A Eternidade e um dia

Theo Angelopoulos é o mais famoso cineasta grego. Iniciou sua carreira por trás das câmaras em 1968, após três anos como crítico. Todos os seus filmes retratam uma preocupação social com seu país e os males que assolam o mundo.

Com muitas premiações em festivais internacionais, teve somente duas obras lançadas em circuito comercial brasileiro : Paisagem na Neblina ( disponível em vídeo) e Um olhar a cada dia. Seu novo filme, apresentado na 22a. Mostra Internacional de Cinema, foi vencedor da Palma de Ouro de 1998, em Cannes.

A história é sobre um escritor – Alexander – que descobre que vai morrer em breve e visita lugares e lembranças de uma vida. Somente um dia lhe resta antes de internar-se em um hospital. Neste dia ele vaga através do passado. Através das ruas de uma Grécia distante dos cartões postais. O destino o conduz a um menino foragido. Um filho da guerra, fugitivo das minas, da desolação da Albania e do abandono. Junto a outros meninos semelhantes, criam uma espécie de família, que unida tenta vencer a vida, a polícia, o frio, a fome, as gangs que vendem meninos como eles.

Alexander o poeta de Angelopoulos, é perseguido pela imagem de outro poeta grego que, criado na Itália, retorna à Grécia, após a revolução. Desejoso de cantar sua pátria em hinos de liberdade, em poemas que lhe honrem a beleza, é impedido porque lhe falta o que nunca poderia faltar a um poeta: as palavras. Criado na Itália ele desconhece o idioma de sua pátria. Busca no povo das aldeias as palavras que precisa aprender. Sua lenda invade a ilha – o poeta que paga por palavras.  Como o poeta do passado, este personagem de Angelopoulos compra palavras do menino albanês. A ligação de ambos se intensifica na conscientização mútua de que ambos não têm tempo. É tarde demais.

Neste último dia, o escritor resolve buscar a resposta para sua pergunta angustiante, a pergunta de todos nós: quanto tempo dura o amanhã? A resposta é angustiante: a eternidade dura um dia. A Eternidade e um Dia.

O filme é genial. Um poema filmado. (escrito em 2009)  

Dia 24 de janeiro de 2012 Theo Angelopoulos morreu em Atenas, vítima de um atropelamento no set de filmagem de um novo filme. Uma imensa perda para quem conheceu a beleza de seus filmes.

Cavalo de Guerra

 

O filme é baseado em um livro juvenil e Spielberg só concordou em transformá-lo em filme, depois de assistir à peça de teatro inspirada no livro. A história é quase toda contada por Joey, o cavalo valente, forte e persistente que através da amizade com Albert (Jeremy Irvine) vai nos mostrar que a amizade é feita de finas teias que se fortificam através das experiências vividas lado a lado. A necessidade de arar uma terra árida, numa cena intensa e emocionante, vai uni-los de forma irreversível. Mesmo quando estoura a guerra e o cavalo é vendido pelo pai de Albert, para o exército inglês.

No batalhão, bons e maus juntos. Nuances humanas existentes em qualquer lugar do mundo. Joey vai disputar o comando e depois se aliar a um outro grande cavalo, o que vai nos mostrar outra linda história: a solidariedade dos animais. 

Incrivelmente Spielberg mostra pouquíssimo sangue. Apenas dois momentos nas patas dos cavalos. O que determinará para nós a dureza das batalhas da Primeira Guerra Mundial, são as máquinas, as explosões, os canhões, a destruição que deixam.

Steven Spielberg é considerado um romântico, um diretor sensível, uma pessoa emotiva. Numa era de violência e excesso de efeitos especiais o filme que ele realizou pode parecer piegas. Eu não achei. Em vários momentos em que poderia ter “abusado” da mão e carregado nas tintas para fazer chorar, ele desvia e evita o pieguismo banal. Um mestre que, inacreditavelmente, faz dos cavalos, atores. As emoções são passadas não só pelo olhar penetrante mas pelos corpos, pela força que emana deles. Eles “vivem” a história e nos levam a vivê-la com eles. 

