Renoir – O pintor da vida

Pierre-Auguste Renoir é chamado de “O pintor da vida”. Ele dizia que no mundo já existia muita tristeza e feiúra e que o dever de um pintor era pintar a beleza.

Renoir era filho de um alfaiate e de uma costureira. Nasceu em 25 de fevereiro de 1841, em Limoges a cidade famosa por suas porcelanas. Eu acredito que o lugar onde vivemos nos influencia: com 13 anos ele parou de estudar e foi trabalhar numa fábrica de porcelanas. Pintou durante 4 anos brasões e motivos florais para os jogos de jantar e de chá que a fábrica vendia rapidamente. Ele resolveu pintar Maria Antonieta, seus vestidos e penteados e os donos da fábrica mandaram parar porque eram desenhos mais demorados, com leques difíceis de pintar e tantos detalhes que compensaria: ele ganhava por hora. Renoir propôs a eles que pagassem por peça pintada. Ele pintava tão rápido e com tanta segurança que as peças venderam tanto que além de ajudar a família ele conseguiu guardar dinheiro.

Depois de passar por outro emprego (pintando temas religiosos), consegui o suficiente para, aos 21 anos, realizar seu sonho: estudar na Escola de Belas Artes de Paris. 

Foi no ateliê de Charles Gleyre que ele fez amizade com Monet, Alfred Sisley e Bazille, pintores que estavam fascinados pela pintura ao ar livre, fascinados em captar a luz e a impressão do momento: os Impressionistas.

Finalmente eles  abandonaram o ateliê e começaram a pintar ao ar livre, principalmente na floresta de Fontainebleu, nos arredores de Paris. Em 1870, Renoir se alistou na cavalaria para lutar na guerra franco-prussiana e um ano depois foi dispensado por motivo de doença. A morte na guerra do amigo Bazille afetou a ele e aos outros pintores impressionistas. Entre 1870 e 1833 Renoir viveu um período de intensa produção Impressionista. Embora sejam desse período várias paisagens, é a vida urbana, a alegria, que inspiravam Renoir.

Sua primeira obra aceita no Salão Oficial de Pintura foi A Esmeralda (1864). A pintura alcançou um relativo sucesso. Pena que ele a destruiu após a exposição.C om a guerra franco-prussiana os amigos Impressionistas se separam e Renoir conhece sua modelo favorita que depois se tornaria sua esposa: Lise Trèbot. Uma de suas pinturas mais conhecidas desse período é “Mulher com a sombrinha” .

Com o relativo sucesso, começou a receber encomendas de retratos.

Em 1872 Renoir obteve bastante sucesso no Salão de Pintura com a obra: “Mulheres parisienses vestidas como Argelinas”. Nesta época ele já morava em Montmartre, bairro boêmio de Paris, onde viveu a maior parte de sua vida e onde  pintou duas de suas mais famosas obras: “A Bailarina” e “O Camarote” , este último foi vendido por 425 francos. É fácil perceber que sua arte começou a “cair no gosto popular” quando três anos depois ele vendeu “O passeio” por 1.200 francos.

Uma de suas obras mundialmente conhecidas, que lhe deu enorme reputação foi “Le moulin de la galette”  pintada em 1876.  Abaixo detalhe do quadro.

Como todos os pintores da época, Renoir sonhava conhecer a Itália e em 1881 ele conseguiu visitar Milão, Roma, Veneza e Napóles. O maior impacto foi ver as obras de Rafael, a quem admirava muito.  

Essa viagem influenciou muito sua obra e Renoir passou a pintar no estilo renascentista, quase inspirado na mitologia clássica. São dessa fase as suas pinturas de Banhistas.

Em suas palavras: “Por volta de 1883, eu tinha esgotado o Impressionismo e finalmente chegado à conclusão que não sabia pintar nem desenhar.”

O Masp possui um lindo quadro de Renoir: Rosa e Azul.

Renoir e sua esposa Aline viveram juntos até a morte dela em 1915 e dele, aos 78 anos, em 1919.  Ele adorava fazer da família seus modelos. Abaixo quadros da esposa e de Coco, o filho caçula que foi muitas vezes retratado.

