Toda luz que não podemos ver

A Segunda Guerra parece ser um tema inesgotável. De tempos em tempos um romance se destaca e nos envolve, trazendo a nossos dias, o que parece ser tão remoto e cada dia mais irreal.

“Toda Luz que não podemos ver” reconstrói com detalhes aquele período. Marie-Laure é uma garota francesa, órfã de mãe que vive com seu pai que é chaveiro do Museu de História Natural de Paris. Aos seis anos ela fica cega e o pai, em busca da autonomia da filha, constrói uma maquete em miniatura do bairro onde eles vivem. Com isso Marie-Laure pode andar com uma bengala com a maior desenvoltura. Mas, chega a guerra e com ela a ocupação nazista. Eles fogem para uma cidade do interior, Saint-Malo, onde mora um tio avó da menina. Com eles, o pai leva aquilo talvez seja o maior tesouro do Museu Natural de Paris.

Em uma região de minas de carvão da Alemanha, Werner vive com a irmã mais nova em um orfanato. Todas as noites eles ouvem um programa de rádio, em francês e mesmo sem entender, Werner se apaixona pela magia do rádio. Um dia encontra um aparelho quebrado no lixo. Ele o conserta e a partir daí começa a consertar os aparelhos de todos que o procuram, aliando a seu talento uma prática enorme, que lhe garante uma vaga em uma escola nazista. Com o avanço da guerra ele é designado para uma missão difícil: tentar identificar de onde vêm as transmissões da Resistência Francesa em… Saint Malo.

O ano é 1944, próximo do final da guerra. Os Estados Unidos estão arquitetando o bombardeio que vai terminar a guerra. Falsas pistas são espalhadas, as transmissões de rádio são cada vez mais importantes e com o pai preso, a menina cega que conhece a casa do tio avó de memória, se esconde embaixo da cama, no andar de cima. No porão, Werner, o garoto nazista se esconde buscando o sinal de transmissão da Resistência.

O escritor Anthony Doerr foge do maniqueísmo. Não conseguimos deixar de gostar, pelo menos um pouco, de Werner por conta de sua vida em um contexto tão trágico.

O livro foi lançado em 2014 em 2015 ganhou o Pulitzer de Melhor Ficção, além de muitos outros prêmios. É um livro delicado, envolvente, que prende sua atenção do começo ao fim. Vale ler!!!!

Colômbia – uma feliz surpresa

Esqueça todo aquele medo que dá quando ouvimos falar da Colômbia. Esqueça o narcotráfico e as Farcs, especialmente se você for para Bogotá e arredores.  Em Bogotá você vai encontrar muita polícia na rua e também seguranças privados,  por toda parte. Você acaba se sentindo mais tranquilo que em São Paulo!

A arquitetura é “organizada”. A maior parte dos prédios não ultrapassa dez andares, são de tijolinhos e quando um é mais moderno, não chega a chocar, ao contrário, se harmoniza.

A Candelária (bairro mais antigo) e o Centro histórico, abrigam igrejas de uma beleza interior estupenda: ouro e madeiras tão trabalhadas que surpreendem. As fachadas são sempre muito diferentes.

O teatro Cólon foi declarado patrimônio histórico e uma das maravilhas da Colômbia. Com toda razão!

Ainda no centro, visite o lindo e organizado Museo Del Oro. Mantido por um banco, cobra um ingresso simbólico e vale cada minuto da visita. Recursos audio visuais contam a história da nação, as formações geológicas, o ouro usado como oferenda pelas tribos indígenas e como elas foram a base da população da Colômbia. Uma justa homenagem de rara beleza.

 

Aproveite que os taxis são baratos (muito!) e encontre alguém simpático, normalmente  indicado pelo seu hotel. Nós encontramos o sr. Jorge, um colombiano falante, com muito conhecimento da história e hábitos de sua cidade, além de muito, muito honesto. Com ele fizemos uma viagem maravilhosa, até Zipaquirá e Villa de Leyva. Olhem como ele tem jeito de bonzinho!

Na cidade de Zipaquirá se encontra a primeira maravilha da Colômbia: a Catedral de sal. No mundo, além desta só existe uma outra, na Polônia. A energia é inacreditável e apesar dos 180 metros abaixo da terra, a ventilação é natural e a formação do sal nas paredes, surpreendente. O que também chamou a atenção foram os grupos de estudantes  que desde cedo já visitam os monumentos da cidade.

