Madrid – Um rápido olhar

MUSEO DEL PRADO

Num edifício com arquitetura restaurada, datado de 1785, o Museo Del Prado possui o maior acervo de arte espanhola do mundo. El Grego, Goya e Velasquez estão muito bem representados e deste último, As Meninas é uma das obras mais emblemáticas. Além da arte espanhola, grande coleção de pintura barroca, italianam francesa e outras.  O museu é encantador.

MUSEO NACIONAL REINA SOFIA

É a casa de “Guernica” de Pablo Picasso, mas,  não fique só por ai. Joan Miró, Salvador Dali e outros estão presentes, além de nomes importantes da pintura e escultura moderna. Pare no café. É aconchegante, bonito e tem drinks maravilhosos! 

ESTAÇÃO DE ATOCHA

Alvo do atentado terrorista (11-M) de 11 de março de 2004, realizado pelo Al-Qaeda, esta verdadeira artéria ferroviária de Madrid, após o atentaado, teve um átrio projetado por Rafael Moneo http://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Moneo e para cada morte do atentado, foi plantada uma palmeira. Embora com este simbolismo tão triste, o jardim torna mais agradável a espera pelos trens e humaniza a enorme estrutura de ferro e vidro que foi inaugurada em 1851, erguida por Alberto Palacios com ajuda de Gustave Eiffel.

BAIRRO DOS ÁUSTRIAS

Localizado no centro da cidade, este bairro retrata o espírito de Madrid. Possui casarios antigos, igrejas medievais e palacetes. O nome se deve ao período de soberania da dinastia de Habsburgo. Visite o mercado de San Miguel e aprecie as suas bancas de frutas. Sente-se num dos cafés e deixe a vida passar.

ESTÁDIO SANTIAGO BERNABÉU

É o estádio do Real Madrid. Com capacidade para 80 mil torcedores. Os turistas podem pagar um ingresso e visitar todo o estádio, conhecer a tribuna, os vestiários e a sala de troféus. Se você é aficionado, vale a pena.

 GRAN VIA

Trata-se de uma das mais importantes artérias da capital espanhola. Foi criada para odenar um pouco mais o crescimento da cidade no início do século XX. Diversos arquitetos trabalharam em suas diversas fases, assim alguns dos mais belos edifícios de Madrid estão nesta via.

PALÁCIO REAL

Juan Carlos I não mora mais neste palácio e sim no Palácio Zarzuela, nos arredores de Madri, mas, o Palácio Real, é uma visita imperdível. Erguido sobre uma colina (era um forte e, portanto, avistar do alto os inimigos era muito importante) à noite parece pairar sobre a cidade e é um monumento maravilhoso. Levou 26 anos para ser reerguido depois que um incêndio o destruiu e ao visitá-lo, conheça as Salas de Jantar, de Porcelana,  do Trono e a Galeria, entre outras atrações destes 135.000M2 ( maior palácio da Europa).

PARQUE DEL RETIRO

É o pulmão verde de Madrid. Muito visitado pelos madrilenhos e por turistas. Vale a visita.

PLAZA DE CIBELLES

A praça abriga a fonte da deusa grego-romana Cibelles, deusa da natureza e quatro dos principais edifícios da capital estão ali: Banco de España, os Correios, Palácio de Linares e a sede do Exército.

PLAZA MAYOR

No Século XV era palco de festas populares, julgamentos e execuções na época da Inquisição e posteriormente, palco de touradas. Atualmente é um lugar agradável para um fim de tarde em seus variados cafés. Aos domingos, a Feira de Antiquidades é muito freqüentada e a variedade de ofertas é enorme.

 PLAZA DE TOROS DE LAS VENTA 

Se você tem curiosidade pelas touradas ou pela arquitetura, visite esta praça que data de 1929.  Os arcos externos são de um estilo particular espanhol – neomudéjar – e grande parte da decoração foi feita com azulejos pintados à mão. Ao lado, o Museu Taurino.

PUERTA DEL SOL

Uma das mais animadas áreas da capital, lojas e cafés são seu principal atrativo. A praça é em formato de meia-lua o que lembra sua origem, a de entrada leste de Madrid.