O casal teve três filhos e Jean Renoir, o filho do meio, tornou-se um grande cineasta, reconhecido internacionalmente e foi autor de vários clássicos do cinema francês, dentre eles: A grande Ilusão, A regra do Jogo, A Marselhesa, A Cadela, French Cancan e A Carruagem de Ouro. Jean Renoir já na maturidade reconheceu que quanto mais longe quis ir da arte do pai  mais perto ficava do pai através de seus filmes. French Cancan é uma das maiores provas dessa afirmação: o filme reproduz o clima e as cores de Montmartre na época do Impressionismo. A mais famosa e bem escrita biografia de Renoir foi escrita por seu filho, Jean Renoir. Uma reconciliação tardia e um amor filial redescoberto.

Renoir também utilizava muito as babás dos filhos como modelo.  Gabrielle é uma das mais famosas, retratada em muitas de suas pinturas.

Um dos grandes amigos de Renoir foi Claude Monet. Este é o retrato que Renoir fez de Madame Monet.

Nos últimos anos de vida, Renoir mudou-se de Montmartre para Cagnes uma região mais quente da França. A artrite foi a doença que minou lentamente suas forças e Renoir tentou se dedicar à escultura devido às fortes dores nas mãos. Mas, como para isso ele precisava de ajuda de dois pintores amigos rapidamente desistiu. Sua grande paixão era a pintura. Ele pedia para amarrarem os pincéis em suas mãos ou pulsos e pintou até o último dia de sua vida.

Honfleur um charme na Normandia

Honfleur 1

Essa cidadezinha especial da França, situada na Normandia, distante duas horas de Paris, existe desde o século XI. O porto se tonou passagem obrigatória para as mercadorias vindas de Rouen que se destinavam à Inglaterra.

Honfleur le port

É um charme de cidade, marcada pelo fim do Rio Sena e o começo do Oceano.  Durante a Guerra de Cem anos, Honfleur ficou nas mãos dos ingleses por trinta e dois anos, o que explica algumas influências locais.

As pequenas ruas são muito interessantes, parecendo labirintos e esta é a rua e fachada da prisão.

Honfleur rue de la prision

A cidade foi berço de muitos pintores, dentre ele um dos maiores pintores Impressionistas, mais conhecido por ter sido o professor de Claude Monet – Eugène Boudin.

Eugene Bodin Honfleur

O ideal é andar pela cidade com calma, tomar um aperitivo local – o Calvados – e depois almoçar olhando o porto. Não vá embora antes do por do sol. A cidade se ilumina aos poucos e é um espetáculo lindo e inesquecível.

Honfleur Calvados

 

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HONFLEUR-VIEUX-BASSIN-NUIT

Auto estima não é vaidade

 

Costumamos usar uma série de palavras com o intuito de descrever certas sensações de bem-estar e de prazer que buscamos insistentemente. Falamos em auto-estima, orgulho, amor-próprio, honra e vaidade sem nos darmos conta de que nem sempre correspondem ao mesmo processo íntimo. 
A auto-estima corresponde a uma sensação íntima de bem-estar relacionada com termos sido capazes de executar alguma tarefa à qual nos propusemos. Por exemplo, se decidirmos que iremos acordar todo dia às 6h para fazer uma hora de ginástica e, de fato, assim procedermos, o resultado será uma enorme satisfação interior. O mesmo vale para quem se propõe a estudar alguma coisa, perder peso, etc. O assunto é irrelevante. O que conta é a pessoa determinar para si uma tarefa e conseguir realiza-la.

Auto-estima tem a ver consigo mesmo. É estar feliz com o próprio desempenho.

A vaidade é totalmente diferente depende de observadores externos, pessoas que nos aplaudam e nos admirem. A gratificação da vaidade depende de sermos capazes de nos destacar.

A partir da adolescência, esse ingrediente da nossa sexualidade se tona muito importante. Se, durante a infância, queremos ser iguais aos nossos amiguinhos, a partir da puberdade, desejamos ser especiais e únicos para atrair os olhares que excitam.