Ao longo do caminho, as cruzes vão contando a via crucis de Jesus, até culminar no altar.

 

Os indígenas são muito homenageados e lembrados como o início da nação.

A Plaza del Minero, na entrada na Mina de sal também é muito bonita.

Outra atração imperdível é o Cerro Monserrate. Com 3.131 metros de altura, tem uma vista deslumbrante. A subida pode ser com a funicular ou pelo teleférico, que é novinho!

Além da beleza natural, é muito importante destacar o santuário, a igreja, a via crucis de Jesus e a união espiritual que os Colombianos têm com Deus. A Virgem Maria é homenageada em muitas igrejas e neste santuário, a peregrinação é para venerar, além do Cristo caído, a Virgem Negra.

 

O artesanato local é muito rico, desde os brincos até as bolsas mas, as maravilhas maiores da Colômbia são suas esmeraldas!

A comida é muito gostosa. Dentre os pratos típicos bogotanos, o ajiaco santafereño é muito apreciado por eles. É uma sopa preparada com frango, batatas de diferentes variedades, milho e a especiaria “guascas”. Nós preferimos os frutos do mar (deliciosos) do restaurante da marca do café, o Oma.

Agora, o restaurante favorito é o Wok, no Parque 93. Comida com toque asiático e tailandês, preço justo, gente bonita e serviço muito caloroso. Um achado!

As panaderías (padarias) também são ótimas, com doces deliciosos e pãezinhos mais ainda!

Existem muitas atrações para se visitar em Bogotá, em especial: a Praça Bolívar,  Palácio de Justiça, Palácio San Carlos, Museo Nacional. Ah! O artista maior da Colômbia, Fernando Botero  tem seu próprio museu.

Vale a pena sentar num dos cafés da franquia Juan Valdez, tomar um delicioso café com biscoitos – manteguitas ou galetas e ficar olhando o pessoal bonito que fica por ali. Os colombianos são simpáticos, alegres e nos fazem sentir que estamos em casa. Uma feliz surpresa!

 

Renoir – O pintor da vida

Pierre-Auguste Renoir é chamado de “O pintor da vida”. Ele dizia que no mundo já existia muita tristeza e feiúra e que o dever de um pintor era pintar a beleza.

Renoir era filho de um alfaiate e de uma costureira. Nasceu em 25 de fevereiro de 1841, em Limoges a cidade famosa por suas porcelanas. Eu acredito que o lugar onde vivemos nos influencia: com 13 anos ele parou de estudar e foi trabalhar numa fábrica de porcelanas. Pintou durante 4 anos brasões e motivos florais para os jogos de jantar e de chá que a fábrica vendia rapidamente. Ele resolveu pintar Maria Antonieta, seus vestidos e penteados e os donos da fábrica mandaram parar porque eram desenhos mais demorados, com leques difíceis de pintar e tantos detalhes que compensaria: ele ganhava por hora. Renoir propôs a eles que pagassem por peça pintada. Ele pintava tão rápido e com tanta segurança que as peças venderam tanto que além de ajudar a família ele conseguiu guardar dinheiro.

Depois de passar por outro emprego (pintando temas religiosos), consegui o suficiente para, aos 21 anos, realizar seu sonho: estudar na Escola de Belas Artes de Paris. 

Foi no ateliê de Charles Gleyre que ele fez amizade com Monet, Alfred Sisley e Bazille, pintores que estavam fascinados pela pintura ao ar livre, fascinados em captar a luz e a impressão do momento: os Impressionistas.

Finalmente eles  abandonaram o ateliê e começaram a pintar ao ar livre, principalmente na floresta de Fontainebleu, nos arredores de Paris. Em 1870, Renoir se alistou na cavalaria para lutar na guerra franco-prussiana e um ano depois foi dispensado por motivo de doença. A morte na guerra do amigo Bazille afetou a ele e aos outros pintores impressionistas. Entre 1870 e 1833 Renoir viveu um período de intensa produção Impressionista. Embora sejam desse período várias paisagens, é a vida urbana, a alegria, que inspiravam Renoir.

Sua primeira obra aceita no Salão Oficial de Pintura foi A Esmeralda (1864). A pintura alcançou um relativo sucesso. Pena que ele a destruiu após a exposição.C om a guerra franco-prussiana os amigos Impressionistas se separam e Renoir conhece sua modelo favorita que depois se tornaria sua esposa: Lise Trèbot. Uma de suas pinturas mais conhecidas desse período é “Mulher com a sombrinha” .