Além de tudo isso, o filme é uma declaração de amor ao grande cinema de John Ford, uma homenagem visual a …E o Vento Levou. Imagens lindas, no campo sob o por do sol, que imediatamente nos remetem ao clássico.  Um dos mais belos filmes de Spielberg visualmente falando. O diretor de fotografia Janusz Kaminski está de parabéns e a música de John Williams à altura da história. 

No lançamento do filme em Londres, os veteranos de guerra e os príncipes William e Kate estiveram presentes. E Joey também! Você não pode faltar!

Paris é uma festa!

Muito já se falou sobre Paris, cidade mais visitada do mundo. Plena de charme, de vida, perfumes, história, a cidade merece todos os elogios que a ela são feitos. Pode esquecer aquele modelo de “francês é arrogante”. Na verdade, para falar inglês com eles é só evitar os muito mais velhos e procurar começar a sua conversa com um gentil “bonjour” (bom dia, até as 18hs) ou bonsoir (boa noite, após as 18h00). Depois pode engrenar no inglês que a maior parte entende e hoje, já muito conscientes do valor do turismo para a economia, procuram ajudar. Difícil elencar os passeios! Fiz uma seleção muito pessoal e espero que vocês gostem.

Como todas as listas, alguns lugares ficarão de fora não porque são passeios ruins – não existem passeios ruins em Paris –  mas porque sei que a maior parte de nós viaja com pouco tempo. Agora vamos lá porque Paris é uma festa! Aliás, o livro com esse título,  escrito pelo Hemingway quando ele morou em Paris é bem legal de se ler.  Como muitos outros escritores ele também se encantou com a cidade.

Torre Eiffel – construída para a Exposição Mundial de 1900, estava previsto que seria demolida logo após a exposição. Muitos não gostaram daquela estrutura enorme em aço e criticaram muito. Finalmente venceram os que adoraram o monumento que hoje é um dos mais famosos do mundo e símbolo da França. Um charme extra é a iluminação: além de lindamente iluminada o ano todo, nas festas eles criam efeitos especiais, vestindo a Torre de cores de um país, de um evento, enfim, ascendem de hora em hora sempre deslumbrante.

 La Bastille – marco da Revolução Francesa de 1768: ao libertarem os prisioneiros (que eram  poucos nessa época), os  revolucionários, chamados “sans culote” (sem calças) tomaram o controle da torre e até hoje é um local de manifestações. Também é aqui que se localiza uma das óperas de Paris, a l’ Ópera de La Bastille. Arquitetura linda, acústica excepcional e grandes espetáculos o ano todo.

Nesta praça ainda está um dos meus cafés favoritos: Café dês Phares (Café dos filósofos). Todos os  domingos pela manhã há um encontro com um filósofo ou escritor e o público participa de leituras e discussões. Se você não quiser participar e preferir ficar lendo e admirando as pessoas, fique tranquilo. Os franceses fazem isso!

Place de Voges –considerada uma das mais belas praças do mundo. Construída em 1605, foi local das bodas do rei Louis XIII e Ana da Áustria. Victor Hugo morou aqui e sua casa se transformou em um museu que vale a pena visitar.

Place Vendôme – você deve ir caminhando ao sair do Jardin de Luxembourg ou do museu L´Orangerie. Admire o famoso hotel Ritz, as vitrines das marcas mais famosas do mundo e quem sabe, arrisque perguntar os preços… 

Musée L´Orangerie – um pequeno museu muito especial porque abriga algumas das obras mais  expressivas e famosas de Monet, as Ninpheas. Quando foi procurado para autorizar a abertura de um museu em sua homenagem, Monet respondeu que permitiria, mas só quando ele morresse e deixou instruções para que os quadros ficassem numa disposição semelhante ao seu jardim, para que as pessoas pudessem vê-los como ele os via, sobretudo, com muita luz, marco principal do Impressionismo. O efeito é maravilhoso: são três salas onde as telas estão coladas em um ângulo de 360º graus e a luz os atinge diretamente através das claraboias do teto. 