Um rapaz, por exemplo, poderá ganhar um carro muito bonito e menos comum. Isso despertará olhares de admiração por parte das moças, além da inveja dos rapazes – o que sempre tem a ver com admiração. A vaidade do rapaz poderá se satisfazer muito com esses olhares e ele irá se sentir especial e importante dirigindo aquele carro. A vaidade estará gratificada e a auto-estima rebaixada, uma vez que intimamente ele sabe que os méritos não podem ser creditados a si mesmo e sim ao carro ou ao pai, que com seu esforço o comprou.

É evidente que existem condições nas quais a auto-estima e a vaidade caminham na mesma direção. Se eu escrevo este artigo e fico satisfeito com ele, minha auto-estima cresce. Ao ser publicado, se os leitores o aplaudirem, isso fará muito bem à minha vaidade. Nesse caso, o reconhecimento externo aumenta ainda mais a minha auto-estima. Porém, se não gostar do que escrevi, não haverá aplauso no mundo que irá me fazer bem de verdade.

A vaidade faz parte do nosso arsenal instintivo, de modo que jamais irá desaparecer de nossa psicologia. Não tenho nada contra este tipo de prazer, desde que as pessoas não se iludam e lhe atribuam uma importância indevida. O que interessa mesmo é a auto-estima, que depende de uma avaliação interna, na qual nós mesmos nos sentimos satisfeitos com nosso comportamento.

Vaidade depende apenas do mundo das aparências, ao passo que a auto-estima depende da nossa essência. E aqui não existe a possibilidade de engano, pois podemos iludir os outros, mas não a nós mesmos.

* Dr. Flávio Gikovate era médico psiquiatra, diretor do Instituto dePsicoterapia de São Paulo, autor de diversos livros, entre eles: Homem, o sexo frágil? Sexo e Amor para Jovens e Uma nova visão do Amor.

Anesthesia – trama inteligente

Anestesia é um projeto de Tim Blake Nelson, que há mais de vinte anos quis fazer esse filme. Ele é autor do roteiro, direção, produção e atua em um papel pequeno. Ou seja, é a realização de um sonho. anesthesia_-diretor-tim-blake-nelsonE parece um sonho mesmo, pelo menos na cena de abertura, com um senhor de cabelos brancos, comprando flores para sua esposa em uma esquina. Um ritual de todas as sextas-feiras há muitos anos.

Aos poucos vamos descobrir que esse senhor é Walter, um professor de filosofia. Há pouco ele ouviu do filho que a mulher deste pode estar com câncer e vai se submeter a uma cirurgia em poucos dias.anesthesia_professorEssa notícia é o estopim: o professor decide antecipar sua aposentadoria para ficar mais tempo com a esposa.

professor-e-esposaPara fechar esse ciclo ele quer tentar resolver o problema de uma ótima aluna, Sophie (Kristen Stewart) que se queima, para sentir que sua vida faz sentido.

anesthesia-kristen-stewartOutros ciclos também estão em marcha : uma esposa que está se tornando alcoólatra porque o marido mente que está viajando, quando está há pouca distância com uma amante.anesthesia-esposa

anesthesia_maridoE ainda, mais uma vida será afetada por essa decisão, um viciado em heroína que se droga alucinadamente e luta contra qualquer tentativa de recuperação.anesthesia_viciadoAo drama de seu filho, com a esposa suspeitando de câncer, se soma outro grave problema, porque os filhos adolescentes deles estão se viciando em maconha, o que pode ser a porta para outras drogas.anesthesia_filhaEnfim, muita filosofia é destilada nas aulas de Walter Zarrow (Sam Waterston). Especialmente de Schopenhauer e, existe muita poesia nas vidas dessas pessoas comuns, imperfeitas, que serão unidas ao acaso. Vale a pena assistir!

Genius – O mestre dos gênios

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GeniusO mestre dos gênios foi exibido como destaque no Festival de Berlim deste ano. Baseado na biografia de Max Perkins: Editor of Genius, o filme retrata a história real do editor que, na década de vinte, acreditou em jovens talentos e foi responsável pela publicação de autores maravilhosos como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald.