Com o relativo sucesso, começou a receber encomendas de retratos.

Em 1872 Renoir obteve bastante sucesso no Salão de Pintura com a obra: “Mulheres parisienses vestidas como Argelinas”. Nesta época ele já morava em Montmartre, bairro boêmio de Paris, onde viveu a maior parte de sua vida e onde  pintou duas de suas mais famosas obras: “A Bailarina” e “O Camarote” , este último foi vendido por 425 francos. É fácil perceber que sua arte começou a “cair no gosto popular” quando três anos depois ele vendeu “O passeio” por 1.200 francos.

Uma de suas obras mundialmente conhecidas, que lhe deu enorme reputação foi “Le moulin de la galette”  pintada em 1876.  Abaixo detalhe do quadro.

Como todos os pintores da época, Renoir sonhava conhecer a Itália e em 1881 ele conseguiu visitar Milão, Roma, Veneza e Napóles. O maior impacto foi ver as obras de Rafael, a quem admirava muito.  

Essa viagem influenciou muito sua obra e Renoir passou a pintar no estilo renascentista, quase inspirado na mitologia clássica. São dessa fase as suas pinturas de Banhistas.

Em suas palavras: “Por volta de 1883, eu tinha esgotado o Impressionismo e finalmente chegado à conclusão que não sabia pintar nem desenhar.”

O Masp possui um lindo quadro de Renoir: Rosa e Azul.

Renoir e sua esposa Aline viveram juntos até a morte dela em 1915 e dele, aos 78 anos, em 1919.  Ele adorava fazer da família seus modelos. Abaixo quadros da esposa e de Coco, o filho caçula que foi muitas vezes retratado.

O casal teve três filhos e Jean Renoir, o filho do meio, tornou-se um grande cineasta, reconhecido internacionalmente e foi autor de vários clássicos do cinema francês, dentre eles: A grande Ilusão, A regra do Jogo, A Marselhesa, A Cadela, French Cancan e A Carruagem de Ouro. Jean Renoir já na maturidade reconheceu que quanto mais longe quis ir da arte do pai  mais perto ficava do pai através de seus filmes. French Cancan é uma das maiores provas dessa afirmação: o filme reproduz o clima e as cores de Montmartre na época do Impressionismo. A mais famosa e bem escrita biografia de Renoir foi escrita por seu filho, Jean Renoir. Uma reconciliação tardia e um amor filial redescoberto.

Renoir também utilizava muito as babás dos filhos como modelo.  Gabrielle é uma das mais famosas, retratada em muitas de suas pinturas.

Um dos grandes amigos de Renoir foi Claude Monet. Este é o retrato que Renoir fez de Madame Monet.

Nos últimos anos de vida, Renoir mudou-se de Montmartre para Cagnes uma região mais quente da França. A artrite foi a doença que minou lentamente suas forças e Renoir tentou se dedicar à escultura devido às fortes dores nas mãos. Mas, como para isso ele precisava de ajuda de dois pintores amigos rapidamente desistiu. Sua grande paixão era a pintura. Ele pedia para amarrarem os pincéis em suas mãos ou pulsos e pintou até o último dia de sua vida.

Honfleur um charme na Normandia

Honfleur 1

Essa cidadezinha especial da França, situada na Normandia, distante duas horas de Paris, existe desde o século XI. O porto se tonou passagem obrigatória para as mercadorias vindas de Rouen que se destinavam à Inglaterra.

Honfleur le port

É um charme de cidade, marcada pelo fim do Rio Sena e o começo do Oceano.  Durante a Guerra de Cem anos, Honfleur ficou nas mãos dos ingleses por trinta e dois anos, o que explica algumas influências locais.

As pequenas ruas são muito interessantes, parecendo labirintos e esta é a rua e fachada da prisão.

Honfleur rue de la prision

A cidade foi berço de muitos pintores, dentre ele um dos maiores pintores Impressionistas, mais conhecido por ter sido o professor de Claude Monet – Eugène Boudin.

Eugene Bodin Honfleur

O ideal é andar pela cidade com calma, tomar um aperitivo local – o Calvados – e depois almoçar olhando o porto. Não vá embora antes do por do sol. A cidade se ilumina aos poucos e é um espetáculo lindo e inesquecível.

