Tenho Saudades!

Adorei este texto porque ele reflete pequenas saudades que também tenho e é um prazer poder sentir saudades! Doce saudade, sem nostalgias.

“Tenho muitas saudades da máquina de escrever. Bater nas teclas com força e ouvir o tec, tec,tec.  No fim da linha, empurrar o braço mecânico pra esquerda e começar de novo: A,S,D,E,G. A,S,D,E,G.

Tenho saudade do telefone de disco. Eu tinha uma prima que usava três dedos para discar os seis números. Ela tinha as unhas longuíssimas cobertas de esmalte vermelho e entre o indicador e o médio ainda segurava o cigarro. Elegantérrima. Tenho saudades do tempo em que fumar não era politicamente incorreto, apenas fazia mal pra saúde. E do cheiro do óleo bronzeador que também entrou na lista dos vilões sociais. Óleo de urucum, Rayito de Sol e outros menos cotados.

Tenho saudades da agenda de papel. Todos os telefones anotados com letra caprichada. Tenho saudade até de perder tempo passando a agenda a limpo quando a lista de amigos ficava maior que o número de páginas. Ou quando era preciso apagar alguns nomes. Nunca deletá-los.

Tenho saudade de fazer pipoca na panela. O milho estourando no óleo quente soltando aquele cheiro de sala de cinema. Também sinto falta do ovo batido em ponto de neve no braço. Sem parar pra não desandar a receita. E tenho saudade da vitrola, da agulha do vinil girando em três rotações: 33, 46 e 78. Do chiado do velho LP, do drama de um disco arranhado.

Tenho saudade da manga espada, buraquinho aberto na casca pra beber o caldo. Da goiaba de vez colhida no pé, na primeira mordida vinha metade do bicho que morava lá dentro. E do morango suculento e com gosto de morango. Os morangos de hoje são lindos, mas não têm caldo nem sabor. Tenho saudade de esperar um mês inteiro pela próxima edição do meu gibi preferido e de colecionar figurinhas no álbum. Coladas com cola Tenaz. Cole e descole se for capaz.

E, acima de tudo, tenho saudade de esperar uma semana inteira para que as fotos fossem reveladas. Ah, como eram bacanas as máquinas fotográficas não digitais e os rolos de filmes rebobinados. Saudade de chamar as coisas de bacanas. Saudade de quando as lembranças não eram instantâneas.

Dito isso, devo confessar que não sou muito boa de memória. Esqueço nomes e fisionomias. Só decoro cheiros. E sons. E dores. Mas lembro-me destas últimas pela sensação que produziram, quase nunca pelos personagens que as provocaram. Hoje agradeço essa falha como um dom.

Tenho saudade do Neutrox amarelo, do pac man, da agenda Casio, do Leite de Rosas, do sabonete Phebo, chiquérrimo. E ter saudade não é querer ter tudo isso de volta. É apenas a confortável sensação de ter idade pra ter saudade do que não existe mais e ainda assim era bom simplesmente porque me fazia bem. É ter experimentado todas as mudanças e ter aprovado algumas, detestado outras.

Tenho saudades do bom português, do romance bem escrito publicado em edição de capa dura. Dos políticos que tinham vergonha de serem tachados de corruptos, que fossem. Dos eletrodomésticos que duravam tanto quanto um casamento, quase a vida inteira. De andar de carro com a janela aberta. Ter saudade é um privilégio. Minha memória não é lá muito boa, mas é sábia. Guarda com nitidez as delícias e arquiva os rancores em gavetas trancadas que eu nunca me lembro de abrir.”

Ana Paula Padrão – Revista Isto É.

Amadeo Modigliani um imenso talento

Modigliani foi um pintor maldito (entre tantos outros). Judeu italiano, saiu jovem de  Livorno,  pequena cidade da Itália, com pouquíssimo dinheiro que um tio ofereceu e foi tentar a sorte em Paris. Estranhamente, ele não economizava. Quando chegava a um lugar, logo se hospedava em bons hotéis, ou alugava bons estúdios. Até o dinheiro acabar. Os relatos da época contam que ele tinha ótima aparência, com seu terno de veludo, sempre bem barbeado. Era o que se classifica de um belo homem.