Musée du Louvre – Tudo é maravilhoso! Se você só tiver tempo para uma visita mais rápida, escolha a Ala Richilieu. Nela estão: Mona Lisa, A Liberdade conduzindo o povo de Delacroix, diversas pinturas de mestres franceses (Ingrès entre eles), holandeses (Veermer e Rambrandt por exemplo) e outras maravilhas da pintura e escultura. Visite também a loja do museu. Desde joias inspiradas nas obras de arte, livros, posters, revistas até muitas e muitas lembranças da França.

Opéra de Paris – localizada num palácio memorável – Palácio Garnier – é a principal ópera de Paris, foi fundada em 1669 por Luis XIV, rei da França na época. Vale a pena visitar e se encantar com a arquitetura e décor interior.

Quartier Latin – Este local é outra jóia de lojas, marcas maravilhosas e foi durante muito tempo, o bairro mais “intelectual” de Paris. Eles ainda andam por aqui, mas os turistas costumam espantá-los! Jean Paul Sartre e Simone Bouvoir eram assíduos frequentadores do Café de Floire, que junto com o Café Les Deux Margots são deliciosos para sentar, pedir um café e ficar olhando a vida passar.  

Musée D’ Orsay – A história deste museu é bem incomum: o local era uma estação de trem, construida para a Exposição Mundial de 1900 e a arquitetura do local já é em si, uma obra de arte. Transformado em museu e aberto ao público em 1986, suas coleções reunem obras criadas entre 1848 à 1914. São esculturas maravilhosas, dentre elas Rodin e Camille Claudel, quadros impressionistas (Van Gogh, Monet, Manet) e muitas outras jóias provenientes dos museus do Louvre, Le Jeu de Paume e o Museu de Arte Moderna. 

Observe se no seu bilhete há indicação de alguma promoção: normalmente eles são válidos para desconto em outro museu ou acesso gratis à Opéra National de Paris.

Museu Rodin – era um antigo hotel (Biron) e Rodin morou lá por um período, mantendo também sua oficina de arte no local. Antes de falecer, doou suas principais obras além de quadros de Van Gogh, Renoir e Monet, de sua coleção particular. Grande parte das esculturas estáo expostas no jardim, incluindo O Pensador e As portas do Inferno.

Visite a sala dedicada às obras de Camille Claudel. Pessoalmente gosto mais dela como escultora do que dele, pois acho que as suas obras são mais plenas de sensibilidade e de acabamento. Vale conferir!

Jardin de Luxembourg – segundo maior parque de Paris, é um passeio maravilhoso, que tanto os franceses quanto os turistas adoram. Observe as alamedas repletas de esculturas ou simplesmente fique sentado em uma das cadeiras do jardim, olhando a fonte e lendo, num domingo de manhã. Você estará verdadeiramente em Paris!

Catedral de Notre Dame e La Chapelle – dois locais onde a história impregna as paredes, seja católico ou não, visite. Você vai se encantar.

 

Montmatre – Essa é a praça dos pintores impressionistas. Não deixe de visitar! Uma das mais belas vistas de Paris, não importa se dia ou de noite. Sente em um dos cafés e tome cidra num final de tarde, olhando os pintores criando caricaturas. O mundo fica melhor visto lá de cima! Além disso, no caminho, muitas e muitas lojinhas de lembrancinhas. Um dos melhores preços de Paris. Pode arrasar!

E há uma curiosidade que quero compartilhar com vocês. Os franceses são do gênero fatalista. Não confundir essa característica com mau humor. Simplesmente eles não esperam o que não acham realista. Um exemplo que adoro é o ditado: “Não adianta procurar meio-dia às duas da tarde”… e é isso mesmo na vida! Eles têm até uma rua com esse nome: rua do “procurando meio dia”.

Agora o que eu adoro mesmo nos franceses é o amor que a grande maioria tem pelos cães. Eles são vistos em todos os lugares, desde as calçadas de restaurantes, até os salões de cabeleireiros…ou então, ficam com os donos das lojas, super comportados, como se fizessem parte da decoração.

