DIVERSOS

Me chame pelo seu nome

domingo, Março 18th, 2018

A Itália é parte da história. E a Itália é sempre inebriante e torna tudo possível.
A história desse primeiro amor de um adolescente de 17 anos e um homem refinado é bem plausível, especialmente no cenário em que ela é contada. O verão é o de 1983 e Oliver (Armie Hammer) um estudante americano, vem estudar esse período com o pai de Elio (Timothée Chalamet), na vila que a família possui em uma parte da Lombardia.

Aos poucos uma grande intimidade e sinergia vai se criando entre os dois, que passeiam pela cidadezinha de bicicleta, nadam em rios e piscinas, e assim, a cada dia se aproximam mais um do outro. Até que o inevitável acontece e Elio que estava vivendo sua primeira experiência sexual com uma amiga da família, se desinteressa totalmente dela e se apaixona por Olivier, que aliás, parece um Apolo grego.

Os pais de Elio, especialmente o pai (o excelente Michael Stuhlbarg) de certa forma incentivam a relação porque são românticos, abertos e extremamente imaginativos. Ambos demonstram em todo o filme, amor à literatura, à música e às artes.

O roteiro acaba de dar o Oscar a James Ivory, um mostro sagrado do cinema, responsável por diversos outros ótimos roteiros, especialmente Vestígios do Dia. O filme também foi indicado na categoria de Melhor Filme e melhor ator para Timothée Chalamet.

Me Chame pelo seu nome, tem produção do brasileiro Rodrigo Teixeira e se tornou figurinha carimbada nos festivais de 2017, especialmente no de Sundance. Vale a pena conferir, especialmente porque correm rumores que haverá um segundo filme, contando mais dessa história de amor.

Trama Fantasma

domingo, Março 11th, 2018

Trama Fantasma – Phantom Thread enche os olhos. Figurinos lindos (aliás, ganhou o Oscar de melhor figurino merecidamente). Escrito pelo diretor Paul Thomas Anderson e o protagonista do filme – Daniel Day Lewis, o filme não trata um costureiro específico (embora digam que se inspirou em Balenciaga – o estilista espanhol que vestiu a família real e a aristocracia espanhola – nos idos de 1936)

A história se passa em Londres nos anos de 1950 e retrata Reynolds Woodcock (Daniel Day Lewis), um estilista cheio de manias, que não suporta barulho no café da manhã, nem o das xícaras tocando os pires ou da espátula passando manteiga nas torradas. Pela manhã ele se inspira e é então que o dia se define como bom ou não.Perseguido pela imagem da mãe, que era costureira, Woodcock vive e trabalha com a irmã (Lesley Manville – indicada ao Oscar de melhor coadjuvante), que o ajuda a descartar as musas que ele coleciona de tempos em tempos.

Ao viajar para o campo, buscando uma tranquilidade que não está conseguindo atingir, o estilista conhece a garçonete Alma e faz dela sua nova musa e amante. Alma se muda para a casa e atelier dos irmãos e daí para frente a história alcança outras nuances, repletas de ciúmes, de amor doentio e de desespero.

O diretor Paul Thomas Anderson reconhecido por organizar cada plano de filmagem com perfeição é páreo duro para o ator Daniel Day Lewis, reconhecido por seu perfeccionismo. Ambos dão o melhor de si e foram indicados, respectivamente, ao Oscar de melhor Diretor e melhor ator por esse filme. Daniel Day Lewis já coleciona três Oscar: Meu Pé Esquerdo, Sangue Negro e Lincoln. E ele não é menos que ótimo em qualquer filme que atue. Aliás, ele aprendeu a cortar e costurar e confeccionou a cópia de um terno do espanhol Balenciaga. Inacreditável!

Para tristeza de incontáveis fãs, esse maravilhoso ator, que atua com total dedicação e imersão, anunciou que esse será seu último filme. Uma verdadeira tristeza.

Além das inúmeras qualidades do filme, preste atenção na trilha sonora que é linda e claro, só pela atuação de Daniel Day Lewis já valeria a pena assistir!