Auto estima não é vaidade

 

Costumamos usar uma série de palavras com o intuito de descrever certas sensações de bem-estar e de prazer que buscamos insistentemente. Falamos em auto-estima, orgulho, amor-próprio, honra e vaidade sem nos darmos conta de que nem sempre correspondem ao mesmo processo íntimo. 
A auto-estima corresponde a uma sensação íntima de bem-estar relacionada com termos sido capazes de executar alguma tarefa à qual nos propusemos. Por exemplo, se decidirmos que iremos acordar todo dia às 6h para fazer uma hora de ginástica e, de fato, assim procedermos, o resultado será uma enorme satisfação interior. O mesmo vale para quem se propõe a estudar alguma coisa, perder peso, etc. O assunto é irrelevante. O que conta é a pessoa determinar para si uma tarefa e conseguir realiza-la.

Auto-estima tem a ver consigo mesmo. É estar feliz com o próprio desempenho.

A vaidade é totalmente diferente depende de observadores externos, pessoas que nos aplaudam e nos admirem. A gratificação da vaidade depende de sermos capazes de nos destacar.

A partir da adolescência, esse ingrediente da nossa sexualidade se tona muito importante. Se, durante a infância, queremos ser iguais aos nossos amiguinhos, a partir da puberdade, desejamos ser especiais e únicos para atrair os olhares que excitam.

Um rapaz, por exemplo, poderá ganhar um carro muito bonito e menos comum. Isso despertará olhares de admiração por parte das moças, além da inveja dos rapazes – o que sempre tem a ver com admiração. A vaidade do rapaz poderá se satisfazer muito com esses olhares e ele irá se sentir especial e importante dirigindo aquele carro. A vaidade estará gratificada e a auto-estima rebaixada, uma vez que intimamente ele sabe que os méritos não podem ser creditados a si mesmo e sim ao carro ou ao pai, que com seu esforço o comprou.

É evidente que existem condições nas quais a auto-estima e a vaidade caminham na mesma direção. Se eu escrevo este artigo e fico satisfeito com ele, minha auto-estima cresce. Ao ser publicado, se os leitores o aplaudirem, isso fará muito bem à minha vaidade. Nesse caso, o reconhecimento externo aumenta ainda mais a minha auto-estima. Porém, se não gostar do que escrevi, não haverá aplauso no mundo que irá me fazer bem de verdade.

A vaidade faz parte do nosso arsenal instintivo, de modo que jamais irá desaparecer de nossa psicologia. Não tenho nada contra este tipo de prazer, desde que as pessoas não se iludam e lhe atribuam uma importância indevida. O que interessa mesmo é a auto-estima, que depende de uma avaliação interna, na qual nós mesmos nos sentimos satisfeitos com nosso comportamento.

Vaidade depende apenas do mundo das aparências, ao passo que a auto-estima depende da nossa essência. E aqui não existe a possibilidade de engano, pois podemos iludir os outros, mas não a nós mesmos.

* Dr. Flávio Gikovate era médico psiquiatra, diretor do Instituto dePsicoterapia de São Paulo, autor de diversos livros, entre eles: Homem, o sexo frágil? Sexo e Amor para Jovens e Uma nova visão do Amor.

Me chame pelo seu nome

A Itália é parte da história. E a Itália é sempre inebriante e torna tudo possível.
A história desse primeiro amor de um adolescente de 17 anos e um homem refinado é bem plausível, especialmente no cenário em que ela é contada. O verão é o de 1983 e Oliver (Armie Hammer) um estudante americano, vem estudar esse período com o pai de Elio (Timothée Chalamet), na vila que a família possui em uma parte da Lombardia.

Aos poucos uma grande intimidade e sinergia vai se criando entre os dois, que passeiam pela cidadezinha de bicicleta, nadam em rios e piscinas, e assim, a cada dia se aproximam mais um do outro. Até que o inevitável acontece e Elio que estava vivendo sua primeira experiência sexual com uma amiga da família, se desinteressa totalmente dela e se apaixona por Olivier, que aliás, parece um Apolo grego.

