e outros compromissos da vida.

– Imaginem a vida como um jogo, no qual vocês fazem malabarismo com cinco bolas que lançam ao ar.

– Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito.

O trabalho é uma bola de Borracha. Se cair, bate no chão e pula para cima.

As outras quatro bolas são de vidro. Se caírem no chão, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas.

Entendam isso e busquem o equilíbrio na vida.

Como?

Não diminuam seu próprio valor, comparando-se com outras pessoas. Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial.Não fixem seus objetivos com base no que os outros acham importante. Só vocês estão em condições de escolher o que é melhor para vocês próprios.

Dêem valor e respeitem as coisas mais queridas aos seus corações. Apeguem-se a elas como a própria vida. Sem elas a vida carece de sentido.

Não deixem que a vida escorra entre os dedos por viverem no passado ou no futuro. Se viverem um dia de cada vez, viverão todos os dias de suas vidas.

Não desistam quando ainda são capazes de um esforço a mais.

Nada termina até o momento em que se deixa de tentar.

Não temam admitir que não são perfeitos.

Não temam enfrentar riscos. É correndo riscos que aprendemos a ser valentes.

Não excluam o amor de suas vidas dizendo que não se pode encontrá-lo. A melhor forma de receber amor é dá-lo. A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a si próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas.

Não corram tanto pela vida a ponto de esquecerem onde estiveram e para onde vão.

Não tenham medo de aprender. O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.

Não usem imprudentemente o tempo ou as palavras, pois não podemos recuperá-los.

A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada momento.

Cuide mais das bolas de vidro!

 

Daniel Goleman e a Inteligência Emocional

sábado, outubro 10th, 2009

A EMOÇÃO INTELIGENTE 

“No mundo atual, não basta ser inteligente, esperto e preparado para competir. É preciso ter calma e empatia e persistir diante das frustrações para conseguir viver bem no amor, ser feliz com a família e vencer no mercado de trabalho.” 

 Daniel Goleman, psicólogo formado pela Universidade de Harvard

Autor do best-seller – Inteligência Emocional – Porque ela é mais importante do que o QI.

Enquanto o QI (Quociente de Inteligência) compara a capacidade mental do indivíduo com a média dos indivíduos da mesma idade, por meio de testes intrincados, a inteligência emocional não nasceu para ser expressa em quociente. Ela pode, no entanto, ser percebida por meio de habilidades aparentemente triviais.

É dotado de Inteligência Emocional quem é capaz de:

a) Automotivar-se e persistir diante de derrotas e frustrações.

b) Controlar impulsos, adiar a sua satisfação e impedir que o mau humor ou a preocupação se tornem sufocantes a ponto de comprometer a sua capacidade de raciocínio.

c) Não viver obcecado por suas próprias idéias.

d) Ouvir o outro, lidar bem com suas emoções e ver a vida com otimismo.

Pessoas que são emocionalmente adaptadas, que sabem conciliar seus sentimentos com a realidade e conseguem ler as emoções das outras, destacam-se em qualquer aspecto da vida, seja na intimidade das relações afetivas ou da interpretação das regras não escritas que governam o sucesso nas organizações e na vida.

 

O autoconhecimento é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento desse tipo de inteligência.

Conheça os 3 tipos mais comuns de personalidades:

 

1) O tipo DERROTISTA- representa as pessoas que se afogam em suas próprias emoções, deixando-se comandar por elas. São os indivíduos cujo temperamento é chamado mercurial – vivem rompantes emocionais que variam entre a euforia e a raiva exagerada, o mau humor e a depressão.

2) O RESIGNADO – corresponde aos pessimistas, que até percebem o que sentem, mas, em vez de mudar, preferem aceitar a vida como ela é. Existem 2 tipos de pessoas nesta categoria: as que  fingem “estar sempre bem” como estão e mostram pouca motivação para rever qualquer coisa em suas vidas e as que estão sempre mal, mas nada fazem para livrar-se do mau humor, apesar do desgaste que ele traz.

3) O CONSCIENTE – correspondem os temperamentos guiados pela Inteligência Emocional. “São indivíduos autônomos, conhecedores de suas limitações e qualidades, saudáveis psiquicamente, que tendem a ver a vida com otimismo. Eles não agem por impulso, são capazes de adiar a satisfação de seus desejos, de dar duro e de persistir, se for o caso, para atingir seus objetivos.

“Para desenvolver a Inteligência Emocional é preciso partir do princípio de que somos limitados. É necessário tolerar fracassos e ter confiança na possibilidade de sucesso e sobretudo, persistir naquilo que prova certo para nós”.

É preciso trabalhar o autoconhecimento. Reconhecer nossas falhas e encontrar meios para supera-las.

 

Checagem das emoções venenosas:

 

Goleman acredita que é importante manter sob constante checagem e controle as emoções negativas que nos afetam, como a raiva, a ansiedade ou a preocupação excessiva, e cultivar as emoções positivas, como o otimismo, a empatia e a calma.