Festas, Familia & Amigos

São inúmeras as explicações sobre o porque da Árvore de Natal, qual o seu simbolismo. Consta que essa tradição começou na Alemanha e que as árvores eram enfeitadas com flocos de algodão. Depois foram surgindo todos os enfeites que hoje conhecemos. A lenda diz que a árvore simboliza Jesus, que é o tronco e nós somos os ramos. As bolas coloridas e os enfeites que colocamos representam os frutos que ela produz e expressam a nossa generosidade, a nossa caridade. Não gosto muito de festas de natal porque acho muito comercial, momento em que se ressaltam as diferenças sociais, mas esse ano a festa foi especial: vivemos tudo que a árvore simboliza e conseguimos fazer melhor o natal de pessoas que queremos bem. A família, amigos, gestos de fraternidade para os menos favorecidos e a certeza de que construímos uma noite linda, um lindo, lindo natal!

Ser Chique – Glória Kallil

Sempre que o meu querido amigo Bruno Blatt lê alguma coisa bacana, manda para mim e outro  dia ele me presenteou com esse texto que achei ótimo, da Glória Kallil. O melhor é que é um texto que nunca envelhece. É sempre real, é sempre atual.

Nunca o termo “chique” foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.
A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida,infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.
Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.
O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.
Chique mesmo é ser discreto. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.
Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.
É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.
É lembrar-se do aniversário dos amigos.
Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.
Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.
É “desligar o radar”, “o telefone”, quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.
Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!
Chique do chique é não se iludir com “trocentas” plásticas do físico… quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância,
ateísmo…falsidade.
Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo,  vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo.
Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não
seja correta.
Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!
Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus!
Investir em conhecimento pode nos tornar sábios… mas, Amor e Fé nos tornam
humanos!

O presente de viver

Existe um silêncio que é paz.

Existe uma solidão que é encontro consigo mesmo.

Existe uma felicidade que é fruto das realizações.

Existe uma paz que vem do equilíbrio.

Existe uma prosperidade que é resultado da generosidade.

Existe uma esperança contida nos sonhos que sonhamos.

Existe a alegria dos momentos felizes que se perpetuam em nossa memória.

Existe amor por nós, pelo outro e pelo que fazemos.

Existe o deslumbramento pela beleza que nos cerca, maior que todas as dores.

Existe gratidão pela imensa ternura de Deus, que nos dá o presente de viver.

Cecília Cavalheiro

Lindo Aniversário de 1o. de dezembro de 2011

Lucca e suas lindas muralhas

O que impressiona profundamente logo na chegada a Lucca, são suas muralhas, admiravelmente preservadas pois a construção foi terminada em 1645. No alto das muralhas, um agradável circuito de caminhada, com uma vista linda da cidade.

 

Não é possível entrar no centro da cidade de carro (os grandes então, nem  pensar!). As ruas são estreitas e cheias de lojinhas no acesso à Piazza San Michele.

O Anfiteatro Romano, na Piazza del Anfiteatro, perdeu a maior parte de suas pedras para outras construções da cidade (palácios e igrejas) mas ainda conserva sua aura de beleza histórica.

A Catedral de San Martino (na praça do mesmo nome), foi consagrada em 1070, com o campanário incrustado na fachada, que é ornamentada de relevos lindos, esculpidos por Nicola Pisano e Giudetto da Como. No interior da catedral, um quadro de Tintoreto e outros tesouros, dentre eles o esplêndido órgão.

 

A cidade também é conhecida por ter abrigado o escritor Dante Alighieri durante alguns de seus exílios.

A claridade das construções, aliada ao sol da Toscana, tornam mais bela essa pequena cidade.

E vejam o tamanho dos carros!!!! A maioria é assim.

Vale a pena visitar o  Museo dell’Opera da Duomo que está instalado no antigo palazzo do bispo da cidade e conta com relíquias religiosas e peças de porcelana de Limoges.

Mas, imperdível também é o Palazzo Pfanner , com um jardim maravilhoso, no estilo francês, com diversas estátuas de deusas de deuses romanos. Lindo!  No interior do palazzo, peças de seda, nos costumes das cortes dos séculos XVIII e XIX que comprovam a prosperidade que Lucca possuía. Uma pequena cidade de grandes tesouros!!!