Honfleur um charme na Normandia

sexta-feira, Fevereiro 2nd, 2018

Honfleur 1

Essa cidadezinha especial da França, situada na Normandia, distante duas horas de Paris, existe desde o século XI. O porto se tonou passagem obrigatória para as mercadorias vindas de Rouen que se destinavam à Inglaterra.

Honfleur le port

É um charme de cidade, marcada pelo fim do Rio Sena e o começo do Oceano.  Durante a Guerra de Cem anos, Honfleur ficou nas mãos dos ingleses por trinta e dois anos, o que explica algumas influências locais.

As pequenas ruas são muito interessantes, parecendo labirintos e esta é a rua e fachada da prisão.

Honfleur rue de la prision

A cidade foi berço de muitos pintores, dentre ele um dos maiores pintores Impressionistas, mais conhecido por ter sido o professor de Claude Monet – Eugène Boudin.

Eugene Bodin Honfleur

O ideal é andar pela cidade com calma, tomar um aperitivo local – o Calvados – e depois almoçar olhando o porto. Não vá embora antes do por do sol. A cidade se ilumina aos poucos e é um espetáculo lindo e inesquecível.

Honfleur Calvados

 

Honfleur_le bateau

HONFLEUR-VIEUX-BASSIN-NUIT

Toda luz que não podemos ver

quarta-feira, setembro 27th, 2017

A Segunda Guerra parece ser um tema inesgotável. De tempos em tempos um romance se destaca e nos envolve, trazendo a nossos dias, o que parece ser tão remoto e cada dia mais irreal.

“Toda Luz que não podemos ver” reconstrói com detalhes aquele período. Marie-Laure é uma garota francesa, órfã de mãe que vive com seu pai que é chaveiro do Museu de História Natural de Paris. Aos seis anos ela fica cega e o pai, em busca da autonomia da filha, constrói uma maquete em miniatura do bairro onde eles vivem. Com isso Marie-Laure pode andar com uma bengala com a maior desenvoltura. Mas, chega a guerra e com ela a ocupação nazista. Eles fogem para uma cidade do interior, Saint-Malo, onde mora um tio avó da menina. Com eles, o pai leva aquilo talvez seja o maior tesouro do Museu Natural de Paris.

Em uma região de minas de carvão da Alemanha, Werner vive com a irmã mais nova em um orfanato. Todas as noites eles ouvem um programa de rádio, em francês e mesmo sem entender, Werner se apaixona pela magia do rádio. Um dia encontra um aparelho quebrado no lixo. Ele o conserta e a partir daí começa a consertar os aparelhos de todos que o procuram, aliando a seu talento uma prática enorme, que lhe garante uma vaga em uma escola nazista. Com o avanço da guerra ele é designado para uma missão difícil: tentar identificar de onde vêm as transmissões da Resistência Francesa em… Saint Malo.

O ano é 1944, próximo do final da guerra. Os Estados Unidos estão arquitetando o bombardeio que vai terminar a guerra. Falsas pistas são espalhadas, as transmissões de rádio são cada vez mais importantes e com o pai preso, a menina cega que conhece a casa do tio avó de memória, se esconde embaixo da cama, no andar de cima. No porão, Werner, o garoto nazista se esconde buscando o sinal de transmissão da Resistência.

O escritor Anthony Doerr foge do maniqueísmo. Não conseguimos deixar de gostar, pelo menos um pouco, de Werner por conta de sua vida em um contexto tão trágico.

O livro foi lançado em 2014 em 2015 ganhou o Pulitzer de Melhor Ficção, além de muitos outros prêmios. É um livro delicado, envolvente, que prende sua atenção do começo ao fim. Vale ler!!!!

Auto estima não é vaidade

segunda-feira, Abril 17th, 2017

 

Costumamos usar uma série de palavras com o intuito de descrever certas sensações de bem-estar e de prazer que buscamos insistentemente. Falamos em auto-estima, orgulho, amor-próprio, honra e vaidade sem nos darmos conta de que nem sempre correspondem ao mesmo processo íntimo. 
A auto-estima corresponde a uma sensação íntima de bem-estar relacionada com termos sido capazes de executar alguma tarefa à qual nos propusemos. Por exemplo, se decidirmos que iremos acordar todo dia às 6h para fazer uma hora de ginástica e, de fato, assim procedermos, o resultado será uma enorme satisfação interior. O mesmo vale para quem se propõe a estudar alguma coisa, perder peso, etc. O assunto é irrelevante. O que conta é a pessoa determinar para si uma tarefa e conseguir realiza-la.