Honfleur Calvados

 

Honfleur_le bateau

HONFLEUR-VIEUX-BASSIN-NUIT

Auto estima não é vaidade

 

Costumamos usar uma série de palavras com o intuito de descrever certas sensações de bem-estar e de prazer que buscamos insistentemente. Falamos em auto-estima, orgulho, amor-próprio, honra e vaidade sem nos darmos conta de que nem sempre correspondem ao mesmo processo íntimo. 
A auto-estima corresponde a uma sensação íntima de bem-estar relacionada com termos sido capazes de executar alguma tarefa à qual nos propusemos. Por exemplo, se decidirmos que iremos acordar todo dia às 6h para fazer uma hora de ginástica e, de fato, assim procedermos, o resultado será uma enorme satisfação interior. O mesmo vale para quem se propõe a estudar alguma coisa, perder peso, etc. O assunto é irrelevante. O que conta é a pessoa determinar para si uma tarefa e conseguir realiza-la.

Auto-estima tem a ver consigo mesmo. É estar feliz com o próprio desempenho.

A vaidade é totalmente diferente depende de observadores externos, pessoas que nos aplaudam e nos admirem. A gratificação da vaidade depende de sermos capazes de nos destacar.

A partir da adolescência, esse ingrediente da nossa sexualidade se tona muito importante. Se, durante a infância, queremos ser iguais aos nossos amiguinhos, a partir da puberdade, desejamos ser especiais e únicos para atrair os olhares que excitam.

Um rapaz, por exemplo, poderá ganhar um carro muito bonito e menos comum. Isso despertará olhares de admiração por parte das moças, além da inveja dos rapazes – o que sempre tem a ver com admiração. A vaidade do rapaz poderá se satisfazer muito com esses olhares e ele irá se sentir especial e importante dirigindo aquele carro. A vaidade estará gratificada e a auto-estima rebaixada, uma vez que intimamente ele sabe que os méritos não podem ser creditados a si mesmo e sim ao carro ou ao pai, que com seu esforço o comprou.

É evidente que existem condições nas quais a auto-estima e a vaidade caminham na mesma direção. Se eu escrevo este artigo e fico satisfeito com ele, minha auto-estima cresce. Ao ser publicado, se os leitores o aplaudirem, isso fará muito bem à minha vaidade. Nesse caso, o reconhecimento externo aumenta ainda mais a minha auto-estima. Porém, se não gostar do que escrevi, não haverá aplauso no mundo que irá me fazer bem de verdade.

A vaidade faz parte do nosso arsenal instintivo, de modo que jamais irá desaparecer de nossa psicologia. Não tenho nada contra este tipo de prazer, desde que as pessoas não se iludam e lhe atribuam uma importância indevida. O que interessa mesmo é a auto-estima, que depende de uma avaliação interna, na qual nós mesmos nos sentimos satisfeitos com nosso comportamento.

Vaidade depende apenas do mundo das aparências, ao passo que a auto-estima depende da nossa essência. E aqui não existe a possibilidade de engano, pois podemos iludir os outros, mas não a nós mesmos.

* Dr. Flávio Gikovate era médico psiquiatra, diretor do Instituto dePsicoterapia de São Paulo, autor de diversos livros, entre eles: Homem, o sexo frágil? Sexo e Amor para Jovens e Uma nova visão do Amor.

Anesthesia – trama inteligente

Anestesia é um projeto de Tim Blake Nelson, que há mais de vinte anos quis fazer esse filme. Ele é autor do roteiro, direção, produção e atua em um papel pequeno. Ou seja, é a realização de um sonho. anesthesia_-diretor-tim-blake-nelsonE parece um sonho mesmo, pelo menos na cena de abertura, com um senhor de cabelos brancos, comprando flores para sua esposa em uma esquina. Um ritual de todas as sextas-feiras há muitos anos.

Aos poucos vamos descobrir que esse senhor é Walter, um professor de filosofia. Há pouco ele ouviu do filho que a mulher deste pode estar com câncer e vai se submeter a uma cirurgia em poucos dias.anesthesia_professorEssa notícia é o estopim: o professor decide antecipar sua aposentadoria para ficar mais tempo com a esposa.

professor-e-esposaPara fechar esse ciclo ele quer tentar resolver o problema de uma ótima aluna, Sophie (Kristen Stewart) que se queima, para sentir que sua vida faz sentido.

anesthesia-kristen-stewartOutros ciclos também estão em marcha : uma esposa que está se tornando alcoólatra porque o marido mente que está viajando, quando está há pouca distância com uma amante.anesthesia-esposa

anesthesia_maridoE ainda, mais uma vida será afetada por essa decisão, um viciado em heroína que se droga alucinadamente e luta contra qualquer tentativa de recuperação.anesthesia_viciadoAo drama de seu filho, com a esposa suspeitando de câncer, se soma outro grave problema, porque os filhos adolescentes deles estão se viciando em maconha, o que pode ser a porta para outras drogas.anesthesia_filhaEnfim, muita filosofia é destilada nas aulas de Walter Zarrow (Sam Waterston). Especialmente de Schopenhauer e, existe muita poesia nas vidas dessas pessoas comuns, imperfeitas, que serão unidas ao acaso. Vale a pena assistir!