 

  RAIVA – é a mais intransigente, entre as emoções negativas. Porque é a que mais seduz e a mais difícil de ser evitada. “O raivoso desenvolve um monólogo interior de certezas que recheiam sua mente com milhares de argumentos convincentes, os quais alimentam a raiva. Diferente da tristeza, a raiva energiza e até fortalece a pessoa. Daí a imagem, no senso comum, de que ela é incontrolável e de que, só ao expressa-la, seremos capazes de recuperar a calma.

Expressar a raiva, de vez em quanto e em sua justa medida é saudável. O que não se pode é torna-la crônica. Quando a hostilidade é constante a ponto de caracterizar um estilo de personalidade, marcada por sentimentos de cinismo e descrença e pela propensão a comentários irônicos e insultuosos, é porque a raiva está contaminando o comportamento.

 

√ PREOCUPAÇÃO – como parte de uma reflexão é construtiva  e serve como um ensaio para a prevenção de situações perigosas e portanto, nesta medida é positiva e necessária. Mas, quando ela não nos abandona e nos leva a remoer um problema sem nunca chegar perto de uma solução, passa a ser danosa à inteligência emocional. Quando persiste, pode levar a desordens de ansiedade, fobias, obsessões e compulsões ou até mesmo a ataques de pânico.

Os insones são preocupados crônicos, por exemplo. O que os mantém em vigília, apesar do sono que possam ter, são pensamentos invasores. E novas soluções, idéias ou maneiras de ver um problema não costumam germinar no solo árido das preocupações. Daí a dificuldade que os preocupados têm em resolver o que quer que seja e sua tradicional tendência de ficar ruminando sobre os problemas em si mesmos.  Os preocupados se preocupam com ampla gama de coisas, a maioria das quais tem probabilidades quase nula de acontecer.

 

√ ANSIEDADE – A ansiedade extrema é prejudicial à inteligência. O ansioso age por impulso e não costuma ser tolerante às frustrações.

 

RESISTIR A UM IMPULSO MANTENDO A CALMA

O que diferencia as pessoas que chegam no topo das que ficam na média, quando elas têm as mesmas habilidades?  É a capacidade de resistir a uma rotina de treinamento árdua durante anos a fio, com calma, otimismo e esperança.  Não existe experiência psicológica mais importante do que resistir a um impulso de raiva, mantendo a calma.  Ela é a raiz do autoconhecimento e do contato apropriado com as emoções, uma vez que qualquer emoção leva ao impulso de agir.

Ao lado da calma, o otimismo, a sensação de que a vida vai dar certo, independentemente das derrotas e frustrações, é o grande motivador da Inteligência Emocional.

As pessoas otimistas atribuem o fracasso a fatores internos e externos que podem ser mudados, o que as leva a acreditar que tudo dará certo da próxima vez.

As pessimistas culpam a si pelos fracassos e o associam a características ou falhas pessoais que consideram impossíveis de reverter, com isto não saem do mesmo lugar.

Extraído do livro – Inteligência Emocional de autoria de Daniel Goleman 

Equipes e gansos selvagens

sexta-feira, outubro 9th, 2009

É uma recompensa
um desafio e um privilégio
ser membro
da maior e mais importante equipe do Universo
A HUMANIDADE

Quando os gansos selvagens voam em formação “V”
Eles o fazem a uma velocidade 70% maior do que se estivessem sozinhos.
Eles trabalham em Equipe.
Quando o ganso que estiver no ápice do “V” se cansa
ele passa para trás da formação e outro se adianta para assumir a ponta.
Eles partilham a Liderança.
Quando algum ganso diminui a velocidade
os que vão atrás grasnam encorajando os que estão à frente
Eles são Amigos.
Quando um deles, por doença ou fraqueza, sai de formação
um outro, no mínimo, se junta a ele, passando a ajudá-lo e protegê-lo.
Eles são Solidários.

Sendo parte de uma equipe
nós podemos produzir muito mais e mais rapidamente.
A qualquer instante também
podemos estar sendo indicados para liderar o grupo.
Palavras de encorajamento e apoio inspiram
e energizam aqueles que estão na linha de frente,
ajudando-os a se manter no comando
mesmo com as pressões e o cansaço do dia-a-dia.
E, finalmente
mostrar compaixão e carinho afetivo por nossos semelhantes
é uma virtude que devemos cultivar em nossos corações.
Da próxima vez, ao ver uma formação de gansos voando,
lembre-se:

 

Competitividade

sexta-feira, outubro 2nd, 2009

“Todos os dias um leão desperta na África e sabe que terá que correr mais rápido que a gazela para não morrer de fome. E todos os dias uma gazela desperta e sabe que terá que correr mais rápido que os leões para não ser morta. Não interessa se você é leão ou gazela, quando acordar é melhor que comece a correr”. Anônimo