Auto-estima tem a ver consigo mesmo. É estar feliz com o próprio desempenho.

A vaidade é totalmente diferente depende de observadores externos, pessoas que nos aplaudam e nos admirem. A gratificação da vaidade depende de sermos capazes de nos destacar.

A partir da adolescência, esse ingrediente da nossa sexualidade se tona muito importante. Se, durante a infância, queremos ser iguais aos nossos amiguinhos, a partir da puberdade, desejamos ser especiais e únicos para atrair os olhares que excitam.

Um rapaz, por exemplo, poderá ganhar um carro muito bonito e menos comum. Isso despertará olhares de admiração por parte das moças, além da inveja dos rapazes – o que sempre tem a ver com admiração. A vaidade do rapaz poderá se satisfazer muito com esses olhares e ele irá se sentir especial e importante dirigindo aquele carro. A vaidade estará gratificada e a auto-estima rebaixada, uma vez que intimamente ele sabe que os méritos não podem ser creditados a si mesmo e sim ao carro ou ao pai, que com seu esforço o comprou.

É evidente que existem condições nas quais a auto-estima e a vaidade caminham na mesma direção. Se eu escrevo este artigo e fico satisfeito com ele, minha auto-estima cresce. Ao ser publicado, se os leitores o aplaudirem, isso fará muito bem à minha vaidade. Nesse caso, o reconhecimento externo aumenta ainda mais a minha auto-estima. Porém, se não gostar do que escrevi, não haverá aplauso no mundo que irá me fazer bem de verdade.

A vaidade faz parte do nosso arsenal instintivo, de modo que jamais irá desaparecer de nossa psicologia. Não tenho nada contra este tipo de prazer, desde que as pessoas não se iludam e lhe atribuam uma importância indevida. O que interessa mesmo é a auto-estima, que depende de uma avaliação interna, na qual nós mesmos nos sentimos satisfeitos com nosso comportamento.

Vaidade depende apenas do mundo das aparências, ao passo que a auto-estima depende da nossa essência. E aqui não existe a possibilidade de engano, pois podemos iludir os outros, mas não a nós mesmos.

* Dr. Flávio Gikovate era médico psiquiatra, diretor do Instituto dePsicoterapia de São Paulo, autor de diversos livros, entre eles: Homem, o sexo frágil? Sexo e Amor para Jovens e Uma nova visão do Amor.

Wallander – ótima série na NetFlix

terça-feira, novembro 15th, 2016

Wallander - Poster inicio

Wallander é uma série britânica premiadíssima. Ganhou BAFTA de 2009 entre outros outros tantos prêmios ao longo do lançamento de suas temporadas, incluindo melhor série dramática da Academy Television Awards de 2015. 

O drama gira em torno do detetive Kurt Wallander, vivido pelo excepcional ator e diretor de cinema e teatro, Kenneth Branagh.

Kenneth Branath

A produção é impecável. Afinal é da BBC de Londres! Baseia-se nos romances de Henning Mankel que venderam mais de 25 milhões de livros.

Henning Mankell_Wallander

Cada episódio é autônomo e prende a atenção do início ao fim. São cenas chocantes, assassinatos quase perfeitos que desafiam o detetive e sua pequena equipe.Wallander_campo de colza

Wallander II

Repare na beleza dos locais, especialmente a pequena cidade portuária sueca, Ystad onde grande parte dos episódios foram filmados.

Wallander_cidadezinha

O mote são as investigações, mas, muitas histórias humanas se desenrolam em especial envolvendo a filha de Wallander e seu pai, um pintor estranho, que pinta sempre as mesmas paisagens e que está começando a sofrer de Alzheimer.

Wallander_parceiro

Wallander pai

A série já acabou e suas quatro temporadas estão no Netflix. Vale muito a pena assistir!