Genius – O mestre dos gênios

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GeniusO mestre dos gênios foi exibido como destaque no Festival de Berlim deste ano. Baseado na biografia de Max Perkins: Editor of Genius, o filme retrata a história real do editor que, na década de vinte, acreditou em jovens talentos e foi responsável pela publicação de autores maravilhosos como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald.

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Colin Firth é o editor e está muito bem, como sempre. Interpretação impecável, na medida certa. Em sua profissão ele é obrigado a sugerir cortes e alterações a seus escritores, sempre com o olhar no público que vai comprar.

Com chegada de um rascunho enorme, ele mergulha na beleza da prosa poética de Thomas Wolf. Era o primeiro romance do autor, Look Homeward Angel.genius_editor

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Escritor prolixo, Wolf reluta em cortar seu romance e, para complicar, leva uma vida desregrada, quando comparada à de Perkins, que tem uma vida pacata com a esposa e quatro filhas.genius-thomas-wolfe_boate

Em meio a esse caos interno, bebidas, escritos, noitadas, Wolf vive uma relação tumultuosa com uma mulher que abandonou a família para ficar com ele (Nicole Kidman).genius_nicole-e-jude-low

Apesar das dificuldades, o trabalho de ambos acaba se tornando uma amizade e Perkins começa projetar em Wolf (Jude Law, ótimo),  o filho que ele sempre quis e não conseguiu ter.

Para quem gosta de literatura, a história absorvente entre esse editor e o escritor Thomas Wolf, é uma ótima indicação. O filme nos leva a um universo literário muito interessante, numa New York perfeitamente recriada no período negro de 1929, no universo dos depois chamados “Geração Perdida” que inspirou inúmeros escritores, entre eles William Faulkner.

Assista o filme! Ele fará você ter vontade de ler, ou reler, os autores!

Wallander – ótima série na NetFlix

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Wallander é uma série britânica premiadíssima. Ganhou BAFTA de 2009 entre outros outros tantos prêmios ao longo do lançamento de suas temporadas, incluindo melhor série dramática da Academy Television Awards de 2015. 

O drama gira em torno do detetive Kurt Wallander, vivido pelo excepcional ator e diretor de cinema e teatro, Kenneth Branagh.

Kenneth Branath

A produção é impecável. Afinal é da BBC de Londres! Baseia-se nos romances de Henning Mankel que venderam mais de 25 milhões de livros.

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Cada episódio é autônomo e prende a atenção do início ao fim. São cenas chocantes, assassinatos quase perfeitos que desafiam o detetive e sua pequena equipe.Wallander_campo de colza

Wallander II

Repare na beleza dos locais, especialmente a pequena cidade portuária sueca, Ystad onde grande parte dos episódios foram filmados.

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O mote são as investigações, mas, muitas histórias humanas se desenrolam em especial envolvendo a filha de Wallander e seu pai, um pintor estranho, que pinta sempre as mesmas paisagens e que está começando a sofrer de Alzheimer.

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Wallander pai

A série já acabou e suas quatro temporadas estão no Netflix. Vale muito a pena assistir!

 

Juventudes Roubadas

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Juventudes Roubadas (Testament Youth) se passa no período da Primeira Grande Guerra (1914 a 1918). O filme é baseado no livro de memórias da britânica Vera Bittain, uma jovem de classe média alta, à frente de seu tempo que luta para que os pais a deixem ir para Universidade de Oxford. O irmão de Vera, Edward, é o seu grade aliado que faz a ponte entre ela e o pai, até conseguir que este concorde que ela preste o exame.

Os dias transcorrem tranquilos naqueles tempos e os amigos do irmão e Vera, se divertem na linda propriedade da família.