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Colin Firth é o editor e está muito bem, como sempre. Interpretação impecável, na medida certa. Em sua profissão ele é obrigado a sugerir cortes e alterações a seus escritores, sempre com o olhar no público que vai comprar.

Com chegada de um rascunho enorme, ele mergulha na beleza da prosa poética de Thomas Wolf. Era o primeiro romance do autor, Look Homeward Angel.genius_editor

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Escritor prolixo, Wolf reluta em cortar seu romance e, para complicar, leva uma vida desregrada, quando comparada à de Perkins, que tem uma vida pacata com a esposa e quatro filhas.genius-thomas-wolfe_boate

Em meio a esse caos interno, bebidas, escritos, noitadas, Wolf vive uma relação tumultuosa com uma mulher que abandonou a família para ficar com ele (Nicole Kidman).genius_nicole-e-jude-low

Apesar das dificuldades, o trabalho de ambos acaba se tornando uma amizade e Perkins começa projetar em Wolf (Jude Law, ótimo),  o filho que ele sempre quis e não conseguiu ter.

Para quem gosta de literatura, a história absorvente entre esse editor e o escritor Thomas Wolf, é uma ótima indicação. O filme nos leva a um universo literário muito interessante, numa New York perfeitamente recriada no período negro de 1929, no universo dos depois chamados “Geração Perdida” que inspirou inúmeros escritores, entre eles William Faulkner.

Assista o filme! Ele fará você ter vontade de ler, ou reler, os autores!

Wallander – ótima série na NetFlix

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Wallander é uma série britânica premiadíssima. Ganhou BAFTA de 2009 entre outros outros tantos prêmios ao longo do lançamento de suas temporadas, incluindo melhor série dramática da Academy Television Awards de 2015. 

O drama gira em torno do detetive Kurt Wallander, vivido pelo excepcional ator e diretor de cinema e teatro, Kenneth Branagh.

Kenneth Branath

A produção é impecável. Afinal é da BBC de Londres! Baseia-se nos romances de Henning Mankel que venderam mais de 25 milhões de livros.

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Cada episódio é autônomo e prende a atenção do início ao fim. São cenas chocantes, assassinatos quase perfeitos que desafiam o detetive e sua pequena equipe.Wallander_campo de colza

Wallander II

Repare na beleza dos locais, especialmente a pequena cidade portuária sueca, Ystad onde grande parte dos episódios foram filmados.

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O mote são as investigações, mas, muitas histórias humanas se desenrolam em especial envolvendo a filha de Wallander e seu pai, um pintor estranho, que pinta sempre as mesmas paisagens e que está começando a sofrer de Alzheimer.

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A série já acabou e suas quatro temporadas estão no Netflix. Vale muito a pena assistir!

 

Juventudes Roubadas

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Juventudes Roubadas (Testament Youth) se passa no período da Primeira Grande Guerra (1914 a 1918). O filme é baseado no livro de memórias da britânica Vera Bittain, uma jovem de classe média alta, à frente de seu tempo que luta para que os pais a deixem ir para Universidade de Oxford. O irmão de Vera, Edward, é o seu grade aliado que faz a ponte entre ela e o pai, até conseguir que este concorde que ela preste o exame.

Os dias transcorrem tranquilos naqueles tempos e os amigos do irmão e Vera, se divertem na linda propriedade da família.

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Dentre os amigos, Roland Leighton (Kit Harington de Game Of Thrones). A estranheza inicial rapidamente dá lugar a uma intensa paixão.juventudes-roubadas-casal

Vera passa nos exames e é aceita em Oxford. Sonha estudar junto com o irmão, seus amigos e Roland, o amor da sua vida. Mas, tudo muda porque a Primeira Grande Guerra eclode e, ironicamente, ela vai sozinha para a Universidade.