Havia esse sentimento, quase de nobreza nele. Talvez porque sua família, muito antes de perder todo o dinheiro em negócios, tenha sido muito rica. Filho de pai italiano, Flaminio Modigliani e de mãe francesa, Eugenie Garsin, ao nascer Modigliani salvou a família de perder todos os objetos da casa, pois havia uma lei que os credores não podiam tomar a cama de uma mulher grávida ou uma mãe com um filho recém-nascido. Quando os oficiais chegaram, Eugenie entrou em trabalho de parto e o pouco de valor que ainda possuíam foi escondido embaixo de sua cama. Ele sempre teve uma relação muito forte com sua mãe, que o educou até dez anos. Amadeo Modigliani viveu em contínua miséria. Vendendo desenhos, esculturas e quadros, em troca de comida mas, principalmente em troca de bebida. Seu ponto fraco desde sempre: haxixe, álcool e mulheres. Provavelmente nessa ordem.

Anos a fio nessa rotina sem rotina só fizeram piorar sua saúde que foi frágil desde pequeno, ele teve pleurisia, tifo e finalmente, tuberculose, que o acompanhou toda a sua curta vida. Numa crise quando tinha quatorze anos, em delírios pedia para ver as pinturas e esculturas de Florença. A mãe prometeu levá-lo e cumpriu sua promessa. Na volta matriculou Modigliani com o melhor mestre de pintura de Livorno: Giugliemo Micheli.

Mas, foi o encontro com o escultor Constantin Brancusi que marcou a carreira de Modigliani: durante muito tempo ele abandonou a pintura e quis ser escultor. Influenciado pelo cubismo, e pela África negra, executou esculturas inspiradas em máscaras africanas, que talvez tenha conhecido no “Musée de l´Homme”. Esse período vai provar a Modigliani que ele não tinha nem força física, nem saúde para persistir na escultura. O pó, o esforço de esculpir prejudicou muito sua saúde, fazendo com ele tivesse que retornar à Itália ou prosseguir em estações de cura. Ao retomar a pintura, a influência das máscaras permaneceu, evidenciada nos olhos de suas pinturas.

Em 1909 executou uma de suas obras mais importantes: “O violoncelista”  exposta no Salão dos Independentes de Paris daquele ano.

Seus nus causaram escândalo e uma exposição organizada em 1917 pelo amigo, o poeta polonês Leopold Zborowski, durou apenas um dia: Os nus na vitrine causaram escândalo e tantas reclamações que a polícia teve que intervir. Modigliani não pode ser classificado em nenhum movimento específico da pintura, seu estilo próprio e autônomo são sua marca registrada.

Muitas mulheres foram retratadas por Modi (como era carinhosamente chamado). Com quase todas teve romances, rápidos ou mais demorados mas todos, conturbados.  A sua grande musa, o verdadeiro amor de sua vida foi Jeanne Hébuterne, jovem católica, cujos pais repudiavam Modigliani. Eles tiveram uma filha em 1918. Ela estava com ele quando o pintor morreu, na noite de 24 de janeiro de 1920, aos 36 anos.

No dia seguinte Jeanne, grávida de nove meses, do segundo filho de Modigliani, suicidou-se ao atirar-se do quinto andar de um edifício. Ambos foram enterrados no Père-Lachaise em Paris.

Existe um filme famoso, com Andy Garcia – magistral no papel – contando a história de Modigliani, sua vida conturbada e a rivalidade com Picasso. É um filme para assistir e rever.  

No Rio de Janeiro, hoje, encerrou-se a exposição Modigliani imagens de uma vida que virá a seguir para o MASP em São Paulo.

São 12 pinturas, 5 esculturas, desenhos e escritos que retratam a história desse imenso talento, disperdiçado.

A Fonte das Mulheres (La Source des Femmes)

O diretor romeno que imigrou para a França, Radu Mihaileanu é nosso conhecido em especial por “O trem da vida” e “O Concerto”, ambos ótimos filmes. Em A Fonte das Mulheres, ele mantém a leveza mesmo contando um drama e a miséria da ignorância: numa sociedade patriarcal mulçumana, são as mulheres que trabalham, buscam água no alto da montanha, mesmo grávidas e, claro, muitas vezes caem e perdem seus filhos.

Enquanto isso os homens bebem chá gelado, se refrescam na sombra e…não fazem nada! Enquanto eles eram obrigados a defender a aldeia e ir à guerra essa situação talvez até fizesse sentido, mas, numa comunidade sem guerra e sem recursos de eletricidade ou água encanada não se justifica mais. As mulheres, lideradas por Leila, vão se rebelar e começar uma greve de sexo, lutando para que os homens mudem de posição. Então vão caminhar na tênue linha entre os ideais e o respeito às leis do Alcorão. Um filme gostoso de assistir, que apesar de uma realidade tão distante, nos envolve e nos emociona.