 

Mr. Selfridge

terça-feira, Abril 19th, 2016

Mr_Selfridge_bunner

Como várias séries (Netflix), Mr. Selfridge nos faz ter vontade de assistir todas as temporadas de uma vez! Felizmente já está na quarta temporada. A série de grande sucesso,  se passa em Londres, contando a saga do visionário americano Harry Gordon Selfridge (Jeremy Piven) que em 1909 inaugurou a primeira loja de departamentos que se tem registro em Londres.

Mr Selfridge Agnes inauguracao loja

Selfridge vitrine

Mr Selfridge vitrine natal

Além do arrojo da loja em si ele escolheu um local quase obscuro na época, numa extremidade da Oxford Street. Suas vitrines eram o ponto alto e ele vendeu de tudo ao longo da vida.Mr.Selfridge prestigio aviadores

Muitos tentaram desencorajá-lo justificando que as pessoas não comprariam roupas em lojas, pois sempre chamaram os alfaiates, as costureiras. De um começo quase fadado ao fracasso, Mr. Selfridge alcançou um sucesso enorme, sempre buscando os holofotes. Acima de tudo ele acreditava na publicidade. Sabia que a divulgação gerava a curiosidade e sabia também que oferecendo o que havia de melhor, com atendimento de primeira, o sucesso era garantido. Ele estava certo: o sucesso foi enorme e o transformou em um milionário.  Ficou tão rico que alugou, como casa de campo, um luxuoso castelo para a família, o Castelo Highcliffe em Christchurch em Hampshire, além da fabulosa Lansdowne para a residência na cidade.Mr. Selfridge Highcliffe-Castle

Nascido em Ripon Wisconsin nos Estados Unidos, ele deixou a escola com 14 anos e passou a entregar jornais para ajudar a mãe a criar os outros dois irmãos, já que o pai não voltou da Guerra Civil, abandonando por outra, a esposa e os filhos.

Mr Selfridge real

Harry Selfridge é verdadeira encarnação do homem que se fez sozinho e alcança o sucesso. Depois trabalhou em um banco e finalmente em uma loja em Chicago, onde ficou por 25 anos. Ele se casou com Rose Buckingham de uma família importante da cidade. Apesar de seu amor pela esposa ele teve notórios casos que em parte foram responsáveis por sua ruína ao final da vida.

Mr_Selfridge__Rose

Mr-Selfridge_amante

Mas, a série conta a história de sucesso desse visionário e de alguns personagens que envolventes que vão nos encantar. Como Agnes (Aisling Loftus) e o francês Henri que são responsáveis pelas maravilhosas vitrines e acabam se apaixonando.

Mr Selfridge Agnes et Laclair 1

Henri e Agnes Guerra

A Selfridge & Co tem cinco andares amplos, com um jardim na cobertura além de um restaurante refinado e muito frequentado. Isso também foi uma inovação porque a partir dessa criação, as mulheres podiam comprar suas roupas, cosméticos, acessórios e calmamente tomar um chá com as amigas ou almoçar com elas. Uma verdadeira emancipação para a época! Ainda hoje existem bares e restaurantes na loja Selfridge. E são lindos!

Restaurante Chalet Selfridge

Como um painel do início do Século XX, a série vai passar pela Primeira Guerra e seus impactos, contando também o início da criação dos Sindicatos e notadamente o empenho com que Harry Selfridge vai apoiar a emancipação das mulheres que, aliás, ele emprega maciçamente em sua loja.

Mr Selfridge e as mulheres na loja

Mr Selfriedge terceira temporada

Se você gosta de histórias baseadas em fatos reais, ambientação de época e  figurino maravilhoso, boas interpretações e um ritmo delicioso, assista! E depois vamos precisar ir até Londres para conferir porque a loja Selfridge existe até hoje e é uma referência na cidade!

Selfridge ATUAL

 

A Garota Dinamarquesa

quinta-feira, Março 24th, 2016

A Garota Dinamarquesa_poster

O filme conta de maneira delicada a história real do conceituado pintor dinamarquês Einar Wegener, casado, que na década de 20 descobre que no seu íntimo ele é uma mulher. Contando assim parece simples, mas, claro, não é. O “descobrir” acontece quase por acaso. Sua esposa, a também pintora Gerda (Alicia Vikander – ótima no papel) pede a ele para usar meias de bailarina para um quadro que ela está pintando cuja dançarina vive atrasando.