Nas licenças de Roland eles se encontram e se escrevem regularmente de maneira apaixonada. Vera manda poemas, pois sonha ser escritora.kit-harington_roland-_juventudes-roubadas

Todos os rapazes são enviados para frente da batalha e Vera decide interromper os estudos para se tornar enfermeira. Ela não consegue se furtar a participar, a ser útil em campos de batalha onde estava o Destacamento de Ajuda Voluntária (Londres e França).juventudes-roubadas_guerra

Os apaixonados decidem casar na próxima licença de Roland, no Natal. A espera é longa e difícil. Assim como a guerra que de início se pensava que seria algo rápido e sem grande intensidade. Ledo engano. Mais de dez milhões morreram e Vera escrevia em seu diário, as duras experiências que vivia, vendo tantas mortes brutais, tantas juventudes roubadas. Seu livro foi publicado em 1933, se tornou bester seller e vende até hoje em diversos países do mundo.

Abaixo a atriz Alicia Vikander (de A garota dinamarquesa e O amante da rainha) e a verdadeira Vera Mary Brittain. 

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O filme foi lançado em DVD e está na Netflix. Vale a pena assistir pelo enredo, pelas interpretações, em especial de Alicia, essa surpreendente atriz sueca.

Decisão de Risco – Eye in the sky

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No ano e no mês que nos lembramos dos quinze anos do ataque às Torres Gêmeas em New York, esse filme nos faz refletir sobre o conceito de moralidade em uma guerra contra o terrorismo. Nos faz pensar em quantos inocentes vêm morrendo em tantos outros ataques pelo mundo, e quantos outros morrem durante a captura desses terroristas.

Coronel Helen Mirren

Helen Mirren é a Coronel Powell, oficial da inteligência militar, que da Inglaterra coordena uma ação especial, de longa preparação e que de repente vai se ver presa em uma armadilha. Os políticos, sentados em uma sala, que acompanham em um computador essa ação, começam a ter medo de aprovar o ataque ao grupo de terroristas, que está em Nairóbi no Quênia. Inocentes serão atingidos.

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Junto com esses políticos, lutando para aprovar o ataque está o chefe da Coronel Powell, o general Frank Benson, interpretado por Alan Rickman em seu último papel antes de falecer.

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Os terroristas estão em uma casa, num bairro populoso, num quarteirão impossível de esvaziar.

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Para atacar e capturar os terroristas, um avião drone, posicionado para não ser detectado pelos radares e dirigido remotamente por um piloto nos Estados Unidos. Ou seja, uma operação tão delicada e importante que a Inglaterra estava atuando com os Estados Unidos. O ator que interpretou Jesse em Breaking Bad  (Aaron Paul) é o piloto com toda essa pressão que sabe que não poderá errar.

EYE in Sky_piloto

A dramaticidade fica mais intensa porque instalaram um pequeno besouro robô que consegue capturar as imagens desses terroristas dentro da casa e de repente fica claro que eles estão vestindo coletes com explosivos e que vão sair dali para atacar. Provavelmente um Shopping Center. A tensão é enorme. Agora os políticos precisam autorizar porque é decidir entre dois males um do impacto da vizinhança ao redor da casa e outro um potencial ataque a um Shopping Center. O medo dos políticos é serem culpados das mortes que fatalmente vão acontecer e começa um jogo de empurra. A tensão aumenta a cada momento porque a sargento e o general querem atacar, precisam concluir uma operação que está há muito tempo preparada e pode ser uma oportunidade única.

Então, acontece o ápice da tensão. Quando parece que o impasse será decidido, uma menina que vende pães todos os dias, se senta no centro da operação, para vender seus pães. 

Ai fica muito mais difícil porque as vítimas passam a ter um rosto e é o rosto de criança.

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Várias manobras para tirá-la de lá começam, mas, o tempo corre e os terroristas dentro da casa se preparam para sair. 

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O piloto recua, quer saber qual a margem de risco dela ser atingida e os políticos se dividem. Só a Sargento mantém a firmeza e destaca a importância de não deixar morrer inúmeros por causa uma menina.

Pura eletricidade na tela que vai fazer você sentar na pontinha do sofá. Vale a pena assistir! 