Os pais de Elio, especialmente o pai (o excelente Michael Stuhlbarg) de certa forma incentivam a relação porque são românticos, abertos e extremamente imaginativos. Ambos demonstram em todo o filme, amor à literatura, à música e às artes.

O roteiro acaba de dar o Oscar a James Ivory, um mostro sagrado do cinema, responsável por diversos outros ótimos roteiros, especialmente Vestígios do Dia. O filme também foi indicado na categoria de Melhor Filme e melhor ator para Timothée Chalamet.

Me Chame pelo seu nome, tem produção do brasileiro Rodrigo Teixeira e se tornou figurinha carimbada nos festivais de 2017, especialmente no de Sundance. Vale a pena conferir, especialmente porque correm rumores que haverá um segundo filme, contando mais dessa história de amor.

Trama Fantasma

Trama Fantasma – Phantom Thread enche os olhos. Figurinos lindos (aliás, ganhou o Oscar de melhor figurino merecidamente). Escrito pelo diretor Paul Thomas Anderson e o protagonista do filme – Daniel Day Lewis, o filme não trata um costureiro específico (embora digam que se inspirou em Balenciaga – o estilista espanhol que vestiu a família real e a aristocracia espanhola – nos idos de 1936)

A história se passa em Londres nos anos de 1950 e retrata Reynolds Woodcock (Daniel Day Lewis), um estilista cheio de manias, que não suporta barulho no café da manhã, nem o das xícaras tocando os pires ou da espátula passando manteiga nas torradas. Pela manhã ele se inspira e é então que o dia se define como bom ou não.Perseguido pela imagem da mãe, que era costureira, Woodcock vive e trabalha com a irmã (Lesley Manville – indicada ao Oscar de melhor coadjuvante), que o ajuda a descartar as musas que ele coleciona de tempos em tempos.

Ao viajar para o campo, buscando uma tranquilidade que não está conseguindo atingir, o estilista conhece a garçonete Alma e faz dela sua nova musa e amante. Alma se muda para a casa e atelier dos irmãos e daí para frente a história alcança outras nuances, repletas de ciúmes, de amor doentio e de desespero.

O diretor Paul Thomas Anderson reconhecido por organizar cada plano de filmagem com perfeição é páreo duro para o ator Daniel Day Lewis, reconhecido por seu perfeccionismo. Ambos dão o melhor de si e foram indicados, respectivamente, ao Oscar de melhor Diretor e melhor ator por esse filme. Daniel Day Lewis já coleciona três Oscar: Meu Pé Esquerdo, Sangue Negro e Lincoln. E ele não é menos que ótimo em qualquer filme que atue. Aliás, ele aprendeu a cortar e costurar e confeccionou a cópia de um terno do espanhol Balenciaga. Inacreditável!

Para tristeza de incontáveis fãs, esse maravilhoso ator, que atua com total dedicação e imersão, anunciou que esse será seu último filme. Uma verdadeira tristeza.

Além das inúmeras qualidades do filme, preste atenção na trilha sonora que é linda e claro, só pela atuação de Daniel Day Lewis já valeria a pena assistir!

A forma da Água – Shape Water

A Forma da Água é uma fantasia que nos cativa especialmente por conta do momento conturbado e violento que vivemos. É um filme que apregoa o amor como mola transformadora de pessoas: fracos que se tornam fortes e corajosos por conta do amor. A história se passa na década de 60, quando os russos eram declaradamente inimigos dos Estados Unidos (provavelmente continuam sendo, mas, agora é de forma mais velada, pelo menos até o Míssil Indestrutível do Putin).

Elisa (Sally Hawkins) é uma faxineira de um laboratório experimental e secreto, onde o governo está fazendo experimentos com uma estranha criatura capturada nas águas, praticamente anfíbia. Elisa ouve, mas, é muda e como tal, tem dificuldade em se comunicar com as pessoas. Sua amiga do trabalho, a faxineira Zelda e o amigo e vizinho Giles (Richard Jenkis), são os mais próximos dela e que além de entendê-la, vão ajuda-la em seu sonho.