Assim começa a descoberta ou a redescoberta de Einar Weneger, que começa a compor a sua Lili que aos poucos aniquila Einar, se tornando Lili Elbe.A garota Dinamarquesa_Gerda e LiliA transformação vai além de figurinos e maquiagem e é magistralmente interpretada por Eddie Redmayne, o ator que o ano passado levou o Oscar por A Teoria de tudo. Eu o vi em Os Pilares da Terra e já percebi que ele chegaria longe. Chegou! Acho que ficará por muito tempo ainda nesse time de sucesso que brilha em Hollywood, mas, esse ano o Oscar deve ir (merecidamente) para Di Caprio.A garota dinamarquesa_Lili Elbe

O importante é que o filme relata essa história real, daquele que foi provavelmente o primeiro homem a realizar uma cirurgia para mudança de sexo e até hoje é um mito, uma inspiração para muitos transgêneros.

Com música linda de Alexandre Desplat e fotografia impecável, direção de Tom Hopper o filme emociona, enternece e é narrado de maneira sensível e suave. Vale a pena assistir!

O Regresso – o ano de DiCaprio

terça-feira, Março 22nd, 2016

Di Caprio BunnerIncrivelmente não foi com seu diretor mentor, Martin Scorsese que Leonardo DiCaprio talvez (certeza!) ganhe seu primeiro Oscar, após cinco indicações.Di Caprio Close sangueEsse é o filme em que ele menos fala, mas, suas expressões, o olhar e toda a filmagem, de extrema dureza física, fazem com que mereça sim o Oscar. Se ele não ganhar será uma injustiça imensa e prova de que a Academia é mesmo racista, além de praticamente não indicar negros, não dá o Oscar a atores bonitos! Mesmo que eles sejam competentes.Di Caprio regresso 4O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu realizou um belo filme e o melhor, soube escolher o Diretor de fotografia. Ela é sublime e é personagem também.  O branco da neve parece ter luz própria. Trata-se de Emmanuel Lubezki que foi diretor de Birdman e fez parcerias com Terrence Malick, mais recentemente em A Árvore da Vida.O Regresso Di Caprio_neveApesar de ser considerado longo (156 minutos) o tempo corre e o drama é mesmo um filmaço. É um filme emocionante e saber que se baseia em uma história real é mais surpreendente ainda. Hugh Glass (DiCaprio) é uma espécie de guia para americanos que em 1820 caçam animais (peles) em uma região inóspita, montanhosa,  gelada e cheia de  índios violentos.

O clima do grupo já estava bem quente e cheio de animosidade porque Hugh tinha dado a orientação de esconderem as peles e se salvarem, o que carregando as peles seria impossível. Durante a retirada deles, fugindo dos índios, uma ursa ataca Hugh Glass e ele fica muito ferido. Com essa trama já daria um drama e tanto, mas, o pior ainda está por vir.

Di Caprio_caindaO importante é que Glass vai conseguir fazer “O Regresso” e essa volta será carregada de vingança, em especial contra um dos caçadores, Fitzgerald, vivido por um ótimo Tom Hardy.

O Regresso Tom HardyVeja que o filme não é só Di Caprio. Ele é sem dúvida um destaque e a alma do filme, mas, o todo vale muito a pena e assistir no cinema é especial. Aliás, esse filme tem que ser visto no cinema. Saia já à procura do que estiver mais perto. Você não vai se arrepender!

Giotto – Pádua e o Mundo

segunda-feira, Março 21st, 2016

 

Giotto Catedral Assisi

Assisis_Basilica_superiore-3

Giotto foi um inovador. Nasceu em Colle Vespugnano em 1266 e morreu em Florença em 1337. Viveu num tempo em que inovações não eram muito bem vindas. Ele é o precursor do Renascentismo, um elo que introduziu a perspectiva na pintura, transformando ainda os santos tão irreais em seres humanos, seres de aparência comum.

Giotto_Legenda de S Fco 4-2

Giorgio Vasari, o grande historiador da Renascença conta que Giotto começou a desenhar ainda menino e com 12 anos, enquanto cuidada das ovelhas, fazia muitos desenhos nas rochas. O maravilhoso Cimabue, um dos maiores pintores da Toscana viu seus desenhos e pediu a seu pai para levar Giotto como aprendiz. Conta a lenda que Giotto pintou uma mosca no nariz de uma figura com tanta habilidade que o mestre afugentou o inseto várias vezes, antes de perceber que se tratava de uma pintura.