Um dia – em DVD

“Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável.”
Charles Dickens, Grandes esperanças

Um dia memorável na vida de Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess): a formatura da faculdade e depois, duas décadas de amizade que vai uni-los nas alegrias, nas decepções. Perto ou longe, eles estão sempre juntos. Ela sonha com um mundo melhor, sonha em fazer parte das mudanças. Ele só sonha com riqueza e conquistas amorosas. Com naturezas tão diversas, seria um romance improvável, mas, de amigos eles acabam se descobrindo apaixonados. Puro lugar comum, e contudo,  o filme não é um lugar comum. É romântico sim, mas, está longe de ser previsível.

É baseado no livro de enorme sucesso de David Nicholls e para quem prefere ler, vale a pena (antes de assistir o filme é claro!).  

Um sonho de amor

Tilda Swuinton é nossa conhecida como a malvada de gelo de As aventuras de Nárnia e mais recentemente, Temos que falar sobre Kevin. Sóbria atriz que neste filme é pura emoção: ela é russa, casou com um riquíssimo italiano e vive adequada nesta vida que parece não ser a sua.

O filme é construído com uma beleza estética tal, que é pura homenagem ao cineasta Lucchino Visconti: mesas maravilhosamente colocadas, comidas em diversos tons ornamentadas por louça maravilhosa, uma mansão linda, enfim, clima de riqueza e beleza, com fotografia excepcional de Yorick Le Saux (da mini-série Carlos).

Aclamado como um renascimento do cinema italiano tem  o diretor Luca Guadagnino  também muito elogiado pela direção e em especial, pela direção de atores. É difícil imaginar a dama de gelo, Tilda Swinton, se apaixonando pelo chef de cozinha amigo de seu filho e vivendo com ele cenas de intensa sensualidade. E o diretor consegue: nas cenas de amor entre os dois ela está uma verdadeira Lady Chatterlay. Assista o DVD para saber se esse amor sobrevive ou se rende às convenções socias.

O futuro dos livros

“Minha infância foi um longo caso de amor com o rádio e minha primeira experiência com histórias  contadas sem o uso de nenhum tipo de equipamento. Depois de jantar, quando minha avó se sentava para tricotar seus intermináveis Cardigans, me pedia para que eu sentasse ao seu lado enquanto ouvia episódios de horríveis melodramas com música lamentosa. Ela ficava tão absorta nesses folhetins que se zangava se alguém lhe fizesse uma pergunta ou o telefone tocasse. E ainda reclamava em voz alta da estupidez dos protagonistas que eram mais relutantes do que ela para agir.

Lembro-me de uma novela em que, capítulo por capítulo, dois bandidos tentavam em vão roubar um anel de diamante de um milhão de dólares de uma aristocrata. Cada vez que estavam prestes a ter sucesso, algo acontecia – a empregada entrava no quarto, o marido se aproximava para beijá-la ou a senhora se trancava no banheiro. Um dia despejaram sonífero na sua sopa e, quando a vítima caiu no chão, começaram a remover o anel. Mas, estava tão apertado que, após dez minutos de luta, os larápios tiveram de escapar sem a joia. “Idiotas””, ela me disse, fora de si, em seu espanhol com toques croatas. Minha avó era uma mulher apaixonada: “ Tudo que tinham a fazer era cortar o dedo com um machado!”.

O fornecimento de eletricidade na aldeia era precário. Os cortes frequentes de energia significavam que era impossível manter o rádio ligado. Minha avó costumava xingar quando a energia acabava no auge da ação radiofônica. Então se virava para mim e dizia: “E ai, Antonio, o que você acha que está acontecendo agora?” Com um monte de gestos e “hums” e “ahs”, eu lhe contava a história com detalhes totalmente fantásticos, como ela gostava, saídos diretamente da minha imaginação. Minha avó balançava a cabeça e continuava o tricô, com os olhos fixos no teto, como se fosse de lá que a minha história vinha.

Um sábado, quando a eletricidade estava funcionando e uma história de suspense saía do rádio no volume máximo, minha avó desligou o aparelho e me disse: “Antonio, prefiro quando você conta a história”. Isso, acho, foi o que me levou a começar minha carreira como escritor.”