 

Na Toscana, Sienna

 

Segundo a mitologia romana, Sienna foi fundada por Sénio, filho de Remo, um dos irmãos que fundaram Roma, por essa razão existem várias estátuas dos irmãos sendo amamentados pela loba. A cidade se tornou sede de uma diocese cristã devotada à Virgem Maria, a quem veneram até hoje como a protetora da cidade, aquela que impediu o bombardeio à cidade durante a Segunda Guerra Mundial.

Na Piazza del Campo, em forma de meia lua, centro cultural da cidade, realiza-se a famosa corrida de cavalos chamada Palio di Siena. Ela é realizada duas vezes por ano, em 2 de Julho e 16 de Agosto, com 10 cavalos e cavaleiros, cada par representando um dos 17 bairros da cidade. Ainda nesta Praça estão o Palazzo Pubblico ( Prefeitura), e o famoso Campanile (Campanário) com afrescos de Simone Matini e Ambrozio Lorenzetti.

Inspiração para Dante escrever a sua Divina Comédia, Sienna foi plena de lutas internas entre os nobres e também com Florença, sempre mais poderosa. Apesar disso, parte do prestígio da cidade foi mantido e é lá que estão  as faculdades de Direito e Medicina, mais prestigiadas da Itália.

A  catedral de Sienna, iniciada no século XII, é um expoente da arquitetura gótica italiana. Com interior rico repleto de belas esculturas.


De modo geral as ruas da cidade e a arquitetura são ainda aquelas dos séculos passados e achei a cidade um pouco “escura” , talvez suja pelo tempo, embora bonita.

Há muitos turistas na Piazza del Campo mas ainda assim, vale a pena escolher um dos restaurantes em torno ( dê uma volta e fique atento: se têm bastante italianos, entre porque se a turma da cidade frequenta, não é só armadilha de turistas!). A cerveja  e o Parma são de primeira!

Quando sair de Sienna, aprecie o por do sol, a luz é mágica sobre a cidade.

Filmes inesquecíveis

Adoro e odeio listas! Adoro porque nos traz lembranças de lugares, pessoas, gostos, ou emoções e isso é sempre mágico. Detesto porque é sempre tão difícil fazer a lista dos melhores lugares já visitados, das melhores comidas, dos melhores livros, etc. Se me pedissem uma lista só com os 5 filmes e livros favoritos,  seria uma verdadeira tortura! Falando em filmes, fiz a minha lista dos inesquecíveis. Claro que são muito mais que cinco e podem estar faltando alguns. Quando lembrar, acrescento porque  o melhor é isso: nossas listas podem ser intermináveis!

Gritos e Sussurros

Moça com brinco de Pérola

A Eternidade e um dia

Todas as manhãs do mundo

As Horas

Entre dois amores

Jules e Jim

Os Incompreendidos

Ligações Perigosas

A doce vida

Vestígios do dia

Muito além do Jardim

Sonata de Outono

O Encantador de cavalos

O Silêncio dos inocentes

A Lista de Schindler

Lanternas Vermelhas

A Liberdade é azul

A Fraternidade é vermelha

Razão e Sensibilidade

Um Olhar a cada dia

As Melhores intenções

Cinzas do Paraíso

Além da linha vermelha

A Época da inocência

O Segredo dos seus olhos

Todas as coisas são belas

As Invasões Bárbaras

O  Senhor dos anéis

O  Cabo do medo

Fanny e Alexander

Blad Runner

Era uma vez na America

O Iluminado

Carruagens de fogo

Gallipoli

A Escolha de Sofia

O Homem elefante

A Troca

Sobre meninos e lobos

Central do Brasil

Gêmeos, mórbida semelhança

Perdas e Danos

O Franco atirador

O Poderoso chefão

Ôps! Meu irmão Fábio e a irmã Alessandra, sugeriram (e eu concordo!), a inclusão de:

O Leopardo

A Cor púrpura do Cairo

Pisa além da torre

Lógico que todo mundo conhece Pisa por causa da torre inclinada mas, tem muito mais tesouros a serem vistos. A cidade foi muito rica graças à sua proximidade com o rio Arno e por conseqüência, ao comércio marítimo. O apogeu conheceu um brusco declínio em 1284, na batalha de Meloria, onde mais de nove mil soldados foram mortos. E Pisa tinha no máximo 40 mil habitantes naquela época. 