 

 

 

A vida em um dia | One day in life

Ideia genial!  Uma parceria do YouTube e dos irmãos Ridley e Tony Scott. Numa convocação mundial é lançado o desafio: os internautas precisavam postar imagens de algum momento ocorrido nas 24 horas do dia 24 de julho de 2010.  Além das imagens, deveriam responder a três perguntas simples: o que você ama? O que está no seu bolso? Do que você tem medo? O resultado são números surpreendentes: 80 mil vídeos vindos de 192 países, totalizando 4 500 horas de gravação. A verdadeira missão foi do diretor Kevin Macdonald : escolher entre esses fragmentos e sintetizar tudo em 95 minutos. A escolha passa por um engraxate peruano, um jardineiro em Dubai, um fotógrafo no Afeganistão e gente como a gente. Lindas e belas histórias, outras tristes, como um dia em nossa vida, pleno do bem e do mal, do riso e da tristeza, da alegria e da dor. Enfim, A Vida em um dia é o resultado excepcional de uma ideia brilhante. Veja um pouco das imagens e corra para alugar o filme: todas valem a pena.

O gênio de Vincent Van Gogh

Vincent Van Gogh nasceu em 30 de março em Groot Zundert, na Holanda e morreu em 29 de julho de 1890, em Arles (Auvers-sur-Oise) na França. Em www.wikipedia.com.br a cronologia de sua vida está descrita em detalhes. E aqui não quero falar muito de sua vida atormentada, mas falar um pouco mais de como, através do entendimento do homem, no registro das mais de 800 cartas que deixou, se pode entender a sua obra. A sua pressuposta loucura e depressão estão muito bem contadas no filme de Maurice Pialat – Van Gogh – lançado no Brasil pela Versátil Home Vídeo, que eu tive a alegria de ter traduzido.

Com a morte do pai, em março de 1986, Vincent vai viver em Paris, junto com seu irmão Théo, mais jovem que ele três anos. Os irmãos se pareciam muito fisicamente, mas, eram muito diferentes. A Théo faltava o gênio de Vincent, mas lhe sobrava espírito prático, senso comercial e uma grande facilidade de se relacionar com as pessoas. Théo começou a trabalhar na “Galeria Goupil” e rapidamente assumiu a gerência de uma filial em Montmartre e, cada vez mais, é este irmão que irá apoiar incondicionalmente a Vincent, acreditando desde sempre em seu talento. Théo Van Gogh era vanguardista e foi responsável por exposições de vários artistas impressionistas, embora não tenha conseguido obter sucesso na exposição que realizou para o irmão e nem tampouco, tenha conseguido vender algum dos quadros de Vincent que ele expunha regularmente na galeria.

A esta altura, Vincent havia mudado para algumas cidadezinhas no sul da França, próximas de Paris, em busca de sol e paisagens para suas pinturas. Durante todos estes anos foi Théo quem ajudou Vincent, enviando-lhe o dinheiro necessário para a sobrevivência e a compra de materiais de pintura.

Vincent em um dado momento (1888) pensou em criar uma comunidade de artistas e Paul Gauguin, que ele tinha conhecido através do irmão, foi morar com ele. http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Gauguin.

É célebre a briga que tiveram e a reação de Vincent, que culpabilizando-se corta a ponta da orelha e a envia, ensanguentada, para Gauguin. O que encerrará para sempre a amizade de ambos e a idéia da comunidade de artistas. A internação de Vincent no sanatório de Saint-Rémy- de-Provence, é decorrência deste acontecimento. Embora hospitalizado, Vincent pinta quadros maravilhosos neste período, dentre eles o sublime Iris.

Johanna Van Gogh-Bonger, nasceu em Amsterdã em 4 de outubro de 1862. Completou os estudos de língua inglesa, se tornou professora e foi para Paris, onde encontrou Théo, ambos se apaixonam e se casam em 1889.

Em várias cartas anteriores ao casamento do irmão, Vincent já mencionava seu desespero e angústia por ser um “peso” para o irmão.