Esteban Antonio Skámeta é um dos maiores escritores chilenos. É autor de diversos livros premiados mundialmente e o mais conhecido deles é o que deu origem ao lindo filme: O Carteiro e o Poeta.  

O texto acima foi extraído de um documento seu, apresentado no Segundo Fórum Mundial da Unesco em 2011, realizado na Itália, tratando do futuro do livro. Ele não acredita no fim dos livros como os conhecemos por causa da internet. E eu também não. O prazer de lermos um livro não é substituido pela tela, mesmo que seja Ipad!  

Método perigoso

A mente humana sempre foi um mistério para estudiosos, cientistas, nós, anônimos e, claro, principalmente, para os psiquiatras e psicólogos. 

Falar de subconsciente e não citar Freud é quase um crime. Impossível de dissociar o pai da psicanálise, da busca por descobrir a chave do entendimento da mente humana. O filme “Um método perigoso” conta como uma colaboração entre Freud e seu discípulo mais querido, Jung, acabou azedando e a criatura querendo destruir o criador. No centro da discussão das ideias e das linhas de pensamentos diferentes que acabam adotando, uma mulher. Para um deles, uma paciente. Para o outro, uma história confusa, de amor, de violência e de culpa. Jung acabará se apaixonando pela paciente que buscava o prazer na dor. Casado, ele entrará num turbilhão de culpa e o pior será que a paciente, a doente, se tornará uma importante psiquiatra, que não comunga de suas ideias, mas sim das de Freud. Enfim, vidas reais que mais parecem ficção. Prato cheio para Cronenberg, diretor que constantemente busca o bizarro e também o violento. Quem assistiu Gêmeos Mórbida semelhança sabe do que estou falando. Quem não assistiu: recomendo! Pois bem, o filme não é só dureza, mas… é um filme de Croneberg. E…vale a pena assistir!

Filmes e o Oscar 2012

George Clooney é descendente de uma família que vive no Havaí desde o Século 19. A família possui um pedaço de uma ilha, um lugar paradisíaco que reluta em vender. Nesse pano de fundo, Clooney,  pai duas filhas, tem que começar a cuidar delas e recuperar o tempo perdido de seus relacionamentos, as distâncias impostas por um pai ausente, sempre trabalhando. A aproximação vai acontecer por conta de um momento muito duro na vida deles: a esposa, que o traia, sofre um acidente no mar e entra em coma irreversível, o que levará esse pequeno núcleo familiar ter que decidir se desligam ou não os aparelhos.

George Clooney foi indicado ao Oscar. Indicação merecida, mas de fato ele não merecia mesmo ganhar. Sua interpretação é boa, exemplar, mas nada além do esperado de um grande ator.

Leonardio Di Caprio foi injustiçado e Clint Eastwood também. Não que devessem ganhar mas, deveriam ter sido indicados. Di Caprio está irreconhecível fisicamente, seguro como ator e no mínimo tão bom em sua atuação, quanto os demais indicados. Tão bom quanto DuJardin que ganhou.

Provavelmente porque J. Edgar Hoover  era um sujeito odioso. Chefe do FBI durante 18 anos,  dominou a política e a polícia nesse período, produzindo investigações sobre todos os importantes ou anônimos, torturando e mandando matar culpados e inocentes. As nuances de Hoover são mostradas de maneira segura e competente, aliás, marca registrada de Eastwood: força e competência para contar uma história. Caracterização perfeita, não? Ainda mais considerando que Leonardo Di Caprio é assim…

Sete Dias com Marilyn é a adaptação do livro do ex-assistente de Laurence Olivier ( Kenneth  Branagh). O filme retrata a filmagem realizada em Londres de “O Príncipe Encantado”. Mostra uma faceta neurótica, insegura, infantilizada de Marilyn. Chata. Nunca saberemos se ela era mesmo assim. Se era, devia ser insuportável compartilhar qualquer coisa com ela, mesmo sendo o sexy simbol que foi. Desperdício de uma vida. A atriz Michelle Williams está muito bem e mereceu ser indicada ao Oscar, assim como Meryl Streep, que está muito melhor e insuperável em A Dama de Ferro, mereceu ganhá-lo.

O Artista surpreendeu todo mundo e em preto e branco, receita certa para o insucesso, quebrou  paradigmas. O filme conta o declínio de um grande ator de filmes mudos, na passagem para o cinema falado.