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Dentre os amigos, Roland Leighton (Kit Harington de Game Of Thrones). A estranheza inicial rapidamente dá lugar a uma intensa paixão.juventudes-roubadas-casal

Vera passa nos exames e é aceita em Oxford. Sonha estudar junto com o irmão, seus amigos e Roland, o amor da sua vida. Mas, tudo muda porque a Primeira Grande Guerra eclode e, ironicamente, ela vai sozinha para a Universidade.

Nas licenças de Roland eles se encontram e se escrevem regularmente de maneira apaixonada. Vera manda poemas, pois sonha ser escritora.kit-harington_roland-_juventudes-roubadas

Todos os rapazes são enviados para frente da batalha e Vera decide interromper os estudos para se tornar enfermeira. Ela não consegue se furtar a participar, a ser útil em campos de batalha onde estava o Destacamento de Ajuda Voluntária (Londres e França).juventudes-roubadas_guerra

Os apaixonados decidem casar na próxima licença de Roland, no Natal. A espera é longa e difícil. Assim como a guerra que de início se pensava que seria algo rápido e sem grande intensidade. Ledo engano. Mais de dez milhões morreram e Vera escrevia em seu diário, as duras experiências que vivia, vendo tantas mortes brutais, tantas juventudes roubadas. Seu livro foi publicado em 1933, se tornou bester seller e vende até hoje em diversos países do mundo.

Abaixo a atriz Alicia Vikander (de A garota dinamarquesa e O amante da rainha) e a verdadeira Vera Mary Brittain. 

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O filme foi lançado em DVD e está na Netflix. Vale a pena assistir pelo enredo, pelas interpretações, em especial de Alicia, essa surpreendente atriz sueca.

Decisão de Risco – Eye in the sky

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No ano e no mês que nos lembramos dos quinze anos do ataque às Torres Gêmeas em New York, esse filme nos faz refletir sobre o conceito de moralidade em uma guerra contra o terrorismo. Nos faz pensar em quantos inocentes vêm morrendo em tantos outros ataques pelo mundo, e quantos outros morrem durante a captura desses terroristas.

Coronel Helen Mirren

Helen Mirren é a Coronel Powell, oficial da inteligência militar, que da Inglaterra coordena uma ação especial, de longa preparação e que de repente vai se ver presa em uma armadilha. Os políticos, sentados em uma sala, que acompanham em um computador essa ação, começam a ter medo de aprovar o ataque ao grupo de terroristas, que está em Nairóbi no Quênia. Inocentes serão atingidos.

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Junto com esses políticos, lutando para aprovar o ataque está o chefe da Coronel Powell, o general Frank Benson, interpretado por Alan Rickman em seu último papel antes de falecer.

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Os terroristas estão em uma casa, num bairro populoso, num quarteirão impossível de esvaziar.

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Para atacar e capturar os terroristas, um avião drone, posicionado para não ser detectado pelos radares e dirigido remotamente por um piloto nos Estados Unidos. Ou seja, uma operação tão delicada e importante que a Inglaterra estava atuando com os Estados Unidos. O ator que interpretou Jesse em Breaking Bad  (Aaron Paul) é o piloto com toda essa pressão que sabe que não poderá errar.

EYE in Sky_piloto

A dramaticidade fica mais intensa porque instalaram um pequeno besouro robô que consegue capturar as imagens desses terroristas dentro da casa e de repente fica claro que eles estão vestindo coletes com explosivos e que vão sair dali para atacar. Provavelmente um Shopping Center. A tensão é enorme. Agora os políticos precisam autorizar porque é decidir entre dois males um do impacto da vizinhança ao redor da casa e outro um potencial ataque a um Shopping Center. O medo dos políticos é serem culpados das mortes que fatalmente vão acontecer e começa um jogo de empurra. A tensão aumenta a cada momento porque a sargento e o general querem atacar, precisam concluir uma operação que está há muito tempo preparada e pode ser uma oportunidade única.

Então, acontece o ápice da tensão. Quando parece que o impasse será decidido, uma menina que vende pães todos os dias, se senta no centro da operação, para vender seus pães. 

Ai fica muito mais difícil porque as vítimas passam a ter um rosto e é o rosto de criança.

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Várias manobras para tirá-la de lá começam, mas, o tempo corre e os terroristas dentro da casa se preparam para sair. 

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O piloto recua, quer saber qual a margem de risco dela ser atingida e os políticos se dividem. Só a Sargento mantém a firmeza e destaca a importância de não deixar morrer inúmeros por causa uma menina.

Pura eletricidade na tela que vai fazer você sentar na pontinha do sofá. Vale a pena assistir!