Em 1280 Giotto acompanhou Cimabue a Roma, até uma escola de afrescos. O pintor Arnolfo di Cambio, que estava em Roma, foi fonte de inspiração para os afrescos de Giotto.

Giotto_legenda de S Fco 1-2

Algumas de suas obras com volume e quase tridimensionais marcaram vários séculos, por toda a Europa.

Giotto_legenda de S Fco 2-2

Não é provado mas diversos especialistas dão como certo que Giotto se encaminhou para Assisi quando saiu de Roma e lá realizou os maravilhosos afrescos da Basília de São Francisco de Assis. Visitei essa Basília 2 vezes. Depois fui a Pádova (Pádua) e não acho que possa haver dúvidas. Os afrescos são de Giotto. Seu azul e seu traço são inconfundíveis.

Giotto Azul_original

Em Assisi o altar com a saga de São Francisco de Assis é comovente, mas em Pádua na Capela Scovegni sua pintura é mais madura, já é mais forte, mais poderosa, mas, em ambas, o traço é de um mestre.

Capela Scrovegni

Nesses afrescos Giotto quebrou todas as tradições de cenas medievais. A cena da morte de Cristo é até hoje motivo de admiração. Admiração que levou Michelangelo a se inspirar nessa obra para a pintura da Capela Sistina.

Giotto Padova visao igreja (2)

Giotto Scrovegni_Padova

Na porção da parede dominada pelo Julgamento Final, um dos mais famosos é a Adoração dos Magos, onde aparece uma estrela de Belém semelhante a um cometa. Teria sido a visão em 1301 do Cometa Halley no céu italiano que teria influenciado Giotto ao criar sua estrela.

Giotto Julgamento Final_Padova

Naquela época o registro da vida e da obra dos pintores não era comum mas, seguindo os traços de Giotto, os historiadores determinam que em 1287, aos 20 anos, Giotto se casou e foi para Roma depois para Assisi e Pádua, após o que seguiu para Rimini, onde um Crucifixo no Templo Maltestiano confirma sua presença no local.

Giotto_Cristoretirado da cruz

Giotto_di_Bondone_Scrovegni

Depois de Rimini, Giotto deve ter ido a Nápoles onde ficou até 1333 e realizou diversos afrescos, sem que contudo seja possível precisar sua autoria, exceto a Multiplicação dos pães e peixes que existe em uma sala do Convento de Santa Clara.

Em Nápoles, ele retornou a Florença e lá foi contratado como arquiteto, dessa vez, responsável pela construção da Catedral de Florença – Duomo – uma verdadeira obra de arte. Ele é que cuidava pessoalmente do canteiro de obras, em especial do Campanário, que popularmente se chama “Campanário de Giotto”. Com 84 metros de altura, decorado em mármore coloridas, em especial rosa, com baixos relevos de estátuas, com incrustações de mármore. É uma das mais belas obras de detalhes de todo o período gótico italiano. Infelizmente ele morreu sem ver o fim dessa maravilha, que hoje, junto com a Duomo é um dos principais pontos turísticos de Florença.

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Como retribuição, Florença rendeu uma justa homenagem a Giotto. Quando ele morreu (8 de janeiro de 1337) seu enterro foi realizado com grande pompa e ele foi enterrado na Duomo, a sua amada Catedral.

Duomo lateral

Dele, Boccace escreveu em seu famoso livro Decameron:

“Ele possuía um gênio poderoso, que a natureza, mãe e criadora de todas as coisas, não produzia nada sob as eternas evoluções celestes, como ele foi capaz de reproduzir com sua pena ou seu pincel: reprodução perfeita que, para os olhos, não era mais que uma cópia, mas o modelo ele mesmo. Muito frequentemente suas obras enganaram o senso visual e tornaram realidade o que era uma pintura”.

Se puder, visite os lugares que Giotto pintou, seu Campanário, a Duomo e confira: alguém algum dia pintou um azul assim?