Ao limpar o laboratório ela começa a se conectar através do vidro, com a estranha criatura. Aos poucos se envolve e se vê apaixonada pelo estranho ser.

Em uma das suas incursões ao laboratório, Elisa escuta o General dizer que vão matar a criatura no dia seguinte e aí começa um plano desesperado para salvar o seu amor.

Nele vão se envolver seu vizinho, a amiga de faxina e um médico que tem descendência russa. Tudo temperado com a perseguição do general que toma conta do laboratório e que esse sim, está bem próximo de ser um monstro.

Muitas aventuras ocorrem e em todo o tempo, o que se destaca é o quanto Elisa se ligou ao estranho ser, que também começa a demonstrar afeto por ela.

O filme foi muito reconhecido e indicado a treze Oscar. Acaba de ganhar o de Melhor Filme e Melhor Diretor, dentre outros. Prova de que o Planeta Terra ainda valoriza, e muito, uma bela história de amor.

Honfleur um charme na Normandia

Honfleur 1

Essa cidadezinha especial da França, situada na Normandia, distante duas horas de Paris, existe desde o século XI. O porto se tonou passagem obrigatória para as mercadorias vindas de Rouen que se destinavam à Inglaterra.

Honfleur le port

É um charme de cidade, marcada pelo fim do Rio Sena e o começo do Oceano.  Durante a Guerra de Cem anos, Honfleur ficou nas mãos dos ingleses por trinta e dois anos, o que explica algumas influências locais.

As pequenas ruas são muito interessantes, parecendo labirintos e esta é a rua e fachada da prisão.

Honfleur rue de la prision

A cidade foi berço de muitos pintores, dentre ele um dos maiores pintores Impressionistas, mais conhecido por ter sido o professor de Claude Monet – Eugène Boudin.

Eugene Bodin Honfleur

O ideal é andar pela cidade com calma, tomar um aperitivo local – o Calvados – e depois almoçar olhando o porto. Não vá embora antes do por do sol. A cidade se ilumina aos poucos e é um espetáculo lindo e inesquecível.

Honfleur Calvados

 

Honfleur_le bateau

HONFLEUR-VIEUX-BASSIN-NUIT

Toda luz que não podemos ver

A Segunda Guerra parece ser um tema inesgotável. De tempos em tempos um romance se destaca e nos envolve, trazendo a nossos dias, o que parece ser tão remoto e cada dia mais irreal.

“Toda Luz que não podemos ver” reconstrói com detalhes aquele período. Marie-Laure é uma garota francesa, órfã de mãe que vive com seu pai que é chaveiro do Museu de História Natural de Paris. Aos seis anos ela fica cega e o pai, em busca da autonomia da filha, constrói uma maquete em miniatura do bairro onde eles vivem. Com isso Marie-Laure pode andar com uma bengala com a maior desenvoltura. Mas, chega a guerra e com ela a ocupação nazista. Eles fogem para uma cidade do interior, Saint-Malo, onde mora um tio avó da menina. Com eles, o pai leva aquilo talvez seja o maior tesouro do Museu Natural de Paris.

Em uma região de minas de carvão da Alemanha, Werner vive com a irmã mais nova em um orfanato. Todas as noites eles ouvem um programa de rádio, em francês e mesmo sem entender, Werner se apaixona pela magia do rádio. Um dia encontra um aparelho quebrado no lixo. Ele o conserta e a partir daí começa a consertar os aparelhos de todos que o procuram, aliando a seu talento uma prática enorme, que lhe garante uma vaga em uma escola nazista. Com o avanço da guerra ele é designado para uma missão difícil: tentar identificar de onde vêm as transmissões da Resistência Francesa em… Saint Malo.

O ano é 1944, próximo do final da guerra. Os Estados Unidos estão arquitetando o bombardeio que vai terminar a guerra. Falsas pistas são espalhadas, as transmissões de rádio são cada vez mais importantes e com o pai preso, a menina cega que conhece a casa do tio avó de memória, se esconde embaixo da cama, no andar de cima. No porão, Werner, o garoto nazista se esconde buscando o sinal de transmissão da Resistência.