“…eu me sinto triste pois mesmo em caso de sucesso, a pintura não trará o tanto que ela custa… trará prazer à mãe, que seu casamento prospere e sua saúde e seu trabalho. É preciso não ficar só. Eu sinto que passou o desejo de casar e de ter filhos – e existem momentos em que me sinto tão melancólico por me sentir assim, com trinta e cinco anos. E às vezes eu detesto esta pintura suja. Foi Richepin que disse um dia : “  O amor pela arte faz perder o amor de verdade “. Acontece de eu me sentir já velho e machucado mas ainda assim, ainda suficientemente apaixonado demais pela pintura, para não me entusiasmar por ela. Para vencer é preciso ambição e a ambição me parece absurda. Ela resultará não sei em que. O que eu queria, sobretudo, era lhe pesar menos – e isto não será impossível no futuro – porque eu espero progredir de maneira que você possa, sem errar, sem se comprometer, acreditar (…)” 1887

Este sentimento de culpa se amplifica com o casamento do irmão e piora com o nascimento do filho de Théo, que aliás, se chamará Vincent, em homenagem, em vida, ao adorado irmão. Em maio de 1890, por recomendação do irmão Théo, Vincent vai para Auvers-sur-Oise, pois um médico – Dr. Gachet – havia sido indicado como excelente para o tratamento das alucinações e depressões de Vincent. Lá chegando, Vincent aluga um quarto em uma hospedaria “ l’auberge Ravoux”. Muitos quadros e muita angústia o levam a dar um tiro no peito em 27 de julho deste ano. Gravemente ferido e desenganado por dois médicos ele, a cada momento mais fraco, espera a chegada do irmão Théo. Quando este chega, passa toda a noite velando por ele e é segurando sua mão que Vincent morre em 29 de julho de 1890.

Vincent é enterrado em Arles, Auvers-sur-Oise e seis meses depois, em 25 de janeiro de 1891, com 34 anos, Théodore Van Gogh morre, louco, vítima de sífilis (ou de tristeza). Enterrado em Paris, algum tempo depois, seu corpo é transportado sob as ordens de Johanna, para ser enterrado ao lado do irmão Vincent. Dizem que ela mandou plantar girassóis ao lado da tumba de Vincent e quando o sol se recolhe, eles se curvam sob a lápide de Théo. Quando visitei a tumba, eles estavam lá…

E foi Johanna (Jo) van Gogh-Bonger, a cunhada de Vincent, a grande responsável pela organização e manutenção das aproximadamente 700 cartas que Vincent escreveu para Théo, além de seus outros pertences e quadros. É a ela que se deve a tradução para o inglês destas cartas, além da primeira exposição com 473 quadros de Vincent Van Gogh no Museu Municipal de Amsterdã, realizada em julho-agosto de 1905. Duas mil pessoas acorreram para vê-la. Ainda riram das telas dele. O que não evitou que o seu nome começasse a ser pronunciado de boca em boca como um fenômeno das artes holandesas, um dos gênios do mundo de hoje. Johanna escreveu também uma biografia sobre Vincent e a continuidade da preservação de sua obra foi feita por seu filho, Vincent.

A L&PM lançou a biografia no Brasil e assim escreveu a sinopse:

Biografia de Vincent Van Gogh por sua cunhada

Jo Van Gogh-Bonger (tradução de William Lagos)

Reconhecido após a sua morte como um dos mais importantes pintores de todos os tempos, Vincent van Gogh teve uma vida sombria, perpassada por crises de loucura e depressão. Este volume contém a preciosa biografia escrita pela cunhada Jo van Gogh-Bonger, mulher de Théo, as cartas de Théo ao pintor e a correspondência de Vincent com o pintor e a correspondência de Vincent com o pintor Émile Bernard prefaciadas pelo sobrinho Vincent Willen van Gogh (morto em 1974). Junto com o livro Cartas a Théo (Coleção L&PM Pocket, vol. 21), este livro, pela primeira vez publicado no Brasil, é um documento fundamental para a compreensão da vida e da obra tumultuada e torturada de Vincent van Gogh, esse incrível artista que vale tanto a pena conhecer!