Ganhou diversos prêmios, Cannes de melhor filme, melhor ator, melhor atriz, e indicado a 10 Oscar, levou os principais: melhor filme, melhor diretor  e melhor ator.  De fato Jean Dujardin está ótimo no filme. Atua com leveza e talvez esse seja o maior segredo do filme: um drama leve, com rasgos de comédia, que diverte. Sucesso merecido!

Rio ou São Paulo?

Alguns dos meus amigos estão assustados e me perguntam: como você pode mudar para o Rio? E a violência? Deixar a sua família e…nós? A melhor resposta é o que senti hoje, voltando para São Paulo.  O avião sobrevoa a cidade e luzes pequenininhas se estendem como um tapete, até onde a vista pode alcançar. Num rasgo de generosidade do Universo a lua aparece. Plena, cheia de luminosidade e mistério.

As luzes vão aumentando e se transformam em casas, avenidas, prédios e ai são arranha-céus iluminados. São Paulo é linda de noite. Linda nesta chegada no aeroporto de Congonhas, em noite de lua cheia.

E a chegada ao Rio de Janeiro, pela manhã? É um dos mais lindos espetáculos de beleza natural que conheço. A visão do Cristo, o Pão de Açúcar, o imenso azul do mar… É como chegar na terra prometida: o oceano, as montanhas, o verde e então, a vida urbana.

Menos frenética que  São Paulo. Desde o taxista que deixa você colocar a mala no banco da frente, ao invés de sair e colocar no porta malas, como em São Paulo. Tudo é menos formal, menos servil e nós somos mais iguais, como deveríamos seraqui  na Terra ou em Marte.

Como posso responder aos meus amigos, quando acredito que o afeto não conhece a geografia? O sentimento de estar próxima dos meus irmãos, luz  da minha vida, seres que tanto amo, da minha mama e sobrinha, igualmente amadas e dos meus amigos, me reconforta. Mas para mim o amor, o afeto, de fato não conhecem geografias. Deixei uma parte de mim na França, representada pela minha pequena família Carli e os Fouquet, pessoas tão queridas, que estarão para sempre no meu coração. Sem falar nas amigas brasileiras, Marlene, Ana e Monica, que vivem por lá. Perto ou longe sempre estamos perto porque nos falamos, nos escrevemos, pensamos uns nos outros. É essa energia que alimenta o sentimento de amarmos e de sermos amados.  E na vida é isso que buscamos todos nós: amarmos e sermos amados.

Vivendo todas essas emoções, por analogia, penso  numa pergunta cuja resposta é tão difícil e sempre tão diferente para cada um: o que você gosta mais, do nascer ou do por do sol? Imediatamente penso no maravilhoso nascer do sol do Rio de Janeiro e nesse tapete de luzes, caleidoscópio da nossa São Paulo. Não posso responder se prefiro o anoitecer ou o amanhecer. Ambos me emocionam, amo os dois, como lados de uma  mesma moeda. 

Meryl Streep: o merecido Oscar de 2012

Justiça feita!!!! Meryl Streep ganhou o Oscar de melhor atriz pelo seu trabalho em A Dama de Ferro. Emocionada ela fez um lindo discurso:

“Quando eles chamaram meu nome, eu tive a sensação de que podia ouvir metade da América dizendo: “Ah, não! Por que ela de novo?”. Mas… Que seja! Primeiro, quero agradecer Don porque, quando você agradece o seu marido no final do discurso, eles colocam aquela música. E eu quero que ele saiba que o que mais valorizo em nossas vidas… foi você que me deu. E, agora, em segundo lugar, meu outro parceiro. 37 anos atrás, em meu primeiro papel em Nova York, conheci o melhor maquiador e hairstylist: Roy Helland. E nós trabalhamos, constantemente, desde o dia que colocamos os olhos um no outro. O primeiro filme dele comigo foi A Escolha de Sofia, e ele venceu por seu lindo trabalho em A Dama de Ferro, 30 anos depois! Eu gostaria de agradecer ao Roy, mas também gostaria de agradecer – porque sei que nunca estarei aqui novamente – a todos os meus colegas, todos os meus amigos. Eu olho tudo aqui e vejo a minha vida passando pelos meus olhos. Meus velhos amigos, meus novos amigos… E, sério, essa é uma grande honra! Mas o que mais conta, para mim, são as amizades, o amor, e as alegrias que tivemos fazendo filmes juntos. Meus amigos, obrigado! A todos vocês, aos que partiram e aos que estão aqui. Obrigado por essa carreira inexplicavelmente maravilhosa. Obrigado!”