O escritor Anthony Doerr foge do maniqueísmo. Não conseguimos deixar de gostar, pelo menos um pouco, de Werner por conta de sua vida em um contexto tão trágico.

O livro foi lançado em 2014 em 2015 ganhou o Pulitzer de Melhor Ficção, além de muitos outros prêmios. É um livro delicado, envolvente, que prende sua atenção do começo ao fim. Vale ler!!!!

Colômbia – uma feliz surpresa

Esqueça todo aquele medo que dá quando ouvimos falar da Colômbia. Esqueça o narcotráfico e as Farcs, especialmente se você for para Bogotá e arredores.  Em Bogotá você vai encontrar muita polícia na rua e também seguranças privados,  por toda parte. Você acaba se sentindo mais tranquilo que em São Paulo!

A arquitetura é “organizada”. A maior parte dos prédios não ultrapassa dez andares, são de tijolinhos e quando um é mais moderno, não chega a chocar, ao contrário, se harmoniza.

A Candelária (bairro mais antigo) e o Centro histórico, abrigam igrejas de uma beleza interior estupenda: ouro e madeiras tão trabalhadas que surpreendem. As fachadas são sempre muito diferentes.

O teatro Cólon foi declarado patrimônio histórico e uma das maravilhas da Colômbia. Com toda razão!

Ainda no centro, visite o lindo e organizado Museo Del Oro. Mantido por um banco, cobra um ingresso simbólico e vale cada minuto da visita. Recursos audio visuais contam a história da nação, as formações geológicas, o ouro usado como oferenda pelas tribos indígenas e como elas foram a base da população da Colômbia. Uma justa homenagem de rara beleza.

 

Aproveite que os taxis são baratos (muito!) e encontre alguém simpático, normalmente  indicado pelo seu hotel. Nós encontramos o sr. Jorge, um colombiano falante, com muito conhecimento da história e hábitos de sua cidade, além de muito, muito honesto. Com ele fizemos uma viagem maravilhosa, até Zipaquirá e Villa de Leyva. Olhem como ele tem jeito de bonzinho!

Na cidade de Zipaquirá se encontra a primeira maravilha da Colômbia: a Catedral de sal. No mundo, além desta só existe uma outra, na Polônia. A energia é inacreditável e apesar dos 180 metros abaixo da terra, a ventilação é natural e a formação do sal nas paredes, surpreendente. O que também chamou a atenção foram os grupos de estudantes  que desde cedo já visitam os monumentos da cidade.

Ao longo do caminho, as cruzes vão contando a via crucis de Jesus, até culminar no altar.

 

Os indígenas são muito homenageados e lembrados como o início da nação.

A Plaza del Minero, na entrada na Mina de sal também é muito bonita.

Outra atração imperdível é o Cerro Monserrate. Com 3.131 metros de altura, tem uma vista deslumbrante. A subida pode ser com a funicular ou pelo teleférico, que é novinho!

Além da beleza natural, é muito importante destacar o santuário, a igreja, a via crucis de Jesus e a união espiritual que os Colombianos têm com Deus. A Virgem Maria é homenageada em muitas igrejas e neste santuário, a peregrinação é para venerar, além do Cristo caído, a Virgem Negra.

 

O artesanato local é muito rico, desde os brincos até as bolsas mas, as maravilhas maiores da Colômbia são suas esmeraldas!

A comida é muito gostosa. Dentre os pratos típicos bogotanos, o ajiaco santafereño é muito apreciado por eles. É uma sopa preparada com frango, batatas de diferentes variedades, milho e a especiaria “guascas”. Nós preferimos os frutos do mar (deliciosos) do restaurante da marca do café, o Oma.

Agora, o restaurante favorito é o Wok, no Parque 93. Comida com toque asiático e tailandês, preço justo, gente bonita e serviço muito caloroso. Um achado!

As panaderías (padarias) também são ótimas, com doces deliciosos e pãezinhos mais ainda!