A torre tem uma história muito interessante: em 1173, devido a fundação mal construída e um solo mal compactado, ela começou a inclinar-se já a partir do primeiro andar e isso se acentuou a partir do terceiro. A inclinação já era tão evidente que a obra foi interditada. Por cem anos! Foram necessários 177 anos para o término dessa linda construção em mármore branco, que se destinava a colocar os sinos da catedral da cidade. Quem retomou a construção em 1272 foi Giovanni di Simone cujo museu está na lateral da praça onde fica a torre. Não se surpreenda quando perceber que a linda igreja e o batistério também são inclinados. A guia contou que todas as construções em Pisa são um pouco tortas!

Existem sete sinos, um para cada nota musical e cada um fica em um andar. A altura da torre é de 55,86 metros no lado mais baixo e 56,70 no lado mais alto e o peso estimado é de 14.500 toneladas. Sua inclinação em 2007, já após as obras de restauração, era de 3,99 graus, ou seja, o topo está a uma distância de 3,99 graus de onde estaria se a torre estivesse corretamente na vertical. São 296 ou 294 degraus: no sétimo andar são dois degraus a menos de um dos lados. Entre 1900 e 2001 a torre teve obras de reforço estrutural, reaberta ao público e considerada segura por mais dois ou três séculos, embora sempre esteja em perigo por conta de sua exposição aos efeitos climáticos e ao grande fluxo de turistas.

A torre também é famosa por uma história contada pelo secretário de Galileu Galilei, que segundo ele teria jogado, do alto da torre, duas bolas de materiais diferentes para demonstrar que a velocidade da descida independe do peso da massa. Para a visitar, reserve com antecedência! São trinta pessoas de cada vez e dura no máximo trinta minutos. 

A construção da catedral “Domo” começou em 1664, sobre uma antiga igreja. A história dessa construção que foi paralisada e retomada com ajuda financeira do imperador bizantino é repleta de aventuras. Em 1595 um incêndio quase a destruiu e então, após a restauração, começou pouco a pouco a ser reformada. Recebeu portas de bronze e novas pinturas, contando com o apoio de uma associação dos cidadãos pisanos.  

A catedral é magnífica e surpreende por seu tamanho, pela riqueza dos mármores brancos e negros e a delicadeza e detalhamento das obras de arte, sejam elas em madeira ou em mármore. Os quadros que cobrem o altar principal retratam episódios do Antigo Testamento e um dos seus grandes tesouros é a urna contendo os restos mortais do santo padroeiro da cidade, São Ranieiri.

O Batistério é dedicado a São João Batista e chama a atenção pelo telhado ou melhor, pelo pedaço que falta dele. Rindo os italianos dizem que faltou dinheiro para terminar a obra ( o que já deve ter deixado de ser verdade a julgar  pela quantidade de turistas). Não estranhe o eco que é gerado, ampliando por alguns segundos o que se diz. Os batistérios foram construídos em grande parte porque na época o batismo era com imersão e muitos adultos se convertiam.

Reconheço que para mim, depois da Torre,  o ponto mais alto da visita, é o cemitério romano. Impressionante pela construção e mais ainda, por suas tumbas ainda preservadas.

Os romanos eram enterrados acima do solo, em tumbas lacradas e muitas ainda estão bem preservadas (vazias segundo a guia!!!!).

Os afrescos pintados nas paredes foram terrivelmente destruídos durante bombardeios equivocados dos americanos na Segunda Guerra.  

Um desses americanos ao visitar o local após os bombardeios ficou tão arrasado que iniciou uma enorme campanha para arrecadar fundos para a restauração do local. Graças a ele, em grande parte isso foi possível e em agradecimento, após sua morte, foi colocada uma placa no solo que conta essa história e assim o homenageia.   

O Museu Simone fica do outro lado do Campo Santo. Era um antigo hospital para os pobres e peregrinos e em 1976 foi transformado em museu para honrar o grande arquiteto, responsável pelas obras deste local sem igual, cujo turismo é a mola propulsora da economia local.

E é um turismo lindo, especialmente no final do dia quando sol faz brilhar o mármore branco das construções e a luz quase nos cega com tanta beleza.