Existem muitas atrações para se visitar em Bogotá, em especial: a Praça Bolívar,  Palácio de Justiça, Palácio San Carlos, Museo Nacional. Ah! O artista maior da Colômbia, Fernando Botero  tem seu próprio museu.

Vale a pena sentar num dos cafés da franquia Juan Valdez, tomar um delicioso café com biscoitos – manteguitas ou galetas e ficar olhando o pessoal bonito que fica por ali. Os colombianos são simpáticos, alegres e nos fazem sentir que estamos em casa. Uma feliz surpresa!

 

Renoir – O pintor da vida

Pierre-Auguste Renoir é chamado de “O pintor da vida”. Ele dizia que no mundo já existia muita tristeza e feiúra e que o dever de um pintor era pintar a beleza.

Renoir era filho de um alfaiate e de uma costureira. Nasceu em 25 de fevereiro de 1841, em Limoges a cidade famosa por suas porcelanas. Eu acredito que o lugar onde vivemos nos influencia: com 13 anos ele parou de estudar e foi trabalhar numa fábrica de porcelanas. Pintou durante 4 anos brasões e motivos florais para os jogos de jantar e de chá que a fábrica vendia rapidamente. Ele resolveu pintar Maria Antonieta, seus vestidos e penteados e os donos da fábrica mandaram parar porque eram desenhos mais demorados, com leques difíceis de pintar e tantos detalhes que compensaria: ele ganhava por hora. Renoir propôs a eles que pagassem por peça pintada. Ele pintava tão rápido e com tanta segurança que as peças venderam tanto que além de ajudar a família ele conseguiu guardar dinheiro.

Depois de passar por outro emprego (pintando temas religiosos), consegui o suficiente para, aos 21 anos, realizar seu sonho: estudar na Escola de Belas Artes de Paris. 

Foi no ateliê de Charles Gleyre que ele fez amizade com Monet, Alfred Sisley e Bazille, pintores que estavam fascinados pela pintura ao ar livre, fascinados em captar a luz e a impressão do momento: os Impressionistas.

Finalmente eles  abandonaram o ateliê e começaram a pintar ao ar livre, principalmente na floresta de Fontainebleu, nos arredores de Paris. Em 1870, Renoir se alistou na cavalaria para lutar na guerra franco-prussiana e um ano depois foi dispensado por motivo de doença. A morte na guerra do amigo Bazille afetou a ele e aos outros pintores impressionistas. Entre 1870 e 1833 Renoir viveu um período de intensa produção Impressionista. Embora sejam desse período várias paisagens, é a vida urbana, a alegria, que inspiravam Renoir.

Sua primeira obra aceita no Salão Oficial de Pintura foi A Esmeralda (1864). A pintura alcançou um relativo sucesso. Pena que ele a destruiu após a exposição.C om a guerra franco-prussiana os amigos Impressionistas se separam e Renoir conhece sua modelo favorita que depois se tornaria sua esposa: Lise Trèbot. Uma de suas pinturas mais conhecidas desse período é “Mulher com a sombrinha” .

Com o relativo sucesso, começou a receber encomendas de retratos.

Em 1872 Renoir obteve bastante sucesso no Salão de Pintura com a obra: “Mulheres parisienses vestidas como Argelinas”. Nesta época ele já morava em Montmartre, bairro boêmio de Paris, onde viveu a maior parte de sua vida e onde  pintou duas de suas mais famosas obras: “A Bailarina” e “O Camarote” , este último foi vendido por 425 francos. É fácil perceber que sua arte começou a “cair no gosto popular” quando três anos depois ele vendeu “O passeio” por 1.200 francos.

Uma de suas obras mundialmente conhecidas, que lhe deu enorme reputação foi “Le moulin de la galette”  pintada em 1876.  Abaixo detalhe do quadro.

Como todos os pintores da época, Renoir sonhava conhecer a Itália e em 1881 ele conseguiu visitar Milão, Roma, Veneza e Napóles. O maior impacto foi ver as obras de Rafael, a quem admirava muito.  

Essa viagem influenciou muito sua obra e Renoir passou a pintar no estilo renascentista, quase inspirado na mitologia clássica. São dessa fase as suas pinturas de Banhistas.

Em suas palavras: “Por volta de 1883, eu tinha esgotado o Impressionismo e finalmente chegado à conclusão que não sabia pintar nem desenhar.”

O Masp possui um lindo quadro de Renoir: Rosa e Azul.

Renoir e sua esposa Aline viveram juntos até a morte dela em 1915 e dele, aos 78 anos, em 1919.  Ele adorava fazer da família seus modelos. Abaixo quadros da esposa e de Coco, o filho caçula que foi muitas vezes retratado.

O casal teve três filhos e Jean Renoir, o filho do meio, tornou-se um grande cineasta, reconhecido internacionalmente e foi autor de vários clássicos do cinema francês, dentre eles: A grande Ilusão, A regra do Jogo, A Marselhesa, A Cadela, French Cancan e A Carruagem de Ouro. Jean Renoir já na maturidade reconheceu que quanto mais longe quis ir da arte do pai  mais perto ficava do pai através de seus filmes. French Cancan é uma das maiores provas dessa afirmação: o filme reproduz o clima e as cores de Montmartre na época do Impressionismo. A mais famosa e bem escrita biografia de Renoir foi escrita por seu filho, Jean Renoir. Uma reconciliação tardia e um amor filial redescoberto.

Renoir também utilizava muito as babás dos filhos como modelo.  Gabrielle é uma das mais famosas, retratada em muitas de suas pinturas.

Um dos grandes amigos de Renoir foi Claude Monet. Este é o retrato que Renoir fez de Madame Monet.

Nos últimos anos de vida, Renoir mudou-se de Montmartre para Cagnes uma região mais quente da França. A artrite foi a doença que minou lentamente suas forças e Renoir tentou se dedicar à escultura devido às fortes dores nas mãos. Mas, como para isso ele precisava de ajuda de dois pintores amigos rapidamente desistiu. Sua grande paixão era a pintura. Ele pedia para amarrarem os pincéis em suas mãos ou pulsos e pintou até o último dia de sua vida.

Anesthesia – trama inteligente

Anestesia é um projeto de Tim Blake Nelson, que há mais de vinte anos quis fazer esse filme. Ele é autor do roteiro, direção, produção e atua em um papel pequeno. Ou seja, é a realização de um sonho. anesthesia_-diretor-tim-blake-nelsonE parece um sonho mesmo, pelo menos na cena de abertura, com um senhor de cabelos brancos, comprando flores para sua esposa em uma esquina. Um ritual de todas as sextas-feiras há muitos anos.

Aos poucos vamos descobrir que esse senhor é Walter, um professor de filosofia. Há pouco ele ouviu do filho que a mulher deste pode estar com câncer e vai se submeter a uma cirurgia em poucos dias.anesthesia_professorEssa notícia é o estopim: o professor decide antecipar sua aposentadoria para ficar mais tempo com a esposa.

professor-e-esposaPara fechar esse ciclo ele quer tentar resolver o problema de uma ótima aluna, Sophie (Kristen Stewart) que se queima, para sentir que sua vida faz sentido.

anesthesia-kristen-stewartOutros ciclos também estão em marcha : uma esposa que está se tornando alcoólatra porque o marido mente que está viajando, quando está há pouca distância com uma amante.anesthesia-esposa

anesthesia_maridoE ainda, mais uma vida será afetada por essa decisão, um viciado em heroína que se droga alucinadamente e luta contra qualquer tentativa de recuperação.anesthesia_viciadoAo drama de seu filho, com a esposa suspeitando de câncer, se soma outro grave problema, porque os filhos adolescentes deles estão se viciando em maconha, o que pode ser a porta para outras drogas.anesthesia_filhaEnfim, muita filosofia é destilada nas aulas de Walter Zarrow (Sam Waterston). Especialmente de Schopenhauer e, existe muita poesia nas vidas dessas pessoas comuns, imperfeitas, que serão unidas ao acaso. Vale a pena assistir!